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Estudo internacional revela que infecções bucais elevam o risco de infarto e diabetes tipo dois

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes e problemas cardiovasculares, representam uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil, sendo responsáveis por 41,8% das mortes prematuras em 2019, segundo dados do Ministério da Saúde. O que muitos cidadãos desconhecem é que a origem ou o agravamento dessas patologias pode estar diretamente ligado à falta de cuidados com a boca.

Um estudo conduzido pela Universidade de Birmingham em conjunto com o NIHR Birmingham Biomedical Research Centre acendeu o alerta sobre o tema. A pesquisa comprovou que pacientes com histórico de doença periodontal, que afeta a gengiva e os ossos de sustentação dos dentes, possuem 26% mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo dois e 18% mais chances de registrar problemas cardiovasculares.

A coordenadora técnico comercial da Care Plus Clinic, Daniela Lopes do Vale, esclarece que existe uma relação de via de mão dupla nessa integração física.

“Da mesma forma que algumas patologias apresentam sinais odontológicos, infecções bucais podem agir como foco inflamatório e agravar doenças sistêmicas”, afirma a especialista Daniela Lopes do Vale.

De acordo com a profissional, as alterações na cavidade bucal funcionam como um termômetro do corpo, sinalizando desequilíbrios em andamento. Dessa forma, a ida regular ao dentista deixa de ser um evento isolado e passa a figurar como um pilar essencial da atenção primária e preventiva.

Sinais de alerta

Para ajudar a população a identificar os riscos e abandonar mitos comuns, a especialista desmistifica cinco comportamentos que colocam a saúde geral em risco.

  • Sangramento na gengiva indica que a barreira de defesa da boca está rompida. Embora a força na escovação possa machucar, o sangramento frequente revela uma inflamação ativa que permite a entrada de bactérias na corrente sanguínea.
  • Ausência de dor não é garantia de dentes saudáveis. As doenças periodontais graves costumam ser silenciosas no início, mantendo o corpo em inflamação constante, o que sabota o controle da glicose e eleva marcadores inflamatórios cardíacos.
  • Mau hálito persistente vai muito além de uma escovação mal feita. O sintoma serve de aviso para infecções gengivais ocultas ou até mesmo para desequilíbrios digestivos, renais e metabólicos.
  • Controle do diabetes depende diretamente do tratamento da gengiva. Processos infecciosos bucais aumentam a resistência à insulina. Tratar a boca faz o organismo responder melhor aos medicamentos e dietas.
  • Perda de dentes decorre de infecções acumuladas e não do envelhecimento natural. Manter a dentição preserva a capacidade de mastigação, evitando que a perda óssea gere deficiências nutricionais ou quadros de anemia.

Atendimento integrado

O monitoramento preventivo ajuda a traçar um histórico clínico completo do paciente, permitindo interceptar problemas antes que eles impactem outros órgãos. Quando o indivíduo mantém a higiene e as consultas em dia, ele cria uma blindagem natural para o sistema imunológico.

A atuação integrada entre médicos e dentistas tem se mostrado o caminho mais eficiente para reduzir os índices de internações decorrentes de complicações crônicas no país.

ASCOM: Marcela Ioli

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