
Pesquisa realizada pelo Instituto Ipen está agitando Iranduba. O prefeito Augusto Ferraz apareceu com a pior avaliação entre os gestores municipais do Amazonas, pois 51,9% dos entrevistados classificaram sua administração como “péssima”.
O dado tem peso político porque Iranduba está na Região Metropolitana de Manaus e possui forte relevância eleitoral e econômica. Mais do que um desgaste administrativo, o índice revela um cenário de rejeição consolidada poucos meses após a reeleição do prefeito.
Ferraz venceu a disputa municipal de 2024 em uma eleição apertada, o que já indicava um ambiente dividido politicamente. Agora, a pesquisa mostra que parte significativa da população demonstra frustração com a gestão.
Prefeitos sob pressão no interior

A pesquisa Ipen não trouxe preocupação apenas para Iranduba. Outros prefeitos do interior do Amazonas também apareceram em situação delicada perante a opinião pública.
- Em Presidente Figueiredo, a gestão de Fernando Vieira registrou 39,4% de avaliação péssima, índice elevado para um município de grande importância turística e econômica no Estado. Embora haja parcela da população que avalie positivamente a administração, os números mostram forte divisão e desgaste.
- No Careiro, a prefeita Mara Alves também enfrenta dificuldades. Segundo a pesquisa, 35,5% classificaram a gestão como péssima, enquanto boa parte dos entrevistados avaliou a administração apenas como regular.
Renato ainda é expectativa

Até em Manaus, onde o cenário político costuma ser mais pulverizado, os números do IPEN chamaram atenção.
A gestão do prefeito Renato Júnior apareceu com avaliações negativas expressivas e elevado índice de regularidade, sinalizando uma população ainda em compasso de espera quanto aos rumos da administração.
O retrato mostrado pelo Ipen indica que vários prefeitos amazonenses começam a enfrentar desgaste precoce, cenário que pode influenciar alianças, disputas locais e articulações para as eleições de 2026.
Elan ganha fôlego no TSE

A decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, deu novo fôlego político e jurídico ao vereador Elan Alencar na Câmara Municipal de Manaus.
Ao suspender os efeitos da decisão do TRE-AM que determinava a cassação dos diplomas do Democracia Cristã por suposta fraude à cota de gênero, o TSE manteve Elan no cargo até o esgotamento da instância ordinária.
O ministro sinalizou que não considera adequada a execução imediata da cassação antes da análise definitiva dos recursos ainda pendentes no tribunal regional.
A medida evita, pelo menos temporariamente, uma mudança na composição da Câmara Municipal de Manaus e adia o possível retorno da ex-vereadora Glória Carratte ao Legislativo municipal.
Ex-prefeita agora é ré

A ex-prefeita de Codajás, Francimara Penha Freitas, agora responde oficialmente como ré em ação penal eleitoral que investiga suposta compra de votos nas eleições municipais. O caso tramita na 7ª Zona Eleitoral e terá audiência de instrução marcada para o dia 10 de junho, por videoconferência.
O Ministério Público Eleitoral sustenta suspeitas de captação ilícita de sufrágio e corrupção eleitoral. O processo recoloca em evidência a judicialização das disputas políticas no interior do Amazonas, onde denúncias envolvendo compra de votos costumam ter forte impacto na política local.
O que chama atenção é o peso da defesa montada pela ex-prefeita. Advogados conhecidos da advocacia eleitoral amazonense assumiram a linha de frente do caso, indicando que a batalha jurídica promete ser intensa.
Terrorismo ou crime organizado?

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas abre uma discussão que vai muito além da segurança pública. O tema envolve direito internacional, soberania e geopolítica.
Não há dúvida de que as facções brasileiras praticam crimes gravíssimos, dominam territórios, movimentam bilhões com tráfico de drogas e armas e espalham violência dentro e fora dos presídios. O ponto controverso é outro: isso basta para caracterizar terrorismo?
Especialistas ouvidos pela coluna dizem que, na definição clássica, terrorismo envolve motivação política, ideológica ou religiosa. Grupos terroristas usam o medo como instrumento para alcançar objetivos políticos. Já PCC e CV, embora extremamente violentos, atuam prioritariamente como organizações criminosas voltadas ao lucro e ao controle do mercado ilegal.
Política por trás da lista americana
Conforme especialistas, a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos tem impacto direto na política brasileira e revela também uma disputa de narrativa.
O anúncio foi comemorado por setores da oposição ligados ao bolsonarismo, especialmente pelo senador Flávio Bolsonaro, que vinha defendendo publicamente a medida junto ao governo Trump. Já o Palácio do Planalto reagiu com cautela e desconforto.
O poder do Tio Sam

Quando Washington classifica um grupo estrangeiro como terrorista, não está apenas emitindo uma opinião. Está ativando mecanismos jurídicos, financeiros e diplomáticos capazes de ultrapassar fronteiras nacionais.
Na realidade, os EUA ganham mais espaço para monitorar transações, pressionar sistemas financeiros, ampliar cooperação de inteligência e endurecer ações contra pessoas ou empresas suspeitas de ligação com essas facções.
O temor do governo brasileiro é que a medida abra precedente para interferências futuras em assuntos internos de segurança pública.
Embora a legislação americana não autorize automaticamente operações militares, o histórico internacional mostra que o discurso de combate ao terrorismo frequentemente serviu de base política para ações extraterritoriais.










