
Um vídeo divulgado nas redes sociais pelo perfil “BR-319 nósqueremos Brasil” expõe a indignação de motoristas com o andamento das obras na rodovia. As imagens registradas revelam um choque de realidade entre os grandes anúncios oficiais de asfaltamento e a situação enfrentada diariamente por quem trafega pela rodovia.
O registro visual fomenta o debate sobre a efetividade dos bilhões investidos na infraestrutura da região amazônica agora no ano de 2026.
Durante a gravação o condutor documenta a total ausência de pavimentação definitiva em grande parte do percurso. O material mostra extensos quilômetros de estrada que receberam apenas a etapa de imprimação sobre a terraplanagem. O autor do vídeo narra a sua frustração ao constatar a falta de avanço dos serviços no local.
O motorista afirma: “Provavelmente o asfalto está parado”.
Ele reforça a ausência de maquinário na pista principal e destaca que o asfalto real se limita a um curto espaço de oito a nove quilômetros.
O relato visual confronta diretamente os dados divulgados pelo governo federal.
Apenas em agosto de 2026 o poder público anunciou a destinação de bilhões para pavimentar o trecho do meio da rodovia. Órgãos responsáveis habilitaram construtoras para repavimentar trechos da pista. No entanto a percepção clara da sociedade civil é que as frentes de trabalho do “Projeto BR-319” não avançam no ritmo divulgado nas campanhas.
Para o engenheiro civil e professor Marcos Maurício, a farsa sobre o início da suposta repavimentação do trecho do meio, alardeada por alguns políticos locais está vindo à tona:
“As evidencias sugerem que colocaram quase 8 (oito) quilômetros de CBUQ, a partir do entroncamento com a BR-230/BR-319, sentido Humaitá-Realidade, sem a construção de todas as camadas estruturais do pavimento, conforme exigem os dois projetos de engenhariaatuais, para esse Trecho do Meio (reforço de sub-leito, sub-base e base)”
“Isso evidencia, ainda, graves falhas na execução do projeto e requer, via de consequência, um esclarecimento urgente por parte do DNIT, contratante das obras e serviços de engenharia”, finalizou Maurício.
André Marsílio, presidente da Associação dos Amigos e Defensores da BR-319, afirmou que em setembro percorrerá toda a extensão da rodovia:
“Agora em setembro eu vou pessoalmente na BR-319 mostrar essa farsa”
A redação não conseguiu contato com o DNIT, até o presente momento. O espaço encontra-se aberto para o posicionamento da autarquia.
Serviço refeito
Outro ponto crítico levantado pelo vídeo ocorre na saída da cidade de Humaitá. As imagens exibem operários e máquinas pesadas concentrados exclusivamente na rotatória do município.
O narrador aponta que a equipe atua apenas naquela área enquanto o restante do trajeto segue sem qualquer intervenção de asfalto novo.
O motorista relata: “Arrancaram tudo e estão refazendo”.
A situação gera fortes questionamentos sobre o planejamento estratégico das empreiteiras e o possível desperdício de dinheiro público.
Isso evidencia graves falhas na execução do projeto e requer, via de consequência, um esclarecimento urgente por parte do DNIT, contratante das obras e serviços de engenharia.
Os impactos
A estagnação prolongada dessas obras perpetua desafios históricos estruturais para todo o estado do Amazonas. O cenário de paralisação registrado no vídeo confirma que o abandono afeta a economia e prejudica diretamente a mobilidade da população.
Alguns dos principais prejuízos identificados incluem os seguintes fatores:
- O isolamento terrestre constante da capital Manaus em relação ao restante do país.
- A dependência pesada do uso de barcaças pelo rio Madeira e de aviões para o escoamento de cargas.
- A lentidão burocrática no avanço dos processos de licenciamento ambiental e das licitações rodoviárias.










