
O ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, rechaçou categoricamente nesta terça-feira, 26/5, qualquer possibilidade de abalo na realização do 14º Fórum de Lisboa.
O tradicional encontro jurídico e político europeu, jocosamente apelidado nos bastidores de “Gilmarpalooza”, virou alvo de especulações após os recentes escândalos financeiros envolvendo o Banco Master e as subsequentes discussões sobre a criação de um inédito Código de Ética para a corte máxima do país.
A defesa do magistrado expõe o abismo entre o prestígio acadêmico internacional e a fervura política que atinge Brasília.
A blindagem acadêmica
Em entrevista concedida logo após participar de um seminário na capital federal, o ministro minimizou os ruídos e classificou as tentativas de associar o evento às investigações da Polícia Federal (PF) como mera torcida contrária de opositores.
“O Fórum de Lisboa não tem nada a ver com nada disto. É um evento de perfil puramente acadêmico em que nós discutimos questões relevantes”, afirmou Gilmar Mendes ao rebater as críticas.
Para o decano, a conferência internacional representa uma vitrine positiva do país no exterior, reunindo grandes intelectuais e juristas renomados.
“O Fórum de Lisboa faz parte daquilo do Brasil que dá certo”, enfatizou Gilmar Mendes ao garantir que a programação acadêmica segue intocável.
A crise nos bastidores
Apesar do tom seguro do ministro, os bastidores do Judiciário enfrentam dias de extrema instabilidade provocados pelas revelações dos investigadores.
O caso gerou um racha incômodo e obrigou o presidente do STF, Edson Fachin, a anunciar medidas de controle interno para conter o desgaste da imagem pública do tribunal.
- A relatoria do caso foi alterada porque o ministro Dias Toffoli deixou o inquérito após a descoberta de menções ao seu nome no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco privado.
- O escritório da família do ministro Alexandre de Moraes firmou um contrato de prestação de serviços de R$ 129 milhões com a mesma instituição bancária por um período de três anos.
Embora Toffoli e Moraes declarem publicamente que não cometeram irregularidades, o impacto das suspeitas acelerou a necessidade de criar regras de conduta mais rígidas para os magistrados.
O peso dos convidados
Agendado para ocorrer entre os dias 1º e 3 de junho de 2026 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o encontro terá como tema principal a discussão sobre a nova ordem internacional, tecnologia e soberania. A lista de presenças confirmadas mistura grandes nomes globais com o primeiro escalão do governo e da política brasileira.
- A lista de palestrantes internacionais destaca o jornalista Thomas Friedman, três vezes vencedor do Pulitzer, o professor Joel Mokyr, vencedor do Nobel de Ciências Econômicas, o ex-presidente da Colômbia Ivan Duque e o ex-presidente de Cabo Verde Jorge Carlos Fonseca.
- As lideranças nacionais confirmadas incluem o ex-presidente do Brasil Michel Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e a ativista Luiza Brunet.
- A cúpula jurídica contará com os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, o magistrado aposentado Luís Roberto Barroso e o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
A comitiva brasileira em Portugal ainda terá:
- O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
- O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.
- O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa.
- Além de integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A grande quantidade de autoridades públicas em solo europeu mantém os holofotes críticos acesos sobre a verdadeira utilidade pública do megaevento.










