
A decisão das bancadas nacionais do Centrão de declarar neutralidade na corrida pelo Planalto expõe uma fissura entre a burocracia partidária em Brasília e a realidade política nos estados.
Enquanto legendas como Partido Progressistas (PP), Republicanos, União Brasil e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) evitam um apoio oficial, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), avança com a adesão de governadores influentes.
Essa movimentação escancara como a articulação regional pode neutralizar a ausência de uma coligação formal no cenário nacional.
A força dos governadores
O principal pilar dessa estratégia é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, apontado como uma das figuras de maior apelo eleitoral do campo da direita. A rede de apoio se estende por diferentes regiões com lideranças consolidadas no comando dos executivos estaduais.
Já confirmaram alinhamento com a pré-candidatura do senador a governadora do Acre, Mailza Assis, do PP, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do PP, e o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, do Republicanos, um crítico frequente da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).
No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel, do PP, fechou um acordo com a liderança do PL local e confirmou presença no mesmo palanque. Já no Espírito Santo, a transição no comando do estado favoreceu a direita.
Com a saída de Renato Casagrande, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o governo foi assumido por Ricardo Ferraço, do MDB, que mantém postura crítica ao governo federal e proximidade com a oposição.
No cenário capixaba, o alinhamento ganha força com a pré-candidatura de Lorenzo Pazolini ao governo do estado. O político declarou apoio ao nome do PL para a Presidência da República.
“Nós temos o pré-candidato à Presidência da República bem estabelecido, bem fincado, o Flávio Bolsonaro. E nós temos trabalhado junto ao Republicanos por essa convergência da direita. Isso é fundamental”, afirmou Pazolini.
Mapa dos aliados regionais
- São Paulo com Tarcísio de Freitas, do Republicanos, atuando como o principal cabo eleitoral da campanha;
- Acre com Mailza Assis, do PP, com apoio formal declarado;
- Distrito Federal com Celina Leão, do PP, confirmada na aliança;
- Mato Grosso com Otaviano Pivetta, do Republicanos, fortalecendo a oposição ao governo federal;
- Mato Grosso do Sul com Eduardo Riedel, do PP, em aliança construída com o diretório local do PL;
- Espírito Santo com Ricardo Ferraço, do MDB, garantindo aproximação política e ambiente favorável.
A disputa nos estados
A busca por palanques fortes nos estados reflete uma mudança profunda nas campanhas eleitorais brasileiras. A avaliação interna do PL indica que a capilaridade de governadores bem avaliados consegue compensar o tempo de rádio e TV que viria com alianças nacionais.
Para o analista político Arcênio Rodrigues da Silva, mestre em Direito Constitucional, a construção de palanques locais ganhou protagonismo frente ao endosso formal de cúpulas partidárias. Ele ressalta que estruturas regionais de mobilização definem o sucesso nas urnas.
“É por isso que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro estão disputando palanques estaduais com tanto empenho: é ali, nos colégios eleitorais dos estados, que as eleições presidenciais brasileiras se decididem”, explica.
Sob a perspectiva de Mano Ferreira, analista de políticas públicas do Livres, o fenômeno decorre da autonomia financeira das direções partidárias nacionais, impulsionada pelas emendas parlamentares, enquanto governadores necessitam de conexões diretas com o poder central para viabilizar verbas. Em um pleito polarizado, a força de cada território ganha peso decisivo.
“Quanto maior o equilíbrio, maior a chance de que a eleição seja definida no detalhe”, afirma.










