Terceira Idade Com população cada vez mais idosa, Manaus investe em formação de cuidadores...

Com população cada vez mais idosa, Manaus investe em formação de cuidadores comunitários

Foto: Fábio Simões/FDT

O fechamento de mais um ciclo de capacitação em Manaus joga luz sobre um dos temas mais sensíveis e urgentes da atualidade: a preparação da sociedade para lidar com o aumento rápido da população idosa. Nesta terça-feira (2/6), a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação de Apoio ao Idoso Doutor Thomas (FDT) e sob a coordenação do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Envelhecimento em Manaus (NEPEM), realizou o encerramento de mais uma turma do curso básico de Cuidador Comunitário de Pessoas Idosas. A ação, que ocorreu no grupo Florescer na 3ª Idade, no bairro Cidade Nova, zona Norte da capital, certificou 16 participantes.

O fortalecimento dessas redes comunitárias de apoio representa uma iniciativa louvável de inclusão social e cidadania. Contudo, o avanço também obriga a uma análise crítica sobre os limites dos cursos básicos de curta duração diante da complexidade estrutural que envolve a saúde e a proteção da terceira idade na periferia da capital amazonense.

Rede de apoio

O objetivo central da formação foi instrumentalizar os alunos com noções fundamentais de saúde, higiene e suporte psicológico. O programa busca criar uma barreira de proteção nos bairros, minimizando acidentes domésticos e identificando precocemente sinais de violência ou negligência contra os idosos.

O conteúdo programático da capacitação focou nos seguintes pilares:

  • Processo de envelhecimento: Compreensão das transformações físicas e cognitivas naturais que ocorrem com o passar dos anos.
  • Prevenção de agravos: Instruções práticas sobre como evitar quedas, gerenciar medicamentos e adaptar o espaço doméstico para garantir a mobilidade.
  • Estímulo à autonomia: Técnicas para apoiar o idoso nas atividades diárias sem retirar sua independência e poder de decisão.
  • Cuidado humanizado: Fortalecimento de condutas baseadas no respeito à dignidade humana e no combate ao idadismo.

Políticas de proteção

A descentralização das ações institucionais e a inserção dos cursos nos bairros da zona Norte foram defendidas pela gestão municipal como uma estratégia para democratizar o acesso à informação. O diretor-presidente da Fundação Dr. Thomas, Eduardo Lucas, enfatizou que o papel desses alunos vai além do ambiente familiar.

“Levar esse curso para as comunidades significa ampliar o alcance das políticas públicas voltadas ao envelhecimento. Estamos formando pessoas que passam a compreender melhor as necessidades da pessoa idosa e que podem atuar como multiplicadores desse conhecimento em seus bairros, fortalecendo a rede de cuidado e proteção social em Manaus”, afirmou Eduardo.

A visão prática e transformadora do projeto também repercute diretamente na perspectiva dos jovens que buscam inserção no mercado ou qualificação para cuidar de parentes. A participante Letícia Ferreira, de 22 anos, expressou a importância da oportunidade para sua formação pessoal.

“Sou muito grata à Prefeitura de Manaus, à Fundação Dr. Thomas pela oportunidade de participar do curso. Foi uma experiência enriquecedora, que me permitiu aprender mais sobre o cuidado com a pessoa idosa e compreender a importância de oferecer um atendimento humanizado e respeitoso”, relatou Letícia.

Desafios estruturais

Embora a certificação de novos cuidadores comunitários represente um ganho social inegável, a política pública de atenção ao idoso em Manaus não pode se sustentar apenas no voluntariado ou no suporte familiar informal.

A capacitação comunitária deve caminhar lado a lado com investimentos pesados na infraestrutura de saúde pública, como a ampliação de Policlínicas Especializadas em Geriatria e Centros de Atenção Integral de Dia.

Formar multiplicadores nos bairros é um excelente paliativo contra o isolamento social da terceira idade, mas o município necessita profissionalizar e fiscalizar de forma contínua esse ecossistema de cuidado.

Sem um suporte financeiro e assistencial robusto do Estado para as famílias de baixa renda, a responsabilidade do cuidado acaba sobrecarregando os próprios moradores da periferia, evidenciando que o compromisso com o envelhecimento digno exige ir além da entrega de certificados.

Fonte: ASCOM | Fábio Simões/FDT

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