Economia “Projeto Potássio Autazes” avança com novo acordo que promete empregos e energia...

“Projeto Potássio Autazes” avança com novo acordo que promete empregos e energia para obras

Foto: Divulgação

A busca por soluções logísticas e energéticas eficientes na região amazônica avançou para o Projeto Potássio Autazes. A Brazil Potash anunciou a assinatura de um Memorando de Entendimentos (MOU) não vinculante com a ‘Gera Center’ para a implantação de um contrato de fornecimento de energia. O acordo adota o modelo Build, Own, Operate and Transfer (BOOT) com duração total de 28 anos.

A parceria prevê a instalação de uma planta modular de geração de energia a diesel. A estrutura vai funcionar como fonte principal durante a fase de construção do empreendimento mineral e migrará para um sistema emergencial de backup nos primeiros 23 anos de operação da mina.

A estratégia financeira por trás do modelo BOOT permite transferir aproximadamente US$ 33 milhões em investimentos iniciais de geração do orçamento de obras para os custos operacionais diluídos ao longo das quase três décadas.

A mudança deve gerar uma economia líquida estimada em cerca de US$ 10 milhões em comparação aos valores previstos no Estudo de Pré-Viabilidade (PFS) da mineradora.

Estratégia de financiamento

Garantir energia confiável em áreas remotas onde a rede elétrica convencional ainda não está disponível é um dos principais desafios para a mineração no estado. O arranjo contratual ajuda a destravar as obras sem sobrecarregar o caixa inicial da empresa.

“Este acordo BOOT com a Gera Center fornece energia confiável para a construção em uma localidade onde a rede elétrica ainda não está disponível, ao mesmo tempo em que reduz os custos iniciais de implantação do projeto”, afirma o executivo Matt Simpson.

A planta que abastecerá o canteiro de obras é o primeiro de até cinco contratos sob a mesma modelagem que a companhia pretende estruturar para viabilizar a construção do complexo produtivo.

Detalhes do fornecimento

Os termos técnicos do memorando estabelecem que a Gera Center assumirá a responsabilidade integral pelo fornecimento, instalação, operação e manutenção de 63 grupos geradores modulares containerizados de alta densidade.

O cronograma de engenharia e operação foi desenhado com base nas seguintes metas:

  • Capacidade máxima instalada de 20 megawatts (MW) alimentada a diesel.
  • Implantação escalonada iniciando com 10 MW e atingindo a carga total no primeiro ano.
  • Prazo de ativação do primeiro fornecimento em até 120 dias após a assinatura do contrato definitivo.
  • Atendimento total das obras civis e da escavação dos shafts da mina na fase de instalação.

Após a mina entrar em atividade regular, o sistema passa a atuar como segurança energética em caso de queda na linha principal de transmissão de 500 kV que conectará o complexo ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O contrato exige disponibilidade operacional mínima de 98% e tempo de resposta de no máximo duas horas para incidentes críticos. Toda a infraestrutura será transferida para a Brazil Potash ao fim do período contratual.

Processo de seleção

A escolha do fornecedor envolveu uma concorrência restrita a companhias com histórico de logística e atuação na floresta. A seleção foi conduzida pelo diretor de projetos da Brazil Potash, Raphael Bloise, e contou com um funil de avaliação técnica e comercial.

O processo seletivo seguiu as seguintes etapas de validação:

  • Convite formal enviado para 12 empresas especializadas no setor elétrico.
  • Recebimento e análise de 8 propostas comerciais completas.
  • Seleção de 4 corporações finalistas para refinamento técnico presencial e virtual.

A Gera Center, que possui sede em Manaus e opera desde 1991 no desenvolvimento de sistemas turnkey para indústrias e infraestrutura, obteve a melhor pontuação. A estimativa é que o contrato gere cerca de 200 empregos diretos e indiretos ao longo de suas fases.

Próximos passos

Os setores jurídicos das duas empresas trabalham na redação dos contratos definitivos. A mineradora ressalta o caráter não vinculante do documento atual, o que significa que os termos podem sofrer alterações até a assinatura final.

O início das operações dos geradores deve coincidir com a janela de mobilização das frentes de escavação em Autazes.

Potencial do potássio

O empreendimento visa reduzir a dependência histórica do agronegócio nacional em relação aos fertilizantes importados, mercado que respondeu por mais de 95% do consumo do país. A subsidiária Potássio do Brasil planeja alcançar uma capacidade inicial de até 2,4 milhões de toneladas anuais do insumo.

A distribuição da produção será feita majoritariamente por transporte hidroviário em barcaças fluviais, por meio de uma parceria logística com a Amaggi.

Com foco voltado integralmente ao mercado interno, o projeto estima suprir 20% da demanda brasileira, além de mitigar cerca de 1,4 milhão de toneladas anuais de emissões de gases de efeito estufa ao encurtar as distâncias de transporte internacional.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.