
A custódia de policiais militares em Manaus passou por uma reformulação profunda nesta terça-feira, 12 de maio. Em um desdobramento direto da “Operação Sentinela”, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) deflagrou a segunda fase da ação, batizada de “Sentinela Maior”.
O objetivo central foi a transferência imediata de 72 custodiados do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar (NPPM), na zona norte, para a recém-criada Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM-AM).
As novas instalações ocupam o prédio onde funcionava o Centro Feminino de Educação e Capacitação (CEFEC), localizado estrategicamente ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (COMPAJ), na rodovia BR-174.
Acordo institucional
A mudança não foi um evento isolado, mas o cumprimento de um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado entre a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e o MPAM. A necessidade de uma intervenção estrutural ficou evidente após a fuga de 23 detentos da antiga unidade em fevereiro deste ano. O episódio expôs falhas críticas na segurança e na gestão administrativa que exigiam uma resposta rápida dos órgãos de controle.
Bastidores da transferência
Para garantir que a movimentação ocorresse sem intercorrências, foi montado um esquema de guerra que durou cerca de seis horas. A operação contou com os seguintes detalhes operacionais.
- Mobilização de 180 homens de forças especializadas.
- Utilização de três ônibus para o transporte seguro dos presos.
- Monitoramento integral do Ministério Público para assegurar a legalidade e os direitos previstos em lei.
- Logística planejada para evitar qualquer tipo de instabilidade operacional durante o trajeto.
Controle e segurança
Segundo a 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública (60ª PROCEAPSP), a nova unidade oferece condições superiores de custódia e um rigor administrativo que o modelo anterior não suportava. A UPPM-AM terá administração militar com cooperação técnica da SEAP, focando exclusivamente em detentos de natureza prisional militar.
“A medida é resultado direto da atuação resolutiva e promocional do Ministério Público, que identificou as graves deficiências do antigo modelo de custódia”, afirma o promotor Armando Gurgel Maia.
Ele ressalta que o órgão conduziu as articulações necessárias para que a solução estrutural fosse viabilizada junto ao governo estadual.
Divisão do sistema
Com a consolidação da “Operação Sentinela Maior”, o antigo núcleo prisional da zona norte ganha uma nova função, sendo destinado agora a presos de caráter provisório ou definitivo. Enquanto isso, a nova unidade na BR-174 inicia suas atividades com capacidade total para os 72 policiais transferidos, garantindo o isolamento necessário e o cumprimento das normas militares.
Entenda o histórico
A primeira fase da “Operação Sentinela” ocorreu em março, motivada pela investigação sobre a evasão em massa registrada no dia 27 de fevereiro. Naquela ocasião, as diligências do MPAM apontaram que a fuga foi possivelmente facilitada por falhas de vigilância. O caso resultou na prisão preventiva de dois policiais militares que estavam de serviço na guarda do estabelecimento no momento da inspeção extraordinária que detectou as ausências.
ASCOM: Orlando Menezes/MPAM










