
A Rússia realizou um dos bombardeios mais extensos e prolongados deste ano contra o território ucraniano durante a madrugada deste sábado, 27/12. A ação militar ocorreu apenas um dia antes da reunião prevista entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o homólogo americano Donald Trump, na Flórida, como parte dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito que já dura quase quatro anos.
Os ataques atingiram duramente a infraestrutura civil e deixaram a capital em estado de alerta máximo. Abaixo estão os principais pontos sobre os impactos imediatos da ofensiva russa.
- O bombardeio aéreo contra a cidade de Kiev matou pelo menos duas pessoas e deixou outras 44 feridas, incluindo duas crianças.
- Mais de 40% dos prédios residenciais na capital ucraniana ficaram sem aquecimento em meio a temperaturas congelantes.
- A Força Aérea Ucraniana (Fau) registrou o lançamento de 519 drones e 40 mísseis contra diversas regiões do país.
- Em vários bairros de Kiev o fornecimento de eletricidade foi interrompido e as equipes de emergência atuam para conter incêndios em prédios residenciais.
- A Polônia enviou caças para a fronteira e fechou temporariamente dois aeroportos como medida de precaução diante da magnitude da ofensiva.
Ajuda econômica do Canadá e o papel do FMI
Antes de seguir para os Estados Unidos o presidente Volodymyr Zelensky fez uma escala estratégica no Canadá neste sábado para se reunir com o primeiro ministro Mark Carney. Durante o encontro realizado em Halifax, na Nova Escócia, o governo canadense anunciou um auxílio econômico adicional de C$ 2,5 bilhões para fortalecer a resistência ucraniana.
Este pacote de ajuda também terá um papel fundamental junto aos organismos globais. Segundo fontes governamentais o aporte canadense permitirá que o Fundo Monetário Internacional (Fmi) realize o empréstimo de mais US$ 8,4 bilhões para a Ucrânia, garantindo fôlego financeiro ao país durante as negociações de paz.
Negociações de paz e a reunião na Flórida
Durante o trajeto para o encontro com Donald Trump, Zelensky reforçou que buscaria garantias de segurança juridicamente vinculativas em qualquer acordo de paz. O líder ucraniano defende um modelo que espelhe o artigo 5 da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que exige a defesa mútua em caso de ataque, embora esteja disposto a não buscar mais a adesão plena à aliança militar.
O atual plano de paz foi reduzido para 20 pontos fundamentais após semanas de negociações entre as equipes de Washington e de Kiev. O presidente ucraniano afirmou que o documento pode servir como base para o fim da guerra, mas ressaltou que o destino da Ucrânia deve ser decidido pelo seu povo por meio de referendo conforme exige a constituição do país.
Donald Trump disse em entrevista que espera que o encontro corra bem, mas alertou que o presidente ucraniano “não tem nada a declarar até que eu aprove”. Por outro lado, a agência de notícias russa TASS citou Vladimir Putin afirmando que, se o governo ucraniano não resolver a questão de forma pacífica, a Rússia alcançará todos os seus objetivos militares.










