
O desenvolvimento econômico do interior do Amazonas depende diretamente da capacidade de produção do setor agropecuário. Ao longo do mês de junho, Senar Amazonas realizou 12 cursos voltados para o programa Formação Profissional Rural (FPR), alcançando oito municípios do estado.
A iniciativa levou qualificação técnica para mais de 160 produtores e trabalhadores rurais, abordando frentes que vão desde o manejo tradicional até o uso de novas ferramentas tecnológicas.
Embora o esforço institucional seja perceptível, a extensão territorial e os gargalos de infraestrutura na região Norte deixam claro que o campo ainda necessita de políticas públicas complementares e permanentes para consolidar esses avanços.
Desafios da qualificação
A distribuição geográfica dos treinamentos mostra uma tentativa de descentralizar o conhecimento prático. As atividades ocorreram em localidades estratégicas como Apuí, Autazes, Boca do Acre, Borba, Manacapuru, Codajás, Itacoatiara e Careiro da Várzea.
Oferecer ensino especializado nessas regiões ajuda a fixar o homem no campo, diminuindo o êxodo rural. No entanto, o real desafio começa após o término das aulas, quando o produtor se depara com as dificuldades históricas de escoamento da produção e a falta de energia estável no interior.
Para o presidente do Senar Amazonas, Muni Lourenço, levar a capacitação para longe da capital representa um ganho direto para a economia rural.
“Cada curso realizado representa mais conhecimento, mais produtividade e mais oportunidades para quem vive e trabalha no campo”, afirma Muni Lourenço.
O posicionamento do gestor evidencia a importância do ganho de eficiência, mas analistas do setor reforçam que a produtividade não caminha sozinha sem estradas transitáveis e incentivos fiscais contínuos para o pequeno produtor.
Cadeias produtivas diversificadas
A programação montada para o período buscou cobrir as demandas reais das propriedades locais, diversificando os temas conforme a vocação de cada município. Os trabalhadores rurais participaram de qualificações específicas focadas em setores de subsistência e também de alta tecnologia.
- O aprendizado envolveu técnicas modernas para a bovinocultura de corte e piscicultura.
- As turmas receberam treinamento para avicultura, avicultura básica e fruticultura.
- A gestão de recursos foi debatida em aulas de irrigação e turismo rural.
- A inovação tecnológica marcou presença com a operação de drones na agricultura.
- A segurança ambiental foi priorizada por meio do manejo de queimadas em propriedades rurais.
Impacto nas comunidades
A busca por competitividade e sustentabilidade no agronegócio amazonense passa necessariamente pela transformação do conhecimento em resultados financeiros reais para as famílias que sobrevivem da terra. A atuação institucional busca preencher uma lacuna que o ensino formal técnico muitas vezes não consegue alcançar nas comunidades ribeirinhas e assentamentos isolados.
A superintendente da instituição, Jeyn’s Alves, defende a continuidade da expansão dessas frentes de ensino prático no interior.
“Nosso compromisso é continuar ampliando o acesso à qualificação, levando capacitações que atendam às necessidades de cada região do Amazonas”, disse Jeyn’s Alves.
Esse direcionamento é essencial, contudo, para que o agronegócio do estado ganhe relevância no mercado nacional, o conhecimento técnico precisa ser acompanhado por linhas de crédito desburocratizadas e assistência governamental de longo prazo.
Fonte: ASCOM | Annyelle Bezerra










