
O trauma deixou de ser visto apenas como uma dor individual para se tornar um dano emocional que molda sociedades e territórios inteiros. Essa ferida coletiva será o foco central do 4º Congresso amazônico de psicanálise. O evento ocorre em Manaus nos dias 24 e 25 de abril de 2026 ocupando os espaços históricos do Palacete Provincial na Praça Heliodoro Balbi.
Especialistas, artistas e ativistas debatem como a memória e a violência se entrelaçam na vida contemporânea. O objetivo é criar um espaço de diálogo franco sobre questões configuradas pela violência estrutural, desigualdades de gênero e raça, além de crises globais como migrações e mudanças climáticas.
Protagonismo amazônico na cura
A região deixa de ser um cenário de fundo para se tornar o centro do debate psicanalítico. Para a coordenação do evento, o sujeito que vive na região norte carrega marcas que exigem formas específicas de escuta.
“Falar de memória, violência e reparação é uma tentativa de não silenciar aquilo que insiste em retornar, além de criar, pela palavra, possibilidades de elaboração”, afirma Andreia Batista Lima.
A coordenadora explica que a escolha do tema partiu de uma urgência ética. O congresso busca sustentar encontros que possam transformar a maneira como cada indivíduo escuta o outro e a si mesmo. Existe uma aposta de que, mesmo diante de traumas profundos, ainda é possível construir caminhos de reconstrução.
Participação de Geni Núñez
Um dos grandes destaques da programação é a escritora e ativista Guarani Geni Núñez. Doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela traz uma perspectiva ancestral para ampliar o campo da psicanálise. Geni integra a Articulação brasileira de indígenas psicólogos/as (ABIPSI) e atua no Conselho federal de psicologia (CFP).
“A presença de Geni Núñez reforça o compromisso do congresso em trazer vozes indígenas para ampliar o campo de escuta da psicanálise para além de seus referenciais tradicionais”, destaca Andreia. A ativista abre o evento com a conferência “Reflorestamento do imaginário”, propondo uma nova visão sobre a saúde mental e a coletividade.
Impacto nas políticas públicas
O debate também conecta crises globais à realidade local. Problemas como deslocamentos forçados e rupturas de pertencimento desorganizam os laços sociais na região. A psicanálise surge como uma ferramenta para humanizar políticas de reparação com foco na individualização.
Quanto mais o método é personalizado, maiores são as chances de um processamento saudável das emoções.
“A psicanálise pode introduzir a dimensão subjetiva nas políticas públicas, evitando soluções que apaguem o sujeito. Reparar não é apenas intervir, mas reconhecer, simbolizar e dar lugar à memória”, pontua a coordenadora Andreia Batista Lima.
Programação do evento
Sexta-feira, 24 de abril de 2026
- 08h00 Início do credenciamento
- 09h00 Abertura oficial do congresso
- 09h15 Conferência com Geni Núñez sobre o reflorestamento do imaginário
- 10h35 Intervalo para descanso
- 11h00 Mesa sobre o passado no presente e a intensidade do trauma
- 12h20 Pausa para o almoço
- 14h15 Debate sobre formação e a criação na psicanálise
- 15h35 Momento cultural com a cantora Ianayra
- 16h00 Discussão sobre resiliência e resistência na clínica
- 17h20 Exposição de fotografias por Nathalie Brasil
- 17h30 Conversa entre Geni Núñez e Myriam Scott
- 19h00 Término das atividades do primeiro dia
Sábado, 25 de abril de 2026
- 09h00 Mesa sobre transformações e reparação
- 10h20 Intervalo
- 10h40 Debate sobre os destinos da memória entre esquecer e lembrar
- 12h00 Pausa para o almoço
- 14h00 Discussão sobre trauma e os processos de historização
- 15h20 Intervalo
- 15h40 Mesa focada em violências de gênero, raça e território
- 17h20 Conferência de encerramento sobre criatividade e sublimação com Adriana Mendonça e Denise Souza
- 18h50 Considerações finais com as coordenadoras
- 19h00 Apresentação cultural com o Grupo Marogaga
Link para inscrições: https://www.even3.com.br/4-congresso-amazonico-de-psicanalise-667853/
ASCOM: Shirley Assis










