
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de mandar apreender os passaportes do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), provocou reações intensas nos bastidores da política nacional. O presidente do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato não eleito à Presidência, Rui Costa Pimenta, afirmou nesta terça-feira, 27/10, que a medida do magistrado representa uma evidente perseguição política.
Em publicações feitas na conta oficial do PCO no X e também em seu perfil pessoal, Rui Costa Pimenta criticou duramente as ações da Corte. “Até um cego vê que trata-se de uma perseguição política”, declarou o dirigente partidário sobre a decisão do ministro.
O líder da legenda usou um tom irônico ao comentar a relação de figuras públicas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que se a Polícia Federal (PF) fosse recolher os documentos de todos os envolvidos, a situação seria inédita.
“Mundo da fantasia. Se pedissem o passaporte de todo mundo que se envolveu com Vorcaro, inclusive do PT, que sai com prostitutas e faz superfaturamento, precisaria alugar um prédio em Brasília para guardar os passaportes. Flávio Bolsonaro não foi condenado de nada disso. É uma questão política e nada mais. Cadê o passaporte do Alexandre de Moraes?”, indagou Rui Costa Pimenta.
- CONFIRA O VÍDEO: Por que Flávio Bolsonaro está sendo perseguido?
Defesa de interesses populares
As declarações do presidente do PCO repercutiram rapidamente e receberam críticas de internautas, que o acusaram de estar defendendo o parlamentar do PL. O político rebateu as mensagens afirmando que está “defendendo interesses democráticos do povo”.
A sigla também relembrou sua posição no processo eleitoral, afirmando que o “STF exerce uma ditadura” e reforçando que defendeu o voto nulo no segundo turno porque, em seu entendimento, “votar no Lula era também votar no STF”.
Fuga e bastidores policiais
Enquanto o debate esquentava, Flávio Bolsonaro descumpriu a ordem judicial e não entregou seus documentos no prazo estipulado. O parlamentar deixou o Brasil na segunda-feira, 26/10. A notícia, divulgada pelo site argentino Infobae, revelou que ele viajou para a Argentina e seguiu para os Estados Unidos, fato confirmado ao jornal digital Poder360 por aliados do presidente, embora o senador permaneça incomunicável.
A intimação da PF para a entrega dos passaportes em até 24 horas ocorreu na segunda-feira, 26 de outubro de 2026. A ordem atendeu a um pedido feito pelos investigadores na noite de domingo, 25 de outubro de 2026, logo após a confirmação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleito. A medida está relacionada a uma investigação que envolve o advogado Willer Tomaz.
Inquéritos na Suprema Corte
Apesar de não ter sido condenado pela Justiça, Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF.
- O primeiro inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, apura possível esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, com envolvimento do advogado Willer Tomaz.
- O segundo inquérito investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, produção que conta a cinebiografia de Jair Bolsonaro.










