
O Rio de Janeiro se prepara para mais um capítulo de sua estratégia de megaeventos gratuitos nas areias de Copacabana. No dia 2 de maio a cantora colombiana Shakira sobe ao palco para consolidar o projeto “Todo Mundo no Rio”. Embora a movimentação econômica seja inegável, os números iniciais mostram que o fenômeno pop enfrenta barreiras que não existiam em edições anteriores, como o custo elevado das passagens e a saturação da agenda de grandes shows.
A expectativa de público ultrapassa a marca de 1 milhão de pessoas, mas o setor hoteleiro mantém os pés no chão. Atualmente a ocupação na Zona Sul registra cerca de 80%, um número expressivo para a baixa temporada, mas que ainda olha de longe o recorde estabelecido por Lady Gaga em 2025, quando a região turística atingiu 93% de lotação.
Efeito Lady Gaga
A comparação com a apresentação de Lady Gaga no ano passado é inevitável e serve como termômetro para a prefeitura e investidores. Em 2025 o Rio viveu um auge de demanda que dificilmente será replicado agora. Enquanto a média geral de ocupação da cidade naquele período foi de 86%, a projeção atual para o show de Shakira gira em torno de 65%.
O presidente da HotéisRIO, Alfredo Lopes, aponta que dois fatores principais impedem o novo recorde. O primeiro é o preço abusivo das passagens aéreas, que afasta o turista doméstico. O segundo é o fato de Shakira ter se apresentado na cidade recentemente, o que diminui o fator novidade para os fãs locais e de estados vizinhos.
Barreira aérea
Apesar das dificuldades no mercado nacional, o fluxo de estrangeiros continua aquecido sob a gestão da Embratur. Cerca de 13,5 mil passagens internacionais foram reservadas para o período do evento, o que representa um salto de 53,6% em comparação ao show da Madonna em 2024. No entanto, quando comparamos com a semana de Lady Gaga, houve uma leve queda de 4,2%.
A origem dos visitantes internacionais reflete a força da cantora na América Latina e em mercados estratégicos.
- Argentina lidera a busca por pacotes e hospedagens.
- Estados Unidos mantém o interesse pelo Rio como vitrine cultural.
- Chile e Uruguai apresentam alta na procura por voos diretos.
- Colômbia registra uma movimentação recorde devido ao orgulho nacional pela artista.
Turismo estratégico
O projeto “Todo Mundo no Rio” é uma iniciativa inteligente da Prefeitura que busca transformar o mês de maio em um período de alta rentabilidade. Antes da implementação dessa sequência de shows, o mês era marcado pela baixa procura. Hoje o Rio de Janeiro é visto como um palco global capaz de atrair centenas de milhões de reais em consumo direto no comércio e serviços.
A logística para receber mais de 1 milhão de pessoas exige um esforço monumental de segurança e transporte. O sucesso deste evento será medido não apenas pela ocupação dos hotéis, mas pela capacidade da cidade em oferecer uma experiência segura e funcional.
O objetivo final é manter o Rio como o destino preferido para grandes espetáculos gratuitos, garantindo que a marca da cidade continue forte no cenário internacional.
Futuro do projeto
Mesmo que os números de Shakira não superem os de Lady Gaga, o saldo final para a economia carioca deve ser positivo. O aquecimento do comércio local, desde vendedores ambulantes até grandes redes de restaurantes, mostra que o investimento público em cultura gera retorno social imediato.
O desafio para as próximas edições será negociar com as companhias aéreas para que o custo do deslocamento não se torne o maior inimigo do turismo brasileiro.
O show do dia 2 de maio será mais do que uma apresentação musical. Será um teste de resiliência para o modelo de negócios turísticos do Rio de Janeiro.
Em um mundo onde o entretenimento é uma das moedas mais valiosas, o “palco Copacabana” precisa provar que ainda tem fôlego para surpreender e lucrar, mesmo diante de um cenário econômico pressionado pela inflação das passagens.










