
O brilho das luzes de LED e a ostentação dos três andares de um dos camarotes mais luxuosos de Salvador deram lugar ao silêncio das investigações criminais. No sábado (15/2), a festa acabou cedo para os responsáveis pelo Camarote 305, localizado no badalado circuito da Barra. O espaço que prometia exclusividade e vista privilegiada foi fechado pela polícia após a descoberta de um esquema milionário de lavagem de dinheiro que envolve influenciadores e o tráfico de drogas.
O caso revela um submundo onde a fama digital serve de fachada para esconder fortunas construídas de forma ilícita. A investigação que corre desde 2024 mostra que a vida de luxo exibida em perfis do Instagram não passava de uma vitrine financiada pelo crime organizado.
O golpe das rifas
O esquema central investigado pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco) envolvia a venda de rifas digitais com valores extremamente baixos. Bilhetes que custavam apenas R$ 0,06 prometiam prêmios gigantescos como carros de R$ 200 mil e cavalos de raça. De acordo com as autoridades essa prática servia para pulverizar as vendas e dificultar o rastreio do dinheiro que alimentava facções criminosas.
“A rifa em si, só pode ser feita com fins filantrópicos. Ela não pode gerar lucro para quem propaga essas rifas” afirmou Fábio Lordelo que é diretor do Draco.
Ostentação sob investigação
A queda de Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305, começou a ser desenhada quando ele e um sócio compraram um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões. A movimentação financeira totalmente incompatível com a atividade de um influenciador acendeu o alerta vermelho nos órgãos de controle. O luxo não parava na aeronave e se estendia a uma coleção de carros importados e mimos tecnológicos que eram usados para atrair novos seguidores e compradores para as rifas ilegais.
Operação contra o crime
Batizada como “Operação Falsas Promessas” a ação policial cumpriu mandados em diversas cidades como Feira de Santana, Salvador, Camaçari e até em São Paulo e São Bernardo do Campo. O objetivo foi desmantelar a estrutura que lavava o dinheiro do tráfico através de sorteios sem autorização legal. No total o grupo teve aproximadamente R$ 125 milhões bloqueados pela justiça para garantir o ressarcimento e a interrupção das atividades criminosas.
O prejuízo dos criminosos
A lista de apreensões realizada na casa do influenciador e nos endereços ligados ao grupo impressiona pela variedade e pelo valor dos itens confiscados pela polícia conforme detalhado abaixo
- Quase R$ 130 mil em dinheiro vivo
- 10 veículos de luxo incluindo Lamborghini e caminhonetes SW4 blindadas
- Bicicletas elétricas e uma scooter subaquática
- Uma pistola de calibre 9 mm e mais de mil munições
- Cinco carregadores de fuzil
- Artigos de luxo como 15 caixas de uísque envelhecido 21 anos
- Quatro caixas de aparelhos iPhone 17 e cinco unidades de PlayStations lacrados na caixa
- Avião avaliado em mais de R$ 10 milhões
A polícia civil decidiu transformar o camarote fechado em um ponto estratégico de observação para os agentes de segurança durante o restante do Carnaval. Enquanto isso as investigações continuam para identificar outros influenciadores que podem estar usando o mesmo método para lavar dinheiro sujo. O recado das autoridades é claro a ostentação nas redes sociais agora é um dos principais rastros seguidos pela inteligência policial.










