
O que o Brasil testemunhou na noite desta quarta-feira (29/4) no Senado foi o colapso de uma ilusão de poder. A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) por 42 votos a 34 não é apenas um revés burocrático, mas um terremoto político que o país não via desde 1894. Naquela época, Floriano Peixoto tentou aparelhar a Corte e foi barrado. Hoje, Lula tentou o mesmo com seu braço direito da AGU e colheu uma derrota que expõe a fragilidade terminal da sua governabilidade.
O desmoronamento do apoio governista no Congresso é um fato que a elite política em Brasília já não consegue mais esconder sob o tapete. Enquanto o Palácio do Planalto insiste em uma agenda de controle total, os senadores começam a agir como um freio necessário contra o que muitos chamam de projeto autoritário de poder.
Ruptura histórica
A queda de Messias sinaliza que a aliança espúria entre o atual governo e parte da Corte encontrou um limite intransponível no Legislativo. Existe uma percepção clara de que o STF deixou de guardar a Constituição para se tornar um instrumento de revanchismo político e correção de derrotas parlamentares.
Recado ao STF
Jorge Messias era o símbolo dessa conexão direta entre os desejos de Lula e as canetadas dos ministros aliados. Como advogado-geral da União, ele foi o rosto de ações que anularam leis legítimas, como a desoneração da folha. Ao dizer não a ele, o Senado enviou um aviso direto aos ministros que insistem em atropelar a vontade popular.
Governo paralisado
A paralisia do governo é fruto de uma mistura de incompetência estratégica e um isolamento crescente. Durante a sabatina, Messias foi confrontado com o seu papel na perseguição de manifestantes e no bloqueio de emendas parlamentares essenciais para o interior do país. Ele se tornou o rosto de um sistema que pune opositores e estrangula a autonomia do Parlamento.
Olho em 2027
A oposição agora joga com o tempo e com o horizonte da próxima eleição. O entusiasmo com a vitória mostra que a direita se prepara para uma renovação massiva em 2027, com o objetivo declarado de avançar em processos de impeachment contra ministros da Corte. O placar da rejeição mostrou que o número de votos para medidas drásticas já é uma realidade.
Futuro incerto
A base governista tenta culpar as “circunstâncias eleitorais”, mas a verdade é que o governo Lula acabou antes do prazo oficial. Sem conseguir aprovar um ministro no Senado, o presidente perdeu sua principal ferramenta de influência. A recomendação agora é que ele enfrente as urnas antes de tentar qualquer nova manobra no Judiciário, pois o Congresso retomou seu papel de equilíbrio entre os poderes.










