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Nova aliança sul-americana mira narcotráfico e expõe temor com poder das facções internacionais

Presidente do Chile, José Antonio Kast - Foto: Reprodução/site Partido Republicano – Chile

O avanço das facções criminosas na América do Sul forçou uma reação conjunta de cinco países da região para tentar conter uma crise que ameaça a estabilidade democrática.

Ministros das Relações Exteriores e chefes de segurança de Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru, assinaram um amplo acordo regional em Santiago, no Chile, na quinta-feira, 28/5.

O objetivo central do pacto é sufocar a atuação de redes transnacionais ligadas ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao controle das rotas de migração irregular.

Compromisso de Santiago

O fechamento da cúpula resultou na criação do “Compromisso Regional de Santiago contra o Crime Organizado Transnacional”. O tratado estabelece uma força-tarefa por meio de um grupo técnico-operacional focado em desenhar estratégias integradas que possuam metas bem definidas.

A cooperação mútua pretende atacar diretamente as ferramentas modernas utilizadas pelas quadrilhas internacionais para expandir os negócios ilícitos.

Conforme dados compartilhados pelas chancelarias envolvidas, o crime estruturado hoje domina o uso de plataformas virtuais de comunicação, manipula os sistemas financeiros formais para lavar dinheiro e controla redes logísticas complexas de transporte.

Os países admitem que as respostas individuais de cada governo perderam eficiência diante de organizações que não respeitam divisões territoriais.

Frentes de combate

Para tentar sufocar o poder financeiro e logístico dos criminosos, os representantes fecharam canais de colaboração mútua que vão atuar em diferentes setores estratégicos.

  • O rastreamento de capitais receberá reforço por meio do cruzamento de dados de inteligência financeira e tributária para identificar a lavagem de dinheiro.
  • O controle de fronteiras e fluxos migratórios passará por monitoramento integrado para evitar a livre circulação de lideranças criminosas.
  • O plano foca no combate à corrupção estatal e no fortalecimento da integridade institucional para impedir a infiltração de facções em órgãos públicos.
  • A rastreabilidade de armas, munições e insumos químicos utilizados pelo tráfico de drogas terá fiscalização severa entre as alfândegas.

Cobrança política

Os discursos das lideranças revelam a gravidade da situação interna enfrentada por cada nação.

O presidente do Chile, José Antonio Kast, usou um tom duro ao afirmar que os países participantes estão cansados de ver o crime organizado matar jovens, dominar bairros inteiros e corromper apoiadores.

O chanceler chileno, Francisco Pérez Mackenna, seguiu a mesma linha crítica ao apontar que o crime se transformou na principal barreira para o desenvolvimento econômico e social da região.

Segundo o diplomata, o plano prevê uma nova reunião de avaliação técnica em até 180 dias.

A intenção do governo chileno é apresentar os resultados práticos na próxima Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) para atrair a adesão de mais países do continente americano.

Cenário de violência

A busca por uma saída internacional reflete estatísticas assustadoras dentro de cada território. No Peru, a explosão da violência urbana contabilizou 196 homicídios apenas no mês de fevereiro, transformando a segurança pública no principal debate eleitoral e político do país andino.

No Equador e na Argentina, a saída encontrada pelos governos nacionais foi buscar o apoio de potências estrangeiras, resultando no anúncio de operações conjuntas com os Estados Unidos para caçar grupos classificados juridicamente como organizações terroristas.

O documento que sela a união sul-americana foi assinado de forma oficial pelos chanceleres Pablo Quirno, da Argentina, Fernando Aramayo, da Bolívia, Carlos Pareja, do Peru, e Gabriela Sommerfeld, do Equador, ao lado de toda a comitiva anfitriã chilena.

Pressão interna

Apesar do tom de união em Santiago, o pacto surge em um momento de forte desgaste político para o presidente chileno José Antonio Kast.

A oposição cobra do Palácio de La Moneda a entrega de um plano de segurança pública próprio, que foi a principal promessa do atual mandatário durante a campanha eleitoral.

A crise no setor de segurança do país ficou evidente após a saída da ex-ministra Trinidad Steinert, que deixou o cargo com menos de três meses de gestão.

Mostrando as divisões ideológicas que cercam o tema, o atual ministro da Segurança do Chile, Martín Arraú, saiu em defesa das ações atuais da pasta.

O chefe da segurança declarou em entrevista coletiva na segunda-feira, 25 de maio, que o país já possui uma política nacional de segurança pública em andamento.

Segundo o ministro, as diretrizes foram promulgadas ainda na gestão do ex-presidente Gabriel Boric, possuem validade de seis anos e trazem ferramentas suficientes para proteger os cidadãos, indicando que o grande desafio não é criar novas leis, mas sim fazer as atuais funcionarem na prática.

Fonte: https://revistaoeste.com/mundo/governados-por-conservadores-paises-da-america-do-sul-assinam-acordo-contra-crime-organizado/

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