
A movimentada e muitas vezes caótica região da Manaus Moderna recebeu uma comitiva política neste domingo (17/5) para apresentar o que pode ser a maior transformação estrutural das últimas décadas no Centro da capital.
Os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, acompanhados do deputado federal Saullo Vianna e de técnicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), estiveram no local para detalhar o projeto do novo “Porto de Manaus”.
Com um investimento federal estimado em quase R$ 1 bilhão, a proposta mexe com a expectativa de trabalhadores e empresários que dependem do rio, mas também acende um alerta sobre a necessidade de fiscalização rígida para que a promessa saia do papel sem sufocar a economia local durante as obras.
Impacto logístico
A área visitada concentra o verdadeiro motor do abastecimento do Amazonas, funcionando como porta de entrada para barcos do interior carregados de alimentos e mercadorias.
O senador Omar Aziz destacou o tamanho desse fluxo e o impacto esperado na qualidade de vida da população.

“Isso vai ser um porto bonito. Você vai ter acessibilidade e condições melhores para todos. É mais de um milhão de passageiros o mês que entram e saem dessas embarcações, levando mercadoria pro interior, trazendo produtos do interior. Isso vai melhorar, sim, a qualidade de vida das pessoas”, afirmou Omar Aziz.
A articulação da bancada amazonense tenta acelerar a liberação dos recursos em Brasília, tratando o terminal como uma prioridade de mobilidade e turismo para criar uma nova centralidade portuária no centro histórico.
Vozes locais
Durante a caminhada pela Feira da Banana, espaço construído na época em que Eduardo Braga era prefeito de Manaus, os parlamentares ouviram as demandas de quem vive a realidade do porto todos os dias.
O feirante Deusdete Silva, que trabalha no local há 53 anos, manifestou o seu apoio ao projeto.
“Manaus talvez seja a cidade com maior acesso fluvial do Brasil. Esse porto é uma necessidade e vai melhorar a condição dos feirantes e também do povo que depende dos barcos e lanchas”, afirmou Deusdete, relembrando com gratidão as melhorias antigas na feira.
Para quem transporta cargas, a expectativa vem acompanhada do desejo de melhorias imediatas na segurança. O carregador Adevaldo Pereira de Lima apontou os problemas enfrentados atualmente na rotina.
“Hoje esse porto é necessário. A gente precisa de uma estrutura melhor para trabalhar e espera que tudo seja feito olhando também para a logística e para quem depende diariamente dessa atividade”, disse Adevaldo. No setor empresarial, o sentimento é de otimismo.
A empresária portuária Carol, proprietária de três balsas na área, endossou a confiança na execução do projeto.
“A nossa expectativa é das melhores possíveis, porque a gente conhece o potencial do senador e sabe das obras grandiosas que ele já fez no Amazonas. Isso vai ser muito melhor para a cidade, para a visibilidade do estado e para todo mundo que trabalha aqui”, afirmou Carol.
Detalhes técnicos
Os dados apresentados pela equipe do governo federal apontam para uma reformulação completa da estrutura atual.
Os estudos do DNIT indicam que a nova estrutura terá capacidade para movimentar cerca de 3,5 milhões de passageiros por ano.
O planejamento inclui intervenções importantes.
- Estrutura flutuante com novos cais e pontes metálicas móveis preparados para enfrentar a subida e descida dos rios.
- Atendimento aos passageiros por meio de um terminal moderno e confortável para embarque e desembarque.
- Organização de mercadorias em áreas exclusivas projetadas para a movimentação de cargas e encomendas.
- Infraestrutura urbana reforçada com estacionamento amplo e espaços estruturados para a fiscalização.
- Melhorias viárias com a ampliação da avenida Lourenço da Silva Braga para receber uma terceira faixa de rolamento.
Desafios reais
Embora o anúncio traga entusiasmo, um investimento de quase R$ 1 bilhão exige acompanhamento severo da sociedade para evitar atrasos que estrangulem o comércio central.
O grande desafio será executar uma obra desse porte sem interromper o sustento de milhares de trabalhadores autônomos que operam na informalidade ou em pequenos boxes.
Ciente desse temor, o senador Eduardo Braga buscou acalmar os trabalhadores sobre a convivência com os canteiros de obras.

“A Manaus Moderna movimenta diariamente milhares de pessoas e é fundamental para o abastecimento do Amazonas. Nosso compromisso é garantir uma estrutura mais moderna, segura e organizada para quem trabalha e depende dessa atividade todos os dias”, afirmou Braga.
O parlamentar complementou assegurando a permanência de todos.
“Ninguém vai ficar excluído dessa transformação, nem durante a obra e nem depois que o novo porto estiver pronto. Vamos garantir uma Manaus Moderna mais organizada, mais segura e com mais dignidade para todos”, concluiu.
A promessa política foi feita, e agora cabe acompanhar se a execução prática fará jus ao tamanho do investimento anunciado.










