
O crime organizado no Brasil sofreu um golpe de proporções históricas nesta quarta-feira, 18 de março. A Polícia Federal (PF) liderou uma ofensiva coordenada em 15 estados brasileiros para desarticular as principais engrenagens das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A mobilização não foca apenas na retirada de 107 suspeitos das ruas mas atinge diretamente o patrimônio das organizações com o cumprimento de 174 mandados de busca e apreensão.
Integração contra o crime
A estratégia utilizada pelas autoridades marca uma mudança de postura no enfrentamento à criminalidade. Por meio das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a PF conseguiu unir polícias civis, militares, penais e guardas municipais em um esforço conjunto sem hierarquia rígida sob a coordenação da SENAPPEN e secretarias estaduais.
“As FICCOs têm como objetivo fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas por meio da integração entre instituições de Segurança Pública”, afirmou a autoridade em nota oficial.
Foco no faturamento ilegal
O volume de recursos movimentados pelas facções impressiona e revela o poder de infiltração dessas redes na economia formal através de empresas de fachada. Os números levantados pelas investigações mostram que o combate vai muito além da apreensão de entorpecentes e envolve cifras milionárias.
- Em São Paulo a Operação Dry Fall mira o Comando Vermelho no interior com bloqueio de 100 contas que podem somar R$ 70 milhões
- No Maranhão a Operação Ictio revelou uma estrutura de tráfico com movimentação financeira de até R$ 297 milhões e apreensão de bens de luxo
- Em Pernambuco a Operação Roça combate roubo de cargas e lavagem com ativos bloqueados de R$ 5 milhões
- No Rio Grande do Sul a Operação Célula Oculta busca desarticular redes em regiões estratégicas do estado
Ações no Amazonas e região Norte
O estado do Amazonas é um ponto estratégico nessa malha criminosa devido às rotas de escoamento. A Operação Rastreio concentrou esforços no terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Manaus para identificar o envio de drogas.
No Pará duas operações atingem o Comando Vermelho e investigam a colaboração de uma ex-servidora do Judiciário com o crime. Já no Amapá investigações específicas avançam para desarticular grupos locais.
Fachadas e desvios internos
A criatividade dos criminosos para esconder as atividades ilícitas também foi exposta. Em Alagoas os agentes descobriram que uma pizzaria servia como fachada para o tráfico.
No Espírito Santo a Operação Turquia II investiga o desvio de entorpecentes já apreendidos incluindo o afastamento de servidor público. Em Goiás a Operação Corrosão II foca na lavagem de dinheiro enquanto na Bahia a Operação Epílogo combate o tráfico de drogas.
Combate em Minas e Paraná
No Paraná a Operação Blue Sky atua no interior contra o PCC em disputas territoriais violentas. Em Minas Gerais a Operação Terminus resultou na prisão de um foragido condenado a mais de oito anos com novas capturas previstas. A ofensiva ainda inclui o Ceará com foco em criminosos violentos e Sergipe onde as frentes de investigação também foram reforçadas nesta quarta-feira.
A ação é uma continuidade de 246 operações deflagradas no ano passado que já resultaram em mais de 1,5 mil presos. Retirar o poder financeiro e a liberdade dessas lideranças é o único caminho para enfraquecer o domínio das facções sobre o território nacional.
Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/megaoperacao-prender-107-pessoas-ligadas-pcc-cv-15-estados/










