
O combate ao desmatamento ilegal no sul do Amazonas ganhou um novo capítulo de rigor administrativo nesta semana. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou R$ 465 mil em multas e embargou quase 49 hectares de floresta nativa no município de Apuí, que fica a 453 quilômetros de Manaus.
Os dados foram consolidados nesta terça-feira (3/3) e revelam que a pressão sobre a vegetação nativa continua sendo um desafio crítico para as autoridades ambientais do estado.
Desrespeito ambiental no ramal do coruja
A fiscalização aconteceu na última segunda-feira (2/3) ao longo do ramal do Coruja, onde as equipes percorreram 45 quilômetros de terreno difícil para flagrar as irregularidades. No local, os agentes constataram que, além do novo desmatamento, o infrator estava descumprindo um embargo anterior. A área, que deveria estar em processo de regeneração natural, continuava sendo utilizada para a criação de gado e atividades agropecuárias.
O tamanho da destruição impressiona por ser comparável a aproximadamente 49 campos de futebol. Segundo o diretor-presidente do (Ipaam), Gustavo Picanço, a ação faz parte de uma estratégia integrada com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) para garantir que os crimes ambientais não fiquem impunes.
“O Ipaam atua na responsabilização administrativa pelas infrações ambientais, com aplicação de multas e embargos. E a Polícia Civil conduz os procedimentos relacionados aos crimes ambientais”, afirmou Gustavo Picanço.
Estrutura da força-tarefa permanente
A Operação Tamoiotatá 6 não é uma ação isolada, mas um projeto estruturado em 15 etapas que deve seguir até dezembro de 2026. O foco principal é o sul do estado, região historicamente marcada pelo avanço da fronteira agrícola e pelo desmatamento ilegal.
- Bases fixas: o estado mantém presença contínua com bases em Humaitá, Apuí e Boca do Acre.
- Integração total: a operação reúne o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb), Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
- Recursos externos: as ações contam com verba do “Programa Floresta em Pé”, fruto de uma cooperação financeira entre Brasil e Alemanha via KfW Banco de Desenvolvimento.
- Prazos legais: o autuado tem 20 dias para apresentar defesa ou pagar a multa, enquanto a área permanece sob embargo total.
Preservação como ativo econômico
A mensagem enviada pelo Governo do Amazonas é de tolerância zero com o crime ambiental, especialmente no período que antecede a estiagem. O uso de tecnologia e inteligência geográfica permite que as equipes cheguem aos pontos exatos dos alertas de desmatamento, aumentando a eficácia das multas. O embargo é a ferramenta mais temida pelos produtores irregulares, pois impede a comercialização de qualquer produto vindo daquela terra, travando o acesso ao crédito e a mercados formais.
A continuidade da criação de gado em áreas já embargadas mostra que ainda existe um sentimento de impunidade que precisa ser combatido com fiscalização constante. A proteção da floresta no sul do estado é vital não apenas para o clima, mas para manter a imagem dos produtos lícitos do Amazonas no mercado internacional.
Fique por dentro
O cidadão tem papel fundamental na proteção da nossa floresta e pode denunciar crimes ambientais diretamente ao (Ipaam) pelo WhatsApp (92) 98557-9454. O canal é gerido pela Gerência de Fiscalização Ambiental (Gefa) e aceita informações que ajudam a direcionar as viaturas para as áreas sob maior pressão. Combater o desmatamento é garantir que as futuras gerações tenham água, clima estável e uma economia baseada na sustentabilidade.










