
O estado do Amazonas consolida sua posição como o coração estratégico da matriz energética brasileira nesta semana. Durante a terceira edição do Amazonas Óleo, Gás e Energia – Expo e Conferência 2026, o território demonstra que suas reservas de gás natural e a produção de petróleo são imãs para capitais nacionais e estrangeiros. O evento, que ocorre de 23 a 25 de março no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, reúne lideranças para debater o futuro da exploração e a transição energética.
Com entrada gratuita, a conferência serve como vitrine para projetos que prometem transformar a realidade do interior. O governo estadual apresenta a expansão da infraestrutura que garante segurança jurídica aos grandes grupos.
“O que o Governo do Amazonas tem feito é dar segurança para que o investidor venha aportar seus recursos e a gente passa a desenvolver empreendimentos como esses que estamos vendo”, afirmou Ronney Peixoto, secretário de Estado de Energia, Mineração e Gás (Semig).
Complexo Azulão
Um dos grandes destaques é o Projeto Azulão 950, da empresa Eneva, no município de Silves. Com investimento de R$ 5,8 bilhões, a iniciativa prevê a construção de três usinas termelétricas movidas a gás natural.
O impacto desse empreendimento é mensurável em números que impressionam a economia local, com capacidade para atender 3,7 milhões de residências e a geração de mais de 5 mil empregos diretos no pico das obras, previstas para conclusão entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Para Márcio Lira, coordenador da Eneva, a integração entre o poder público e a iniciativa privada é fundamental.
“É importantíssimo estar dentro do Amazonas, estar em uma área que tem uma riqueza abaixo do solo enorme, respeitando legislação ambiental e principalmente as pessoas”, destacou o executivo.
Mineração regional
Além dos hidrocarbonetos, a geodiversidade abre portas para a mineração sustentável. O Projeto Potássio de Autazes, que recebeu sua primeira licença ambiental em 2024, segue como aposta para dinamizar o setor primário. A previsão é que a fase de construção gere 2,6 mil empregos diretos e 15 mil indiretos, priorizando 80% de mão de obra local.
Para dar suporte ao crescimento, o estado lançou os Indicadores de Mineração, Gás e Energia do Amazonas (IMGEA). A plataforma digital permite o monitoramento em tempo real das atividades, oferecendo transparência e dados técnicos.
Essa modernização é acompanhada por iniciativas de energia limpa, financiamentos de transição energética e diálogos estratégicos sobre investimentos internacionais e o mercado de gás natural.

Ações de 2025
No campo da pesquisa e inovação, o estado organizou o Seminário de Mineração no Amazonas e o Citeenel 2025, envolvendo universidades e especialistas para debater eficiência energética. Outras ações de destaque em 2025 incluem a apresentação da Política Estadual de Transição Energética (PETEN) na COP30, além da participação na 47ª Expoagro e no Festival de Parintins com iniciativas de energia limpa e conscientização sustentável.
Integração global
A programação aborda de forma integrada a produção, logística, mercado, inovação e sustentabilidade. Os painéis avançam sobre o cenário do petróleo e gás no Brasil e no Amazonas, além de debates sobre infraestrutura, energias renováveis, armazenamento e distribuição. Um ponto alto é a integração energética internacional com a presença de representantes da Guiana e do Suriname, reforçando o Amazonas como eixo estratégico no Arco Norte.
Simpósios técnicos
As discussões incluem temas de diversidade, inclusão e descarbonização no setor energético global. A agenda também contempla simpósios técnicos com universidades e centros de pesquisa para aprofundar debates sobre exploração, produção, regulação, biogás, biomassa e novas tecnologias aplicadas ao setor. O evento é realizado pelo Sebrae Amazonas em parceria com a SEMIG, conectando fornecedores regionais às cadeias produtivas.










