
A mobilização de um verdadeiro exército de trabalhadores nas ruas da capital amazonense trouxe um alívio visual imediato para quem trafega pelos principais eixos viários da cidade. Em uma força-tarefa concentrada de apenas 2 dias, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), recolheu 224 toneladas de resíduos sólidos.
O volume impressiona pela rapidez da retirada, mas também serve como um termômetro alarmante do volume de descarte inadequado que sufoca a infraestrutura urbana diariamente.
A operação alcançou a marca de 72,53 quilômetros de vias públicas, mobilizando mais de mil servidores em frentes de trabalho que envolveram capinação, roçagem, varrição, poda de árvores, pintura de meio-fio e remoção de entulhos.
O gerenciamento logístico de curto prazo funcionou com precisão, restando agora o desafio mais complexo, que consiste na manutenção preventiva e na conscientização permanente para que os corredores não voltem a acumular sujeira na mesma velocidade em que foram limpos.
Foco nos polos econômicos
Diferente de ações isoladas de manutenção corrente, o planejamento desta força-tarefa priorizou vias estratégicas que interligam bairros populosos e sustentam o fluxo financeiro da capital. Na zona Sul, a atuação concentrou-se no Distrito Industrial, região vital para o funcionamento do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Equipes atuaram na avenida Solimões, no entorno da Bola da Samsung e na avenida Ministro Mário Andreazza, no trecho situado entre a Bola da Suframa e a sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Manter o acesso livre e limpo nessas áreas afeta diretamente a eficiência do transporte de cargas e a segurança no deslocamento dos trabalhadores do polo fabril.
Na zona Norte, o foco se dividiu entre a avenida Torquato Tapajós, o mais extenso eixo de ligação da cidade, e vias de forte expansão comercial interna, como a avenida Margarita e a avenida Arquiteto José Henrique Bentes Rodrigues, que interliga os bairros Monte das Oliveiras, Colônia Terra Nova e Santa Etelvina.
Outros pontos de grande fluxo também receberam intervenções detalhadas:
- Avenida dos Oitis: Concentrou a maior extensão da programação, registrando 18,3 quilômetros de canteiros e margens limpos.
- Avenida Coronel Teixeira: Via crucial da zona Oeste que conecta bairros como Compensa, Lírio do Vale, Nova Esperança e Santo Agostinho à região turística da Ponta Negra.
- Corredores complementares: Receberam manutenção as avenidas Noel Nutels, Brasil, Silves, Curaçao, do Samba e Egito, esta última registrando a menor extensão atendida, com 130 metros.
Cuidado com o igarapé
Além do asfalto e das calçadas, a operação estendeu os serviços para as encostas do igarapé do Passarinho. Durante a sexta-feira e o sábado, os operários realizaram a capinação e a remoção da vegetação excessiva nas margens do curso d’água.
O trabalho cumpre uma dupla função. Visualmente, devolve a organização ao espaço público, enquanto tecnicamente facilita o monitoramento do leito do igarapé, permitindo que futuras ações preventivas de drenagem sejam executadas com maior facilidade e minimizando o risco de transbordamentos decorrentes do acúmulo de detritos volumosos.
Impacto e responsabilidade compartilhada
O impacto das roçadeiras robóticas, caminhões-caçamba e da presença massiva dos garis gerou reações positivas imediatas entre os usuários do espaço urbano. Para os comerciantes locais, a revitalização do entorno resulta diretamente em maior atratividade para os clientes e valorização dos pontos de venda.
“Para quem trabalha aqui, a limpeza faz muita diferença. O ambiente fica mais organizado e agradável, melhora para receber os clientes e também para todas as pessoas que passam pela avenida”, afirmou a comerciante Lindete Lopes de Souza, que atua na avenida Curaçao.
Essa percepção é compartilhada pelos moradores, que associam as calçadas livres e os canteiros podados a uma maior sensação de segurança viária. O frentista Luiz Ângelo Freitas, residente do bairro Santa Etelvina, destacou o benefício da ação mas sinalizou a necessidade de regularidade nos serviços.
“É muito bom ver tantas equipes trabalhando ao mesmo tempo e cuidando de diferentes pontos da cidade. Esse trabalho precisa continuar, porque uma cidade limpa melhora a vida de quem mora aqui, de quem trabalha e também de quem visita Manaus”, afirmou Luiz Ângelo Freitas.
A declaração do morador toca no ponto central do debate sobre a zeladoria urbana, que é a sustentabilidade das ações. O secretário municipal de Limpeza Urbana destacou que o planejamento técnico da pasta exige operações ininterruptas para cobrir a extensão territorial do município.
“A Semulsp trabalha de domingo a domingo para manter Manaus limpa, organizada e mais segura. Nossas equipes estão nas ruas durante o dia, à noite e nas madrugadas, cuidando dos espaços públicos e atendendo todas as regiões da capital”, afirmou Sabá Reis.
O gestor ponderou, no entanto, que o sucesso de longo prazo depende diretamente de uma mudança de postura da sociedade civil no manejo diário dos resíduos.
“O poder público faz a sua parte, mas precisamos que cada cidadão também contribua, respeitando os horários da coleta e não jogando resíduos nas ruas, calçadas, canteiros e igarapés. Cidade limpa é responsabilidade de todos”, completou Reis.
A análise crítica dos dados revela que as 224 toneladas recolhidas em apenas 48 horas expõem uma realidade crônica. Embora a capacidade operacional da prefeitura em mobilizar mil trabalhadores e maquinário moderno mereça reconhecimento, o volume absurdo de lixo doméstico, restos de construção e móveis velhos jogados nas vias públicas evidencia que as campanhas educativas ainda enfrentam forte resistência cultural.
A infraestrutura de limpeza urbana não pode atuar apenas mitigando os efeitos do descarte irregular crônico. Sem a devida fiscalização punitiva aliada ao cumprimento rigoroso dos horários de coleta por parte da população, os 72 quilômetros limpos nesta semana correm o risco de se tornarem novamente pontos de descarte ilegal em um curto espaço de tempo.
Fonte: ASCOM | Dora Tupinambá/ Semulsp










