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FIEAM apresenta Zona Franca de Manaus como estratégia para atrair novos investimentos ao Amazonas

Presidente da FIEAM, Antonio Silva, fala sobre investimentos no PIM – Foto: Divulgação/ ASCOM

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) apresentou a Zona Franca de Manaus (ZFM) nesta quinta-feira, dia 13 de agosto, como uma plataforma estratégica para atrair novos investimentos ao Estado do Amazonas. Durante a exposição voltada a empresários, investidores e representantes do setor produtivo que visitam a capital, a entidade destacou a necessidade de avançar em competitividade, inovação, diversificação econômica e infraestrutura logística.

Na abertura do evento, o presidente da FIEAM, Antonio Silva, reforçou o papel dos incentivos fiscais para a atração de empresas ao Polo Industrial de Manaus (PIM). O dirigente explicou que os principais mecanismos englobam benefícios estaduais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e incentivos federais geridos pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

“O grande atrativo mesmo é o imposto ICMS, é o do governo do Estado do Amazonas”, afirmou o presidente da FIEAM, Antonio Silva.

O líder empresarial defendeu a apresentação contínua das oportunidades regionais e garantiu a disposição do setor industrial em disputar novos empreendimentos.

“Nós não vamos perder nenhuma implantação de nenhuma fábrica que queira se instalar aqui no nosso Polo Industrial de Manaus”, declarou Antonio Silva.

No encontro, foram distribuídos materiais informativos sobre o modelo e suas demandas, aproximando investidores de outras regiões do país das oportunidades de negócios no território amazonense.

Avanço e números

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, apresentou um panorama histórico do modelo ZFM e suas transformações. Com quase quatro décadas de acompanhamento do PIM, o gestor defendeu a superação de antigos estigmas e a valorização do grau de agregação de valor da indústria instalada.

“Eu queria passar um pouquinho para vocês a história da Zona Franca de Manaus antes de chegar nos incentivos, mostrar como nós chegamos aqui hoje e até tirar, desmistificar com vocês alguns mitos ruins”, disse o secretário da Sedecti, Gustavo Igrejas.

Entre os diferenciais atuais do parque fabril, Gustavo Igrejas citou a produção verticalizada, a formação de mão de obra especializada, o surgimento de clusters industriais, a contribuição para o desenvolvimento urbano e a preservação da floresta tropical. Ele também apontou gargalos como a dependência tecnológica e a concentração no mercado interno.

Os indicadores econômicos revelam a dimensão do modelo:

  • Faturamento de US$ 19,3 bilhões registrado pelo PIM entre os meses de janeiro e maio de 2026.
  • Média anual de mão de obra direta de 132.075 trabalhadores alcançada em 2025.
  • Série de investimentos que supera o montante de US$ 10,9 bilhões em 2026.

O secretário ressaltou que o volume de empregos é expressivo diante dos avanços da automação no setor produtivo.

“Esse número que nós temos hoje, 132 mil pessoas, é extremamente relevante, dado ao grau de automação que existe nas empresas”, afirmou Gustavo Igrejas.

Futuro e biodiversidade

Para o secretário, o próximo ciclo do modelo exige alinhar a manutenção das empresas instaladas com uma estratégia arrojada de diversificação econômica, explorando a agroindústria, a logística e o desenvolvimento de novos produtos.

“O ideal seria que um dia, ainda que distante, conseguíssemos que o PIM fosse uma forte base industrial mundial, com desenvolvimento de produtos locais e com uma infraestrutura que permitisse que o mesmo se tornasse um centro exportador de produtos e tecnologias”, destacou Gustavo Igrejas.

O titular da Sedecti defendeu uma visão de longo prazo para reduzir gradualmente a dependência dos incentivos fiscais até o fim da vigência constitucional do modelo.

“A Zona Franca está garantida até 2073 e eu gostaria muito que até lá a gente tivesse cada vez menos dependência dos incentivos fiscais. E o nosso diferencial é a utilização da biodiversidade mais rica do planeta”, declarou Gustavo Igrejas.

Nesse cenário, a biodiversidade e a pesquisa científica surgem como pontes entre a economia florestal e o Distrito Industrial, permitindo gerar insumos e produtos para a própria indústria.

Gargalos na logística

Apesar das vantagens fiscais e industriais, o transporte de cargas permanece como o principal gargalo regional. A avaliação foi detalhada pelo diretor adjunto da FIEAM e chefe de Projetos Especiais da empresa Bertolini, Fábio Gobeth.

Com 48 anos de atuação, a Bertolini opera nos modais rodoviário e fluvial, contando com estaleiro, manutenção naval, armazenagem, transporte de grãos, construção de balsas, empurradores e fabricação de implementos rodoviários.

“A Bertolini é uma empresa que tem 48 anos e ela trabalha com cargas para a Amazônia. Embora tenha filiais no Brasil inteiro, muito raramente vamos fazer uma carga para Curitiba ou Brasília. Todas as cargas, praticamente, têm origem ou destino na Amazônia. A gente é especialista em Amazônia, na região Norte”, explicou Fábio Gobeth.

A operação na Região Norte exige a integração de diferentes modais. Entre os itens trazidos para Manaus estão alimentos, materiais de construção, produtos de varejo, vestuário e medicamentos. No fluxo de saída, a carga é composta por eletroeletrônicos, veículos do setor de duas rodas, itens da linha branca e produtos químicos fabricados no PIM.

Impactos da rodovia

O executivo defendeu a ampliação das rotas terrestres de integração do Amazonas com o restante do país, apontando que a trafegabilidade da BR-319 reduziria sensivelmente o tempo do transporte de cargas.

“A gente reduziria para oito dias de trânsito e eliminaria a necessidade de pôr carretas em cima de balsas”, afirmou Fábio Gobeth.

O diretor alertou sobre a necessidade de adaptar a infraestrutura logística às mudanças climáticas na calha dos rios amazônicos.

“Existe uma nova realidade nos rios da Amazônia. A gente teve, nos últimos 15 anos, as três maiores secas da história registrada e quatro maiores cheias da história”, apontou Fábio Gobeth.

Com uma área de influência que alcança mais de três milhões de pessoas, a pavimentação e recuperação da BR-319 traria benefícios diretos ao comércio, à indústria e à qualidade de vida nos municípios ao longo do trajeto.

“Essa estrada ia fazer uma diferença brutal para o comércio e para a indústria, atividade privada, tudo como um todo”, resumiu Fábio Gobeth.

Infraestrutura e soluções

Fábio Gobeth defendeu aportes públicos em intervenções estratégicas, como a dragagem dos rios e a infraestrutura viária, destacando que a iniciativa privada busca alternativas constantemente.

“A gente tem situações que não dependem da iniciativa privada, que a gente precisa de fato de investimento, que é o caso da dragagem da BR-319, mas que a gente se vira sem elas há muito tempo e a gente arruma soluções para a logística da Amazônia”, disse Fábio Gobeth.

O painel também apresentou rotas internacionais de integração logística por meio de conexões com portos no Peru, Equador e Guiana, abrindo caminhos para o Oceano Pacífico por vias rodoviárias e hidroviárias.

Ao final dos debates, ficou demonstrado que a atração de novos investimentos para o Amazonas exige combinar segurança jurídica nos incentivos, capacidade industrial, mão de obra qualificada, inovação, diversificação e melhoria da infraestrutura.

A mensagem transmitida aos empresários reforçou que a ZFM é uma plataforma industrial completa e pronta para ampliar sua participação nos mercados nacional e internacional.

Fonte: ASCOM

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