
O cenário econômico do Amazonas vive uma dualidade marcante. Enquanto o Polo Industrial de Manaus (PIM) celebra faturamentos recordes e atrai investimentos internacionais, a base da economia local formada por cooperativas ainda luta para romper barreiras históricas.
A reunião entre a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a Cooperativa de Empreendedores do Turismo da Amazônia (Coopetam) coloca em pauta se os benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM) estão de fato chegando aos pequenos produtores.
Ponte necessária
O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, tem reforçado a presença da autarquia em eventos como o Conecta Coop para garantir que as cooperativas acessem instrumentos de fomento. A estratégia de visitar centenas de fábricas e buscar negócios na Ásia é fundamental para manter o modelo socioeconômico, mas o diálogo com quem faz o turismo exige uma abordagem diferente.
O compromisso firmado envolve não apenas incentivos, mas a capacitação técnica para que o setor de serviços acompanhe o ritmo do crescimento industrial.
Grito do interior
Um ponto crítico levantado durante o debate foge da esfera técnica dos impostos e atinge o cotidiano. A segurança pública e o abandono social são entraves que nenhuma reforma tributária resolve sozinha.
Representantes do setor alertam que o apoio aos micro e pequenos empresários precisa enfrentar a criminalidade crescente que sufoca distritos e municípios vizinhos.
“Gostaríamos que olhassem com um olhar mais carinhoso para esse segmento, pois, além do abandono, temos que conviver com a criminalidade cada vez mais dominante”, afirmou a advogada Kátia Vasconcelos.
Os principais desafios apontados pelos cooperados incluem:
- Acesso desburocratizado aos incentivos fiscais do modelo
- Segurança e infraestrutura para escoamento no interior.
- Integração real de comunidades indígenas e do terceiro setor.
- Formação de mão de obra qualificada para novos investimentos.
União real
A homenagem recebida pela autarquia pelos seus 59 anos simboliza o respeito institucional, mas a verdadeira celebração virá quando o produtor de açaí e o guia de turismo sentirem o impacto no bolso e na segurança. O cooperativismo é a chave para a sustentabilidade na Amazônia, porém depende de uma integração que vá além dos muros das fábricas. É preciso que a união de forças mencionada por Deuzimar Rodrigues, presidente da Coopetam, se transforme em ações práticas nas periferias e nos rios do estado.










