
Em Manaus, usar transporte público virou quase um teste de sobrevivência urbana. A passagem não é barata, mas o serviço entregue ao cidadão parece ter sido abandonado à própria sorte.
Reportagem da TV Amazonas mostrou o retrato da mobilidade na avenida Max Teixeira: elevadores destruídos, cobertura deteriorada, luminárias quebradas e um cenário digno de abandono oficial.
O especialista em mobilidade Manoel Paiva foi direto ao ponto: a população paga caro por um sistema que deveria oferecer acessibilidade, segurança e informação — mas entrega exatamente o contrário.
E há um detalhe constrangedor: ali passam cerca de 80% das linhas de ônibus da cidade e circula a maior parte dos usuários do sistema.
Se no coração do transporte coletivo o cenário já é de abandono, imagine-se nas periferias onde muitas vezes nem parada de ônibus existe. Em Manaus, a mobilidade urbana continua, na verdade, imóvel.
Rozenha e o “preso” que escapou

O deputado estadual Rozenha entrou para o folclore político da semana. Durante seu evento de filiação ao Partido Social Democrático (PSD), ao explicar a ausência do deputado federal Sidney Leite, resolveu improvisar no microfone: — “Ele está preso numa CPI…”
O senador Omar Aziz, ao lado, quase teve um mini-infarto político e tratou de cutucar o aliado.
Rozenha então tentou salvar a frase: — “Preso não! Preso no gabinete… mil perdões!”
A plateia caiu na gargalhada. As redes sociais também. Na política, às vezes o ato falho diz mais do que o discurso preparado.
A previdência sob suspeita

A Polícia Federal resolveu dar uma olhada mais de perto na Amazonprev — justamente o cofre que guarda a aposentadoria dos servidores do Amazonas.
A operação investiga a aplicação de R$ 390 milhões em letras financeiras de instituições privadas, operações classificadas como atípicas e realizadas, segundo os investigadores, em desacordo com regras básicas de governança.
O detalhe político que chama atenção: o órgão é comandado pelo ex-deputado Evilázio Nascimento, irmão do ex-ministro Alfredo Nascimento.
Quando quase quatrocentos milhões de reais da previdência entram na mira da Polícia Federal, não se trata apenas de contabilidade criativa.
É sinal de que alguém pode ter tratado dinheiro público como se fosse aplicação de risco em mesa de cassino.
Omar pisa no calo de David

O senador Omar Aziz resolveu testar a temperatura política da capital. Escolheu nada menos que o bairro Santa Luzia — reduto eleitoral clássico do prefeito David Almeida — para realizar um grande ato político do PSD.
Quadra cheia, palanque montado, discursos e gritos de campanha. Na prática, foi um ensaio geral para 2026.
A mensagem política ficou no ar: Omar entrou no território eleitoral de David sem pedir licença e sem bater na porta. Na política amazonense, quando isso acontece, dificilmente é por acaso.
Direita tenta ganhar fôlego

O Partido Liberal (PL), partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, começou a mexer as peças no tabuleiro eleitoral do Amazonas de olho em 2026. Segundo análise do cientista político Gade Pedrosa ao Portal AM1, a legenda tenta reorganizar o campo conservador, hoje dividido em várias frentes políticas no estado.
O desenho em estudo coloca Maria do Carmo Seffair como aposta ao governo, enquanto o deputado federal Capitão Alberto Neto seria o nome para o Senado Federal.
Nos bastidores, outro personagem entra no radar: o influenciador político Sargento Salazar, apontado como possível “puxador de votos” na disputa pela Câmara dos Deputados.
O problema é que a direita no Amazonas anda mais fragmentada do que bloco de carnaval depois da quarta-feira de cinzas. E quando muitos candidatos disputam o mesmo eleitorado, o risco é simples: todo mundo fala para o mesmo público — e ninguém chega ao segundo turno com força suficiente.










