
O fim de semana começou de forma trágica para a aviação do Amazonas. O que deveria ser um voo de rotina para formação de piloto no Aeroclube do Amazonas transformou-se em um desastre que tirou a vida do instrutor Fernando Lúcio Moreira dos Santos Filho e, horas depois, do aluno Ulisses de Oliveira. A queda do monomotor Cessna 152, a cerca de 30 metros de altura, não apenas interrompeu duas trajetórias, mas também acendeu um alerta necessário sobre os riscos inerentes a falhas em baixas altitudes, mesmo em procedimentos padrão.
Este episódio de luto exige uma análise equilibrada, que valorize a experiência dos envolvidos sem deixar de questionar a eficácia dos protocolos de segurança em momentos críticos. A aviação instrucional é a base do setor, e sua confiabilidade é fundamental para a formação de novos profissionais que cruzarão os céus da região.
Manobra fatal a 30 metros
O acidente ocorreu durante um treinamento de “toque e arremetida”, uma manobra onde o avião pousa e, imediatamente, decola sem parar na pista. É um procedimento essencial e repetido à exaustão na formação de pilotos. No entanto, o fato de a aeronave não ter conseguido sustentar o voo logo após a decolagem, caindo em uma área de vegetação lateral à pista, levanta questões técnicas profundas.
- A altura de 30 metros é extremamente baixa.
- A destruição da parte frontal e do motor da aeronave (PR-TSM) demonstra a violência do impacto.
- O tempo de resposta dos Bombeiros foi de apenas cinco minutos, mas o emborcamento dificultou o resgate.
Perda de experiência e de sonhos

Fernando Lúcio não era apenas um instrutor, mas uma referência na região. Com mais de 1.500 horas de voo e seis anos de atuação como diretor e coordenador de instrução do aeroclube, ele representava a excelência técnica. Sua morte prova que a experiência, embora crucial, não é garantia de infalibilidade diante de circunstâncias adversas inesperadas.
Por outro lado, Ulisses de Oliveira estava concluindo sua formação. O voo deste sábado serviria para a obtenção de créditos complementares, uma das últimas etapas antes da licença final. Sua trajetória como empresário e estudante dedicado, interrompida por traumatismos craniano e torácico, humaniza a tragédia e destaca a busca por um sonho que terminou em fatalidade.
Resposta rápida e busca por respostas
A mobilização de 14 militares e quatro viaturas demonstra a seriedade com que as autoridades trataram a ocorrência. Agora, a responsabilidade de esclarecer as causas recai sobre o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira. A investigação deve ser meticulosa e independente, evitando conclusões precipitadas.
O Aeroclube do Amazonas já se manifestou afirmando que toda a documentação da aeronave, do piloto e do aluno estava em dia. A instituição também confirmou que está prestando apoio psicológico aos familiares. Essa transparência é importante, mas o setor precisa de respostas concretas para evitar que novos treinamentos em Manaus terminem em tragédia. A segurança na formação de pilotos não pode ser comprometida por burocracias ou negligências.










