
O transporte de cargas na Amazônia é um dos pilares da economia regional, mas enfrenta barreiras severas que impedem o pleno desenvolvimento do setor. A falta de segurança tanto nos rios quanto nas estradas tornou-se o principal gargalo logístico, elevando custos e colocando em risco a vida de trabalhadores. Essa análise crítica é do empresário Irani Bertolini, presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz).
Relato de quem vive a estrada
Pioneiro no setor, Irani Bertolini começou sua trajetória na década de 1970 como caminhoneiro, cruzando o país do Sul até Manaus. Ele relembra com saudade um tempo em que a tranquilidade imperava nas rotas amazônicas, cenário que deu lugar ao medo e ao monitoramento constante.

“Naquela época, eu era caminhoneiro e dirigia sozinho do Sul do Brasil até Manaus e quando tinha sono, encostava o veículo embaixo de uma árvore e dormia tranquilamente. Hoje isso é impensável. As empresas, companhias de seguro e os gerenciadores de risco são quem definem quando e onde o motorista vai parar para evitar assaltos e roubo das cargas”, explica o empresário Irani Bertolini.
Custos repassados ao consumidor
O avanço da criminalidade organizada a partir dos anos 2000 obrigou as transportadoras a investirem pesado em segurança privada e tecnologia. O uso de escoltas armadas nos rios e o monitoramento 24 horas nas rodovias tornaram-se itens obrigatórios, mas que encarecem o frete e, consequentemente, o preço dos produtos para o cidadão.
- Quadrilhas usam armamento pesado e informações privilegiadas.
- Seguros tornaram-se muito mais caros devido ao alto risco de sinistro.
- Investimento em tecnologia de rastreio e escolta é arcado pelas empresas.
Debate global em Manaus
Para buscar soluções práticas e tecnológicas contra essa crise, a Fetramaz promove a “TranspoAmazônia 2026”, a terceira edição da Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística. O evento será realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, entre os dias 27 e 29 de maio. O encontro vai reunir representantes de 43 países para discutir o futuro da logística sustentável e segura.
Propostas para o setor
Durante o congresso, haverá uma reunião estratégica com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) para elevar o debate ao nível federal. O objetivo é apresentar propostas concretas ao poder público para conter a atuação das facções e garantir que o potencial econômico da Amazônia não seja sufocado pela violência.
“Neste encontro, levaremos para o centro dos debates nacionais como a falta de segurança e atuação destas quadrilhas tem prejudicado o desenvolvimento do imenso potencial econômico nos estados da Amazônia”, acrescentou o presidente da Fetramaz.
Informações sobre o evento
- O que é? “TranspoAmazônia 2026” – III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística
- Quando acontece? De 27 a 29 de maio de 2026
- Localização: Centro de Convenções Vasco Vasques em Manaus, Amazonas
- Foco principal: Segurança, novas tecnologias, equipamentos e sustentabilidade no sistema logístico
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