
O cenário do turismo no Amazonas em 2026 começa com o desafio de sustentar os números históricos alcançados no último ano. Durante a 143ª Reunião da Câmara Setorial de Turismo, coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), ficou claro que o estado não quer apenas ser um destino de passagem, mas um polo de conectividade e experiências gastronômicas. Com um salto de 9,04% no fluxo de visitantes em 2025, totalizando 460.489 turistas, a meta agora é enfrentar o eterno gargalo da logística amazônica.
Aviação regional
Um dos pontos centrais do debate foi a estruturação da Política Pública para Aviação Regional. O projeto, detalhado por Sandro Amazonas, do Departamento de Diversificação Econômica (DDE), busca criar um suporte legal para modernizar o setor. A proposta inclui a criação de um fundo específico e um comitê gestor, com metas agressivas de implementação total até 2030.
“Vamos criar uma política pública que tem que ser aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam)”, afirmou Sandro Amazonas.
A estratégia é fundamental porque, embora o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes tenha registrado alta de 8,50% na movimentação de passageiros, o acesso ao interior ainda é caro e limitado. Sem uma malha aérea eficiente, o potencial de geração de emprego e renda nos municípios distantes da capital permanece represado.
Rota das cafeterias
Além da infraestrutura, o governo aposta em novos produtos turísticos como a “Rota das cafeterias”. Liderada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM), a iniciativa prevista para começar neste mês de março foca na economia criativa.
- Criação de combos exclusivos em padarias e casas de chá.
- Realização da oficina “Empreendendo com café” para capacitar donos de negócios.
- Investimento inicial acessível a partir de R$ 1.300 por empreendimento.
- Divulgação integrada em redes sociais e materiais promocionais.
Para a secretária das Câmaras Setoriais, Ana Velloso, o projeto fortalece a identidade regional e atrai novos clientes para o comércio local, unindo o útil ao agradável na experiência do visitante.
Metas para 2026
Os dados da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) mostram que o setor vive um momento de ouro. O fluxo internacional foi o grande destaque, com um crescimento explosivo superior a 92%. Eventos consolidados e temporadas específicas também deixaram um rastro financeiro importante.
- Festival Folclórico de Parintins: Atraiu 120 mil pessoas e injetou R$ 215,6 milhões na economia.
- Temporada de Cruzeiros: Recebeu mais de 18 mil turistas, com impacto total estimado em R$ 25,7 milhões.
- Expectativa: A meta estabelecida por Francisco Alves, da Amazonastur, é um novo crescimento entre 5% e 7%.
Desafios logísticos
Apesar do otimismo, o mercado reconhece que a integração é a palavra de ordem. Roberto Conhago Tavares, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Amazonas (ABAV-AM), vê com bons olhos a diversificação da oferta turística, mas o setor produtivo segue atento à velocidade das reformas logísticas. O sucesso do Amazonas em 2026 dependerá da rapidez com que o governo conseguirá transformar planos de papel em pistas de pouso e rotas comerciais viáveis.
Fique por dentro
A expansão do turismo no Amazonas em 2025 foi impulsionada pela recuperação total da malha aérea internacional e pelo sucesso de grandes eventos culturais. Para 2026, o foco do estado se divide em duas frentes: infraestrutura e experiências locais. Enquanto a nova política de aviação pretende reduzir custos e distâncias para o interior até 2030, projetos como a “Rota das cafeterias” buscam fidelizar o turista na capital através da gastronomia. O desafio permanece na execução legislativa das propostas e na melhoria da logística para que os benefícios econômicos cheguem, de fato, a todas as calhas de rios do estado.










