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Estudos científicos inéditos trazem nova esperança contra o câncer mais letal do Brasil

O câncer de pulmão é o mais letal no Brasil, após o câncer de próstata (homem) e mama (mulher) – Foto: Reprodução

O câncer de pulmão figura hoje como o tumor mais letal em todo o território nacional, ficando posicionado no ranking geral logo atrás apenas dos tumores de próstata entre os homens e de mama entre as mulheres.

No entanto, dois estudos científicos de grande impacto internacional apresentados na última sexta-feira, dia 29 de maio, durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), trazem uma nova e promissora perspectiva para os pacientes que enfrentam a doença em estágio avançado.

O renomado encontro médico reúne cerca de 45 mil profissionais entre doutores e pesquisadores do mundo inteiro na cidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Alerta nacional

Os dados estatísticos sobre a doença no país exigem muita atenção. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, ao longo do ano de 2026, cerca de 35.380 brasileiros recebam o diagnóstico de tumores na traqueia, nos brônquios ou no pulmão. Desse total de registros, os fumantes devem representar a expressiva marca de 75% dos casos identificados.

A identificação precoce ainda representa um grande desafio para a medicina. Os sintomas mais comuns mapeados pelos médicos incluem:

  • Tosse persistente;
  • Falta de ar;
  • Dor na região do tórax;
  • Perda de peso sem motivo aparente;
  • Cansaço extremo;
  • Presença de sangue no escarro.

Como esses sinais clínicos raramente se manifestam no início do desenvolvimento do tumor, aproximadamente 70% das pessoas acabam recebendo o diagnóstico quando a enfermidade já se encontra em estágio avançado, o que dificulta bastante as chances de cura.

No ano de 2023, o país contabilizou 31.237 óbitos provocados pela doença, sendo que 55% das vítimas eram do sexo masculino.

Avanço histórico

A atualização com dados de acompanhamento de sete anos do projeto clínico chamado “CROWN” reforçou o impacto profundamente transformador que as terapias alvo exercem no tratamento do câncer de pulmão que apresenta a alteração molecular ALK positivo.

Os resultados finais apontam que mais da metade dos indivíduos tratados com o medicamento lorlatinibe continuam vivos e sem nenhuma progressão da doença após o período de sete anos, um feito considerado sem precedentes para os casos de tumores pulmonares metastáticos.

Os inibidores da enzima tirosina quinase servem como primeira linha de defesa contra o câncer de pulmão de não pequenas células avançado quando existem mutações nos genes ALK ou ROS1.

O estudo “CROWN” foi desenhado justamente para comparar o desempenho de dois medicamentos dessa mesma classe, sendo o pioneiro crizotinibe e o moderno lorlatinibe, que representa a terceira geração desses compostos.

Nos dados revelados no encontro da ASCO em 2026, as pessoas que receberam o lorlatinibe mostraram uma probabilidade de 55% de permanecerem com a doença controlada e sem avanços, enquanto o grupo tratado com crizotinibe registrou apenas 3% de taxa de sucesso. Além disso, a nova medicação promoveu uma redução drástica de 81% no risco de evolução do tumor ou de morte dos voluntários.

O trabalho científico também comprovou um controle na região intracraniana muito expressivo e uma durabilidade de resposta terapêutica extremamente longa, fatores considerados fundamentais por atingirem uma população habitualmente mais jovem e que apresenta altos índices de metástase no cérebro ao longo da evolução da enfermidade.

“Esses resultados consolidam o lorlatinibe como um dos tratamentos mais eficazes já desenvolvidos em oncologia torácica e reforçam uma mensagem importante. Quando conseguimos oferecer testagem molecular adequada e acesso precoce às terapias alvo mais eficazes, podemos modificar de forma profunda a história natural do câncer de pulmão”, analisa a médica oncologista Samira Mascarenhas, integrante do corpo clínico da Oncologia D’Or.

Nova alternativa

Outro destaque de grande relevância no evento foi o estudo intitulado “WU-KONG28”, que demonstrou o sucesso de um novo inibidor da enzima tirosina quinase formulado para combater mutações específicas do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR).

De acordo com os dados apresentados, a terapia alvo feita com o medicamento sunvozertinibe supera com folga os resultados da quimioterapia tradicional baseada em platina como abordagem de primeira linha para os pacientes com quadros avançados que possuem a mutação rara de inserção no éxon 20 do EGFR.

A pesquisa detalha que o tempo médio de sobrevida livre de avanço da doença ficou em 10,3 meses com o uso do sunvozertinibe, contra os 7,5 meses obtidos por meio da quimioterapia tradicional, significando uma queda de 35% no risco de piora clínica ou óbito. A taxa de resposta direta ao tratamento atingiu 58,9% no grupo do medicamento oral e 31,1% no modelo convencional. Já a duração média dessa resposta foi de 11,2 meses no primeiro grupo e de 7,1 meses no segundo.

Embora os dados finais de sobrevida global ainda necessitem de maior tempo de observação para amadurecer, as conclusões atuais consolidam o sunvozertinibe como uma excelente opção terapêutica por via oral para um perfil molecular que historicamente contava com pouquíssimas alternativas eficientes.

“Atualmente conseguimos desenvolver tratamentos cada vez mais direcionados para alterações moleculares específicas, com eficácia superior a quimioterapia”, explica Samira Mascarenhas.

Diagnóstico preciso

Apesar do entusiasmo com os novos medicamentos, a especialista faz um alerta de que os benefícios reais da ciência só vão alcançar a população quando houver uma expansão no acesso aos exames de mapeamento.

“Não existe medicina de precisão sem diagnóstico de precisão. Garantir acesso amplo à testagem molecular é uma etapa essencial para que possamos oferecer treatments mais eficazes, personalizados e com maior impacto em sobrevida e qualidade de vida”, defende Samira Mascarenhas.

Suporte especializado

O suporte especializado em todo esse processo de descoberta e tratamento oncológico conta com a atuação de grandes complexos médicos no país. A

instituição de saúde Oncologia D’Or comanda atualmente uma rede robusta composta por mais de 60 clínicas distribuídas por 12 estados do Brasil, além do Distrito Federal.

A equipe médica reúne mais de 500 profissionais especializados nas áreas de oncologia, radioterapia e hematologia que atuam em conjunto com times multidisciplinares para garantir uma assistência integral e totalmente personalizada.

Trabalhando de forma integrada com a Rede D’Or, que engloba mais de 79 unidades hospitalares, a instituição oferece uma linha de cuidado completa que une o acesso a tratamentos modernos com agilidade, eficiência e total segurança em cada fase da jornada do paciente, englobando desde a investigação diagnóstica inicial até o período de plena recuperação.

 ASCOM: Nora Ferreira

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