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Saúde ocupacional deixa de ser gasto e passa a ser investimento para a indústria crescer

Foto: Divulgação/ASCOM

A busca contínua por eficiência operacional na indústria muitas vezes esbarra em um gargalo invisível, mas de alto impacto, que é o esgotamento físico e mental das equipes. A saúde ocupacional deixou de ser uma pauta secundária de Recursos Humanos (RH) para se tornar uma questão central de sustentabilidade financeira e jurídica nas empresas.

Esse debate ganhou força no evento “Travessia SESI 80 anos”, realizado a bordo do Barco-Escola SENAI Samaúma, onde lideranças do Polo Industrial de Manaus (PIM) se reuniram para discutir a promoção da saúde integrativa e o cumprimento da legislação trabalhista.

Ao todo, 72 empresas participaram do encontro, com destaque para representantes de corporações como Honda da Amazônia, Recofarma, Ardagh, Masa da Amazônia Ltda., Grupo Simões, Climazon e Copag. O evento contou também com a presença de Edson Rebouças, auditor fiscal do Ministério do Trabalho, lotado na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas.

Além dos exames

A condução do painel sobre saúde ocupacional ficou sob a responsabilidade da médica psiquiatra Alessandra Pereira, representante da VivaMente Saúde Corporativa. A especialista ponderou que indicadores clínicos tradicionais nem sempre refletem o real estado de bem-estar do trabalhador. Fatores como a qualidade do sono, alimentação, rotina de exercícios físicos e o contato direto com a natureza afetam diretamente o desempenho profissional diário.

“Às vezes, todos os exames estão normais, mas a pessoa continua cansada, sem energia, dormindo mal e sem disposição. São atitudes muito simples que podem mudar completamente esse cenário, como organizar o sono, reduzir o uso do celular antes de dormir, alimentar-se melhor, praticar exercícios físicos e reservar alguns minutos do dia para desacelerar”, destacou Alessandra Pereira.

A médica enfatizou a responsabilidade direta das lideranças no ambiente corporativo e no desgaste das equipes.

 “O gestor é um arquiteto do ambiente de trabalho. Quando ele está emocionalmente equilibrado, transmite esse equilíbrio para toda a equipe. Mas, quando vive em constante tensão, acaba espalhando esse estado emocional. Cuidar da saúde do gestor é cuidar da saúde de toda a organização”, afirmou Alessandra Pereira.

Ações de prevenção

A consolidação de um ambiente corporativo saudável exige intervenções estruturadas que vão além do discurso motivacional. O setor de Recursos Humanos (RH) desempenha papel estratégico ao implementar práticas cotidianas voltadas à prevenção de danos à saúde mental.

  • Promoção de pausas planejadas ao longo da jornada diária.
  • Incentivo constante à prática regular de atividades físicas.
  • Campanhas educativas voltadas à alimentação saudável.
  • Capacitação contínua de gestores para identificar fatores de risco psicossocial.
  • Criação e manutenção de programas formais de escuta ativa.
  • Ações concretas direcionadas ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Foto: Divulgação/ASCOM

Rigor da norma

A gestão dos fatores psicológicos no trabalho ganhou status de obrigação formal com as diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). O auditor fiscal do Ministério do Trabalho, Edson Rebouças, reforçou que a adequação às diretrizes preventivas aproxima o setor produtivo das exigências legais atuais.

“Esse é um momento de despertamento para as empresas. A NR-1 reforça a necessidade de identificar e gerenciar os riscos psicossociais, e o SESI demonstra que esse trabalho não fica apenas na teoria, mas se transforma em ações práticas. A fiscalização tem o compromisso de orientar e acompanhar esse processo para que as empresas promovam mais qualidade de vida aos trabalhadores”, ressaltou Edson Rebouças.

O auditor acrescentou que o olhar preventivo gera retorno direto para a sustentabilidade financeira das indústrias.

“A gestão adequada desses riscos melhora o ambiente de trabalho, reduz impactos sobre os trabalhadores e contribui diretamente para o aumento da produtividade das empresas”, completou o auditor.

Desafios na prática

As reflexões propostas durante a imersão geraram avaliações positivas entre os executivos participantes. O gerente de Recursos Humanos (RH) da Masa da Amazônia Ltda., Daniel Braga, ressaltou o aprendizado prático absorvido na ocasião.

“Foi uma experiência de muito aprendizado e autoconhecimento. O evento não tratou apenas das empresas, mas principalmente das pessoas que lideram equipes. Vou levar esse conhecimento para aplicar tanto na minha vida pessoal quanto dentro da empresa, porque saúde mental e ambiente de trabalho caminham juntos”, afirmou Daniel Braga.

A superintendente do Serviço Social da Indústria (SESI) no Amazonas, Rosana Vasconcelos, destacou que a entidade busca entregar alternativas viáveis para os desafios operacionais do ecossistema fabril regional.

“Foram dois dias extremamente produtivos, discutindo temas fundamentais para a saúde integral dos trabalhadores. O SESI tem desenvolvido soluções economicamente viáveis que ajudam as empresas a identificar fatores de risco, reduzir afastamentos, prevenir acidentes e melhorar a qualidade de vida dos colaboradores. Muitas vezes os problemas não surgem dentro da empresa, mas é a indústria quem absorve seus impactos. Nosso papel é apoiar as empresas na construção de ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis”, destacou Rosana Vasconcelos.

A urgência em tratar a saúde mental como parte da estratégia de negócios reflete uma mudança inevitável no mercado. Empresas que compreendem o valor preventivo da legislação reduzem a rotatividade de pessoal e constroem um modelo produtivo seguro, humano e economicamente sustentável.

Fonte: ASCOM

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