Trocando em Miúdos Valdemar Costa Neto vem duelar com Lula na corrida eleitoral do Amazonas

Valdemar Costa Neto vem duelar com Lula na corrida eleitoral do Amazonas

A visita do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, a Manaus no próximo dia 30 virou muito mais que um simples ato partidário.

O evento servirá para oficializar a professora Maria do Carmo como pré-candidata ao Governo do Amazonas e o deputado federal Capitão Alberto Neto ao Senado. Mas, o movimento é visto como o primeiro grande embate político-eleitoral de 2026 no Estado.

O detalhe é que Valdemar desembarca poucos dias depois da passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Amazonas. Lula vem oxigenar os projetos de Omar Aziz ao Governo e de Eduardo Braga à reeleição ao Senado.

BR-319, palanque e Senado

Foto: Divulgação

A agenda de Lula no Amazonas terá inaugurações, anúncios e promessas envolvendo a BR-319, obra que há décadas atravessa governos, discursos e campanhas eleitorais sem sair do papel.

Além da rodovia, o presidente petista tentará consolidar um palanque forte para 2026.

A movimentação preocupa adversários porque inclui conversas para fortalecer alianças em torno de Omar e Braga. Mas o PL resolveu responder rápido. Ao trazer Valdemar Costa Neto a Manaus poucos dias depois da visita presidencial, o partido procura mostrar que a direita também quer transformar o Amazonas em campo prioritário da disputa nacional.

Enquanto Lula busca pavimentar a BR-319, Valdemar quer pavimentar a candidatura de Maria do Carmo.

Manaus mad in China

A chegada da gigante chinesa Haier à Zona Franca de Manaus (ZFM) reforçou a percepção de que, apesar da reforma tributária e dos ataques recorrentes ao modelo, Manaus continua extremamente competitiva para grandes multinacionais.

Se até a maior fabricante mundial de eletrodomésticos escolheu Manaus como porta de entrada no Brasil, é porque a ZFM continua viva e bastante atraente.

O recado chinês

A decisão da Haier de fabricar TVs e aparelhos de ar-condicionado no Polo Industrial de Manaus (PIM) também tem forte peso geopolítico.

Enquanto parte do setor empresarial do Sudeste segue questionando incentivos da Zona Franca, os chineses fizeram exatamente o contrário: aumentaram a aposta no modelo amazônico.

A chegada da empresa funciona como um “recado internacional” de confiança no parque industrial amazonense.

Se alguns atacam a ZFM no discurso, outros colocam bilhões sobre a mesa do PIM.

Ar-condicionado em alta

Não passou despercebido o fato de a chinesa Haier iniciar operações pelo segmento de ar-condicionado, um dos que mais crescem no Polo Industrial de Manaus.

Com o aumento das ondas de calor no Brasil e a busca por equipamentos mais eficientes energeticamente, o setor virou joia estratégica da Zona Franca.

Há empresário dizendo, em tom de brincadeira, que Manaus está deixando de fabricar apenas televisores para “exportar conforto térmico” para o país inteiro.

O advogado e o peixe “traíra”

O advogado tributarista Eurico de Santi talvez tenha descoberto da forma mais difícil um velho ditado político amazonense: “quem come traíra em Manaus acaba deixando espinha por aqui”.

Depois de circular pela capital do Estado em seminários, debates e reuniões defendendo modernização tributária e dialogando com empresários da Zona Franca de Manaus, eis que o nome do doutor apareceu ligado à ofensiva judicial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) contra incentivos fiscais da ZFM.

O advogado, então, virou personagem fixo das rodas de conversa do Distrito Industrial e não só por motivos gastronômicos.

A espinha atravessada

No Polo Industrial de Manaus, o comentário é que o advogado Eurico conheceu tão bem a Zona Franca por dentro que acabou aprendendo até onde doía mais.

Empresários não esconderam a irritação ao descobrir que alguém que frequentava encontros na Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) e participava de debates sobre desenvolvimento regional também ajudava a formular estudos usados contra os incentivos fiscais do modelo amazonense.

Tem industrial dizendo que a traíra foi inocente nessa história. O problema mesmo foi o “cardápio político-tributário” servido depois.

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