
A jornada do Santos na Copa Sul-Americana, ganhou um capítulo que mistura o alívio pelo retorno técnico de seu maior ídolo com a frustração de um resultado que beira o trágico. O empate em 1 a 1 diante do Deportivo Recoleta, no estádio Monumental Río Parapití, escancara uma realidade incômoda para o torcedor santista.
Mesmo com Neymar em campo assumindo a responsabilidade, o coletivo parece desmoronar quando a exigência física e mental atinge o ápice.
O Peixe agora se vê em uma situação dramática, amargando a lanterna do Grupo D com apenas três pontos e uma incapacidade crônica de garantir vitórias em solo internacional.
Talento e falhas
O jogo começou com um Santos que parecia ter o controle absoluto da narrativa. A presença de Neymar, poupado no clássico recente, trouxe uma fluidez ofensiva que há tempos não se via.
Aos 40 minutos do primeiro tempo, o camisa 10 mostrou por que ainda é o fiel da balança ao abrir o placar com um toque sutil, de quem domina o tempo e o espaço.
Entretanto, o futebol pune o desperdício. Gabriel Barbosa (Gabigol), em uma noite para esquecer, teve a chance de liquidar a fatura logo aos 20 minutos, mas errou o alvo mesmo sem goleiro.
Essa falta de pontaria se tornou o tema central de uma partida que poderia ter sido uma goleada tranquila, mas que se transformou em pesadelo.
Paz e dependência
Um dos pontos mais comentados nos bastidores do Centro de Treinamento Rei Pelé foi o desentendimento entre Neymar e Robinho Jr. durante o treino do último domingo (03/05). A resposta veio da melhor forma possível, dentro das quatro linhas.
Ao marcar o gol, Neymar correu para abraçar o jovem Menino da Vila, um gesto simbólico que buscou pacificar o ambiente e focar na sobrevivência do clube na competição.
Neymar deu aula de movimentação e criação, sendo o jogador mais visado e sofrendo faltas duras que resultaram em três cartões amarelos para o time paraguaio.
No entanto, a “Neymardependência” ficou nítida quando a equipe precisou de suporte coletivo para segurar a vantagem.
Cansaço fatal
A análise crítica do desempenho santista não pode poupar a preparação física e a tomada de decisão de peças fundamentais.
Alguns pontos cruciais explicam a queda de rendimento no segundo tempo:
- Falta de pontaria: Gabriel Barbosa desperdiçou duas oportunidades claras que mudariam o rumo da partida.
- Declínio físico: a equipe apresentou um desgaste acentuado após os 30 minutos da etapa final, perdendo a intensidade na marcação.
- Desatenção defensiva: o cruzamento de Cardozo encontrou Galeano livre para empatar aos 40 minutos, evidenciando uma falha de posicionamento coletivo.
Lanterna amarga
O resultado deixa o Santos em uma corda bamba perigosa. Sem vitórias na competição e ocupando a última posição da chave, o Alvinegro Praiano precisa de muito mais do que lampejos individuais para avançar.
O técnico terá o desafio hercúleo de equilibrar a equipe para que o talento de Neymar não seja desperdiçado por erros infantis de finalização ou apagões defensivos. A sensação que fica é a de uma oportunidade que escapou pelos dedos no Paraguai, transformando o que deveria ser uma retomada em um drama que parece não ter fim.










