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Haddad deixa a Fazenda com missão cumprida ou conta maior para o Brasil?

Por Estagiário De Lara

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está de malas prontas. Após um ensaio de despedida em fevereiro, ele decidiu que março de 2026 é o momento ideal para fechar a conta do Ministério da Fazenda e focar em seu próximo desafio, que é tentar governar o estado de São Paulo. A justificativa oficial é aquela frase clássica que todo político adora usar quando o barco está balançando, que ele sai com a sensação de missão cumprida.

O problema é que, para o cidadão que paga os boletos, essa missão cumprida tem um sabor um tanto amargo e um preço bem salgado. Enquanto Haddad desafia ex-ministros para debates sobre honestidade intelectual, os dados do Banco Central e do Tesouro Nacional mostram uma realidade que dispensa apresentações e não aceita desaforo.

A matemática criativa e o salto da dívida

Se o objetivo era estabilizar as contas, o gráfico parece ter sido lido de cabeça para baixo. A trajetória da dívida pública nos últimos três anos é o que os especialistas chamam de explosiva, e não é por falta de aviso. Quando o ministro assumiu o cargo, o Brasil devia o equivalente a 71,7% do PIB. Agora, as projeções para este ano de 2026 já encostam na casa dos 81,7%.

  • Em 2023, a dívida fechou em 74,3% do PIB.
  • No final de 2024, o salto foi para 76,1%.
  • Dados de novembro de 2025 já mostravam um rombo de 79%.
  • O Prisma Fiscal projeta que o estrago pode chegar a 84,9%.

Como diz o economista Alexandre Manoel, da Global Intelligence and Analytics, não é uma questão de ser honesto ou não, é apenas olhar para o tamanho do aumento da dívida. O governo atual conseguiu a proeza de repetir os saltos vistos apenas na gestão de Dilma Rousseff, provando que o controle de gastos nunca foi o forte da casa.

O nascimento do meme Taxad

Haddad sai do cargo com um apelido que colou mais que chiclete no asfalto, o Taxad. O esforço hercúleo para aumentar a arrecadação e enfiar novos impostos goela abaixo da sociedade sob o pretexto de justiça tributária teve um custo político altíssimo. A tentativa de acabar com a desoneração da folha e a reoneração dos combustíveis foram apenas os primeiros rounds de uma luta constante contra o bolso do brasileiro.

O “Arcabouço Fiscal”, que nasceu com a promessa de ser a salvação da lavoura, acabou se revelando uma regra frágil. Para João Mário de França, do FGV-Ibre, essa estrutura não garante a sustentabilidade da dívida porque foca apenas em arrecadar mais, e não em gastar menos. Na prática, o governo usou ajustes contábeis e despesas extraordinárias para fingir que o déficit zero era real, quando, na verdade, o resultado negativo foi maquiado para parecer menos pior.

Fogo amigo e confusão no Pix

A comunicação da equipe econômica também não ajudou muito. Quem não se lembra da crise do Pix em 2024? Uma discussão técnica sobre monitoramento da Receita Federal virou um incêndio nas redes sociais, com o deputado Nikolas Ferreira liderando o coro de que o governo queria taxar até o cafezinho pago por transferência digital.

Além disso, a estratégia de anunciar pacotes de cortes de gastos ao mesmo tempo em que prometia isenção de IR para quem ganha até R$ 5.000,00 gerou aquela sensação de que o governo dá com uma mão e tira com a outra. Esse vai e vem só aumentou a desconfiança do mercado e da população, transformando o ajuste fiscal em uma peça de ficção.

Um legado de luz e sombras

Para não dizer que nada funcionou, o Ministério da Fazenda conseguiu desengavetar projetos que estavam mofando em gestões anteriores. A “Reforma Tributária” sobre o consumo e o “Marco Legal das Garantias” são pontos positivos que Haddad leva no currículo. São reformas microeconômicas importantes que nem Michel Temer ou Jair Bolsonaro conseguiram finalizar.

No entanto, o balanço final é ambíguo. Haddad entrega um Orçamento para 2026 com uma meta de superávit de 0,25% do PIB, mas deixa a conta pesada do ajuste para quem vier depois dele. Ele sai de Brasília com o discurso de que organizou a casa, mas deixa a chave de uma residência com as paredes rachadas e o limite do cheque especial estourado. Agora, resta saber se o eleitor paulista vai querer comprar esse imóvel.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/ministo-fernando-haddad-legado-mais-impostos-mais-gastos-divida/

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