Entrevista Eneva reforça aposta no Amazonas como polo estratégico da segurança energética brasileira

Eneva reforça aposta no Amazonas como polo estratégico da segurança energética brasileira

Diretor-executivo de Comunicação, Aurélio Amaral – Foto: Divulgação/ ASCOM

Em entrevista exclusiva ao Portal O Povo Amazonense, o diretor-executivo de Comunicação e Relações Externas da Eneva, Aurélio Amaral, destaca os investimentos da companhia no Estado, os impactos do Complexo Azulão 950, os programas sociais desenvolvidos nas comunidades, o papel do gás natural na transição energética e as perspectivas de crescimento econômico impulsionadas pela integração regional. Confira a entrevista:

Portal O Povo Amazonense – A Eneva tornou-se uma das maiores empresas privadas em investimentos no Amazonas. Qual é a visão da empresa para o Estado nos próximos dez anos? E qual será o papel do Amazonas dentro da estratégia nacional da companhia?

Aurélio Amaral – A Eneva mantém uma relação de longo prazo com o Amazonas. Estamos construindo um grande projeto estruturante no interior do Estado, nos municípios de Silves e Itapiranga, e nossa visão é consolidar definitivamente nossa presença na região, contribuindo para o desenvolvimento econômico amazonense.

Estamos implantando uma das maiores usinas de geração de energia do Brasil, com capacidade próxima de 1 gigawatt, suficiente para atender cerca de quatro milhões de consumidores. Esse empreendimento representa um importante avanço para a segurança energética do Amazonas.

Manaus, que historicamente enfrentou problemas de abastecimento, passará a contar com uma grande fonte de geração instalada nas proximidades, reduzindo significativamente os riscos de interrupções no fornecimento de energia.

Naturalmente, essa energia integra o Sistema Interligado Nacional, sendo distribuída pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), mas a proximidade da produção fortalece a estabilidade do abastecimento regional.

Outro aspecto relevante foi a valorização da mão de obra local. Aproximadamente 60% dos trabalhadores empregados durante a construção são amazonenses, demonstrando nosso compromisso com a geração de emprego e renda no Estado.

OPA – O município de Itapiranga experimentou forte movimentação econômica em razão da implantação do empreendimento. Como a Eneva mede o impacto dessas ações na vida da população local? Quais resultados mais chamam a atenção da empresa?

Aurélio Amaral – Acompanhamos permanentemente os indicadores oficiais de desenvolvimento. Os dados do IBGE mostram uma evolução significativa da renda per capita, do desenvolvimento econômico e da abertura de novos negócios em municípios como Silves e Itapiranga.

O crescimento da atividade econômica impulsionou restaurantes, hotéis, comércios e diversos empreendimentos que surgiram para atender à demanda criada pela obra.

Muitos desses estabelecimentos permanecerão em funcionamento mesmo após a conclusão da fase de construção, consolidando uma nova dinâmica econômica para a região.

Além dos impactos econômicos, temos muito orgulho do legado social que estamos deixando. Em parceria com o Governo do Estado, apoiamos a reforma da unidade do CETAM em Silves e promovemos um programa de capacitação profissional para quase 90 jovens.

Dos 81 alunos formados na primeira turma, 27 foram contratados pela própria Eneva. Esse talvez seja o maior legado: formar profissionais qualificados, ampliar oportunidades e contribuir para que o desenvolvimento permaneça nas comunidades mesmo após a conclusão das obras.

OPA – Parte da população dos municípios onde a Eneva atua demonstra preocupação com possíveis impactos ambientais decorrentes da exploração de gás natural e da geração de energia. Como a empresa responde a essas preocupações e que garantias oferece para conciliar desenvolvimento econômico e preservação da Amazônia?

Aurélio Amaral – O setor de energia é um dos mais rigorosamente regulados do país, tanto do ponto de vista ambiental quanto operacional. Todos os nossos empreendimentos são implantados dentro dos mais elevados padrões de licenciamento ambiental, cumprindo integralmente a legislação vigente, as condicionantes estabelecidas pelos órgãos competentes e mantendo diálogo permanente com as comunidades envolvidas. A atividade de produção de gás natural possui baixo impacto ambiental.

Após a fase de implantação das estruturas, a operação demanda pouca intervenção na área, com reduzida supressão vegetal e mínima movimentação humana. O gás é extraído por meio de poços interligados por dutos, utilizando tecnologia moderna e segura.

Além disso, buscamos deixar um legado positivo por meio de programas sociais e ambientais. Desenvolvemos iniciativas como o Elas Empreendedoras, que promove capacitação profissional para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Atualmente, cerca de 93% das participantes já desenvolvem atividades próprias e conquistaram autonomia financeira. Também participamos de projetos ambientais relevantes, como o Floresta Viva, realizado em parceria com o BNDES, voltado à recuperação de áreas degradadas, além de outras ações de compensação ambiental que reforçam nosso compromisso com a preservação da Amazônia.

Imagem pesquisada visualmente

OPA – O Complexo Azulão 950 é considerado um dos mais importantes projetos energéticos da Região Norte. O que muda para o Amazonas e para o Brasil quando esse empreendimento estiver plenamente em operação?

Aurélio Amaral – O Complexo Azulão 950 representa um marco para a segurança energética da Região Norte e coloca definitivamente o Amazonas entre os principais polos produtores de energia do Brasil.

A proximidade de uma grande unidade geradora reduz significativamente os riscos de interrupções no fornecimento de energia para Manaus e para toda a região.

Embora a energia produzida seja integrada ao Sistema Interligado Nacional e distribuída pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), a existência dessa capacidade instalada próxima aos grandes centros consumidores fortalece a estabilidade do abastecimento.

A usina possui capacidade suficiente para atender aproximadamente quatro milhões de habitantes. Caso toda essa produção fosse destinada exclusivamente ao Amazonas, seria suficiente para suprir integralmente a demanda energética de Manaus.

Além disso, o gás produzido em Azulão também abastece Roraima, contribuindo para a geração de energia naquele Estado e reforçando a integração energética da Amazônia.

Escola de Educação Profissional e Tecnológica Professor Wilson Carvalho Pereira, doada ao Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam)

OPA – Além dos investimentos industriais, a Eneva também desenvolve projetos sociais voltados à infância, à juventude e ao fortalecimento das comunidades. Qual é a filosofia da empresa em relação à responsabilidade social?

Aurélio Amaral – Nossa filosofia é bastante clara: toda grande obra deve deixar um legado permanente para as comunidades onde está inserida.

Por isso, investimos em programas sociais que promovem inclusão, qualificação profissional e geração de oportunidades.

O programa “Elas Empreendedoras” é um exemplo importante, pois oferece capacitação para mulheres em situação de vulnerabilidade, criando condições para que conquistem independência financeira e melhorem sua qualidade de vida. Também desenvolvemos programas voltados ao letramento infantil nas comunidades próximas às nossas operações, contribuindo para o fortalecimento da educação desde os primeiros anos.

Outro destaque é a parceria com o CETAM em Silves. Investimos na reforma da escola técnica, concedemos bolsas de estudo e apoiamos a formação da primeira turma de profissionais qualificados.

Parte desses alunos foi contratada pela própria Eneva, enquanto outros passaram a atuar em diferentes setores da economia local. Nosso objetivo é contribuir para a formação de mão de obra qualificada, ampliando oportunidades para os jovens e fortalecendo o desenvolvimento sustentável da região.

OPA – Muitos amazonenses perguntam qual legado permanecerá quando as obras forem concluídas. Que mensagem o senhor deixa às comunidades que convivem diretamente com os empreendimentos da Eneva e o que elas podem esperar para o futuro?

Aurélio Amaral – O maior legado da Eneva será um projeto estruturante de longo prazo, capaz de gerar desenvolvimento econômico, empregos, renda e segurança energética para o Amazonas durante décadas.

Nossa atuação não termina com a conclusão das obras. Continuamos investindo na pesquisa de novas reservas e estudando alternativas para ampliar o aproveitamento do gás natural existente no Estado.

Um exemplo é a reserva de Juruá, que possui enorme potencial e poderá garantir o abastecimento das usinas termelétricas por aproximadamente cinquenta anos, além de abrir espaço para novas atividades industriais, como os setores petroquímico e de fertilizantes, sempre condicionadas à viabilidade econômica dos projetos.

Também seguimos realizando estudos em novas áreas próximas ao Complexo Azulão. Quanto maior for o sucesso na identificação de novas reservas, maior será a longevidade do empreendimento e sua capacidade de impulsionar novos investimentos no Amazonas.

OPA – Em meio às discussões sobre transição energética e mudanças climáticas, o gás natural é frequentemente apontado como combustível de transição. Como a Eneva pretende equilibrar crescimento econômico, segurança energética e a necessidade de uma matriz cada vez mais limpa?

Aurélio Amaral – O gás natural é reconhecido mundialmente como um combustível de transição, pois permite reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa quando substitui combustíveis mais poluentes.

Em Roraima, por exemplo, a utilização do gás produzido em Azulão reduziu em cerca de 30% as emissões de carbono em comparação ao óleo combustível anteriormente utilizado para geração de energia. Ao mesmo tempo, a Eneva também investe em fontes renováveis.

A companhia opera um dos maiores parques de geração de energia solar do país, localizado na Bahia, demonstrando que acredita em uma matriz energética diversificada. Entendemos que a transição energética será um processo gradual. As fontes renováveis são fundamentais, mas precisam ser complementadas por fontes firmes e confiáveis, capazes de garantir o fornecimento contínuo de energia. O gás natural desempenha exatamente esse papel.

No caso do Amazonas, as características ambientais da região tornam mais complexa a implantação de grandes parques solares, uma vez que isso exigiria extensa supressão vegetal. Já o gás natural, por estar localizado no subsolo, permite sua exploração com impacto ambiental reduzido, tornando-se uma importante alternativa para conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Além disso, a disponibilidade de energia firme cria condições para atrair novos investimentos, como data centers e outras indústrias intensivas em energia, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para o Estado.

OPA – Há grande expectativa em torno da futura ligação rodoviária entre Brasil e Guiana, conhecida como “El Sendero”, que promete fortalecer a integração econômica da Amazônia e reduzir significativamente o tempo de transporte até o Atlântico. Como a Eneva avalia esse cenário e quais reflexos ele poderá trazer para seus investimentos na região?

Aurélio Amaral – Enxergamos essa integração como uma grande oportunidade para o Amazonas e para toda a Região Norte. A melhoria da infraestrutura logística favorecerá o fluxo de mercadorias, ampliará as relações comerciais entre Brasil e Guiana e fortalecerá a competitividade da Zona Franca de Manaus.

Ao mesmo tempo, abrirá novas perspectivas para o setor de óleo e gás, considerando o crescimento da produção energética da Guiana.

Também acompanhamos com atenção a retomada das relações econômicas com a Venezuela, que igualmente poderá ampliar as oportunidades de integração regional.

Para a Eneva, trata-se de um ambiente favorável ao desenvolvimento de novos projetos e investimentos, sempre avaliados sob critérios técnicos e econômicos.

Quanto maior for a integração entre os países amazônicos, maiores serão as oportunidades para ampliar a produção de energia, fortalecer a infraestrutura regional e gerar benefícios para a população do Amazonas.

Diretor-executivo de Comunicação e Relações Externas da Eneva, Aurélio Amaral – Foto: Divulgação
“O maior patrimônio de um empreendimento é a capacidade de criar oportunidades duradouras para as comunidades”

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