
A fúria da natureza expõe a dura realidade de que, por mais avançada que seja a engenharia estrutural humana, o planeta sempre encontra maneiras de impor a sua força absoluta. O número de mortos pelo terremoto que atingiu o sul do Japão na terça-feira (28/7) subiu para 18, segundo os dados confirmados do governo central e da província de Kumamoto. As equipes de resgate trabalham contra o relógio nesta quarta-feira (29/7) em um esforço desesperado para encontrar sobreviventes soterrados sob os pesados escombros de edifícios.
O cenário exige resiliência de um povo acostumado a reconstruir o próprio país, mas que agora enfrenta mais um amargo teste de sobrevivência diante de uma tragédia que poderia ter proporções ainda piores se não fosse o rigor técnico das construções locais.
Força do tremor
Os institutos de monitoramento agiram rapidamente para medir o impacto exato do abalo sísmico. O Serviço Geológico dos EUA inicialmente estimou a magnitude do terremoto em 7,1 graus na escala, mas posteriormente revisou o índice oficial para 6,8 graus. Essa força foi suficiente para abalar as estruturas da região e deixar um rastro imediato de destruição nas cidades mais próximas ao epicentro.
Tragédia na fábrica
Os detalhes das perdas humanas começam a ser esclarecidos pelas autoridades e divulgados por veículos como a agência EFE. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, havia confirmado um balanço inicial doloroso.
“Aos 13 mortos divulgados anteriormente pela primeira-ministra, somam-se agora outros cinco pelo desabamento de uma chaminé na fábrica da Nippon Paper Industries na cidade de Yatsushiro”, afirmou um porta-voz da província de Kumamoto.
O representante do governo local ressaltou a urgência das buscas na área industrial, pois além das vítimas fatais confirmadas, quatro pessoas também podem continuar presas sob os destroços da estrutura que cedeu.
Caos no comércio
O desastre não poupou os grandes centros de circulação pública, transformando espaços de lazer em cenários de desespero. Entre os mortos pelo terremoto estão três cidadãos que se encontravam em um shopping center operado pela rede Aeon, situado na cidade de Kashima, que sofreu um grave desabamento parcial de sua estrutura.
A preocupação com os clientes e funcionários mobiliza a administração do complexo comercial.
“Outras três pessoas continuam desaparecidas e os trabalhos de resgate prosseguem”, detalhou o presidente da rede, Akio Yoshida.
Danos e histórico
O impacto na infraestrutura básica da província afeta diretamente a rotina e a sobrevivência de milhares de famílias. Segundo os dados oficiais do governo de Kumamoto, 8.886 pessoas foram prontamente evacuadas para abrigos seguros. O caos estrutural também deixou mais de 34,8 mil residências enfrentando cortes totais de energia elétrica após o sismo de ontem.
A dor atual reacende antigas feridas na memória da população. A província de Kumamoto já havia sido violentamente atingida por um forte terremoto no ano de 2016, quando 277 pessoas morreram e cerca de 2,8 mil ficaram feridas.
O Japão está situado exatamente sobre o temido Círculo de Fogo do Pacífico, uma das zonas sísmicas mais ativas de todo o mundo. O país sofre terremotos com relativa frequência, razão pela qual as suas robustas infraestruturas são especialmente projetadas e fiscalizadas para resistir aos violentos tremores da terra.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/sobe-numero-mortos-terremoto-sul-japao/










