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O samba perde o gênio “Noca da Portela” que marcou gerações e mudou a história do Carnaval

Noca da Portela, cantor e compositor que morre aos 93 anos – Foto: Divulgação

A música popular brasileira e o Carnaval do Rio de Janeiro perderam um de seus nomes mais expressivos neste domingo (17/5) com a morte do compositor “Noca da Portela”, aos 93 anos.

O sambista estava internado em um hospital de São Cristóvão, na Zona Norte da capital fluminense, desde o final de abril, e havia sido transferido para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) no último dia 11 de maio para tratar uma pneumonia.

Conhecido por sua vasta contribuição à escola de Madureira, o falecimento do baluarte acende um alerta importante sobre a necessidade de valorizar e preservar a memória dos grandes criadores do samba tradicional.

Origem mineira

Batizado como Osvaldo Alves Pereira, o artista nasceu em Minas Gerais, mas se mudou ainda na infância para o Rio de Janeiro, onde estabeleceu uma relação precoce e definitiva com o universo musical.

Para qualificar o seu talento natural, ele estudou violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil, construindo uma caminhada sólida e respeitada no cenário carioca.

A sua chegada ao Grêmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S.) Portela ocorreu na década de 1960, conduzido pelas mãos de Paulinho da Viola.

Na azul e branco, o compositor integrou o Trio ABC da Portela, dividindo os microfones e as criações com Picolino e Colombo.

Legado eterno

A genialidade de Noca da Portela ficou marcada em composições que se transformaram em verdadeiros hinos da música nacional. Ele assinou obras históricas como “Portela querida”, que ganhou projeção nacional na voz marcante de Elza Soares.

Fora dos limites do Carnaval, o músico alcançou o topo das paradas com o clássico “Virada”, composição que acabou eternizada na interpretação de Beth Carvalho e virou um símbolo de força social.

Nos desfiles oficiais, o compositor se consagrou como um dos maiores vencedores da agremiação de Madureira, faturando sete disputas de samba-enredo.

A lista de vitórias na Majestade do Samba inclui obras marcantes.

  • O emblemático samba “O homem de Pacoval” apresentado na avenida no ano de 1976
  • A consagração com a obra “Recordar é viver” que embalou os componentes em 1985
  • O ritmo contagiante de “Gosto que me enrosco” que garantiu o campeonato de 1995
  • A poesia de “Os olhos da noite” que marcou o desfile oficial de 1998
  • O marcante sucesso “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” que sacudiu a Sapucaí em 2015

Vida pública

A liderança do sambista ultrapassou as quadras e os palcos, alcançando também o campo da política.

No ano de 2006, ele aceitou o desafio de assumir a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro durante o governo de Rosinha Garotinho, buscando descentralizar os investimentos no setor.

Dois anos mais tarde, em 2008, o artista buscou ampliar a sua atuação representativa ao disputar uma vaga na Câmara Municipal do Rio pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Mesmo ao atingir a casa dos 80 anos, a sua mente criativa não parou, resultando no lançamento do álbum “Homenagens” em 2017. Recentemente, ele recebeu um justo tributo em vida na coletânea “Coleção flores em vida”, projeto que reuniu grandes nomes da música brasileira.

Luto oficial

Como membro da Velha Guarda Show da Portela, o instrumentista construiu um acervo composto por centenas de canções.

A diretoria da escola de samba manifestou a sua dor institucional por meio de um pronunciamento oficial emitido logo após a confirmação do falecimento.

Nota de pesar G.R.E.S.

Portela lamenta, com profundo pesar, o falecimento do cantor, compositor e instrumentista Noca da Portela, um dos grandes nomes da nossa história.

Osvaldo Alves Pereira, o Noca, chegou à Portela levado por Paulinho da Viola, na década de 1960.

Integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo, e deixou sua marca em obras como Portela Querida, defendida por Elza Soares, e no samba-enredo O Homem de Pacoval, de 1976.

Noca venceu sete vezes a disposição de samba-enredo na Majestade do Samba, marca que o coloca como um dos maiores vencedores da história da agremiação. Entre seus sambas vitoriosos estão Recordar é viver, de 1985, Gosto que me enrosco, de 1995, Os olhos da noite, de 1998, e ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal, de 2015.

Integrante da Velha Guarda Show da Portela, Noca construiu uma obra com centenas de sambas e se tornou uma das personalidades mais respeitadas do Carnaval carioca.

Neste momento de dor, a Portela se solidariza com familiares, amigos, partners de composição, admiradores e toda a comunidade do samba.

Noca da Portela deixa um legado de amor à música popular brasileira, ao samba e à nossa Majestade.

Diretoria do G.R.E.S.

A perda do baluarte deixa o Rio de Janeiro mais silencioso, restando aos amantes da cultura a missão de ecoar as suas melodias imortais.

Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/quem-era-noca-da-portela-cantor-e-compositor-que-morreu-aos-93-anos

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