
Os bombardeios contra Teerã provocaram uma reviravolta drástica na estratégia de defesa do Irã, que passou a convocar abertamente a sociedade civil e menores de idade para funções militares.
A mudança ocorre logo após os ataques americanos e israelenses que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e deixaram seu sucessor, Mojtaba Khamenei, gravemente ferido.
Pressionado pela perda de comando e pela escassez de pessoal, o governo iraniano agora utiliza a mídia oficial para transformar o cotidiano dos cidadãos em uma preparação direta para a guerra.
Mídia estatal
A Televisão Estatal Iraniana (IRIB) assumiu um papel central nessa mobilização ao transmitir ao vivo exercícios de tiro e simulações de combate.
A programação exibe apresentadores operando armamentos pesados e disparando contra alvos que simulam o presidente americano Donald Trump, o premiê israelense Benjamin Netanyahu e a bandeira dos Emirados Árabes Unidos.
Os estúdios funcionam como salas de treinamento prático para ensinar o manuseio de fuzis Kalashnikov, metralhadoras PK, fuzis de precisão Dragunov e lançadores de granadas RPG 7.
Além dos estúdios, os canais oficiais exibem treinamentos de tiro em mesquitas de cidades populosas como Ahvaz, Kerman, Shiraz e Zahedan, retratando a participação de civis como um ato voluntário.
O vice-diretor da IRIB, Mohsen Barmahani, defendeu publicamente a linha editorial em entrevista à agência Tasnim.
“Numa situação de guerra e num país que está simultaneamente empenhado numa luta contra todas as potências e opressões mundiais, é natural que os meios de comunicação social nacionais adotem uma atitude de guerra”, afirmou Mohsen Barmahani.
O dirigente justificou que a presença de armas nos programas serve para fixar os ensinamentos na mente da população.
آموزش استفاده در سلاحی که ایرانیان را در ۱۷ و ۱۸ دی به خاک و خون کشید.
اسلام باید برود، هر کسی گفت نمیشود، وقتش نیست خودش هم باید برود.#اسلامزدایی #ایرانیسیم pic.twitter.com/K0NCf9y6sX— Maziar (@MaziarIrani_) May 18, 2026
Recrutamento infantil
O impacto dessa política de guerra total atinge de forma imediata os menores de idade.
Entidades de direitos humanos como a Hengaw e a HRANA relataram recentemente a morte de Alireza Jafari, um menino de 11 anos atingido por um drone israelense em Teerã.
O garoto estava de serviço em um posto de controle do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC).
Relatórios locais confirmaram que o pai levou o filho para a barreira militar devido à falta de pessoal. Depoimentos da família indicam que a presença de adolescentes de 15 anos ou menos se tornou comum nesses locais de monitoramento.
A situação ganhou respaldo oficial com o anúncio de uma campanha do IRGC que reduziu a idade mínima de alistamento para 12 anos.
O adjunto da unidade militar em Teerã, Rahim Nadali, confirmou na televisão que crianças dessa faixa etária têm demonstrado interesse em atuar nas patrulhas de inteligência e na vigilância de ruas.
Cartazes institucionais divulgados pela agência Defa Press já mostram imagens de crianças vestindo uniformes ao lado de soldados adultos.

Leis internacionais
A estratégia de defesa gerou forte reação de órgãos humanitários internacionais. A organização Human Rights Watch (HRW) alertou que o uso de menores de 15 anos em postos de controle, patrulhas operacionais e comboios de segurança configura um crime de guerra e uma violação grave dos direitos fundamentais.
Os postos de monitoramento operados pela milícia Basij espalhados por Teerã têm sido alvos frequentes de bombardeios, elevando o risco para os novos recrutas.
O histórico do país mostra que o uso de menores em combate ocorreu de forma ampla durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980, quando milhares de jovens morreram em missões de alto risco pela milícia Basij.
Atualmente, a prática desafia tratados internacionais assinados pelo próprio governo. O Estatuto de Roma proíbe o alistamento e a participação ativa de menores de 15 anos em hostilidades.
O Irã também é signatário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, cujo protocolo impede a participação de menores de 18 anos em qualquer tipo de conflito armado.










