Geração “nem-nem” aumenta no Amazonas aponta IBGE

Índice de jovens amazonenses que nem trabalham e nem estudam cresceu 25,6% no ano passado, durante a pandemia da covid-19

Fotos: Divulgação

A geração de jovens que não estudam e nem trabalham chamada “nem-nem” cresceu no estado do Amazonas chegando ao percentual de 25,6% no ano de 2020, segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

São jovens entre 15 e 29 anos, que saem do ensino médio e não conseguem colocação no mercado de trabalho por conta da qualificação. Também não conseguem oportunidade para o ensino superior, acabam ficando sem estudo e sem trabalho, gerando assim um ciclo vicioso. 

Pode-se destacar que a pandemia de Covid-19 foi um dos fatores para este aumento. Segundo a pesquisa “Juventudes, Educação e Trabalho: Impactos da Pandemia nos Nem-Nem” realizado pela Fundação Getúlio Vargas, choques como a pandemia podem deixar marcas permanentes, o chamado efeito cicatriz, sobre a trajetória de ascensão social dos jovens.  

Anderson Souza, de 22 anos, terminou o ensino médio no ano de 2017, após passar pelo serviço militar obrigatório, o jovem não conseguiu uma colocação no mercado de trabalho. “Depois que passei pelo Exército Brasileiro, fiquei trabalhando avulso. Se antes já estava difícil, a pandemia dificultou mais em relação às  oportunidades de trabalho, pois muitas empresas não estavam contratando pessoas e tive que me virar fazendo trabalhos por fora. Se eu conseguir uma oportunidade de emprego, pretendo investir na faculdade de Engenharia Mecânica para abrir meu próprio negócio”.

O jovem também afirma que a falta de oportunidades gera sentimentos de frustração e angústia. “Me sinto frustrado e triste, pois tenho minha família para sustentar e contas para pagar. Mas faço o que posso para tentar suprir minhas necessidades”.

A pandemia fez com que diversas empresas fechassem suas portas, havendo assim uma queda nas contratações. A área mais afetada foi o comércio, onde lojas tiveram que fechar suas portas diante aos decretos estabelecidos pelo Governo do Estado tendo em vista o isolamento social. 

Segundo o IBGE no ano de 2020, a taxa de desemprego no Amazonas atingiu 15,8% superando a média nacional de 13,5%, o órgão também aponta que as taxas subiram porque em 2020 não só o mercado formal foi afetado, mas também o mercado informal que é a principal porta de entrada dos trabalhadores. 

A pesquisa aponta que nesse grupo de jovens, 31,3% só estudam, 12,8% estudam e trabalham e 30,4% só trabalham. A proporção entre 15 a 29 anos de idade que não estudam, nem trabalham e nem procuram emprego é de 25,6%. No Estado do Amazonas, cerca de 39,5% das pessoas de 16 anos ou mais, em 2020, estavam ocupadas em trabalhos formais.  

Impactos negativos

Segundo a psicanalista e terapeuta Samiza Soares, os impactos econômicos da pandemia de covid-19 têm afetado ainda mais os jovens, grupo dos mais vulneráveis neste momento de crise.

Psicanalista e terapeuta Samiza Soares – Foto: Divulgação

“Seria necessário pesquisas para constatar esta realidade disseminada em nossa sociedade. Afinal, cada dia torna-se mais comum ver jovens que passam o dia inteiro navegando em suas redes sociais, jogando videogame, assistindo Netflix e YouTube e consumindo álcool e drogas. Até mesmo jovens trabalhadores estão passando por algo parecido, pois trabalham desmotivados e sem pretensão de se desenvolverem profissionalmente”, aponta a psicanalista.

Samiza Soares afirma que a má notícia com a chegada da pandemia para os jovens, é que o mercado de trabalho ficou mais difícil.

“O maior problema do jovem continua sendo o desemprego. Infelizmente o jovem que não consegue trabalhar acaba não estudando também, e isso prejudica as chances de mobilidade social nessa camada da população. O aumento da população de jovens “nem-nem”, é preocupante, pois reflete o comprometimento de uma geração inteira, que deve deixar de contribuir para o crescimento do país”.

Ela afirma ainda que esse fenômeno deve ser atribuído a crise econômica que o Brasil enfrenta desde 2013. “Certamente, a redução de oportunidades de emprego pode ter contribuído para o número elevado de jovens sem trabalhar e estudar. No entanto, este fenômeno não acontece apenas no Brasil”.

A psicanalista finaliza que para solucionarmos tal situação precisamos conscientizar os jovens da importância de se desenvolverem profissionalmente e moralmente.

“O caminho para a riqueza depende principalmente de duas palavras, trabalho duro e frugalidade; ou seja, não desperdice tempo nem dinheiro, mas faça o melhor uso de ambos. Finalizo com essa reflexão: Aquele que consegue tudo o que pode honestamente e economiza tudo o que consegue certamente se tornará rico. Talvez, se voltarmos a pregar os ensinamentos do passado, possamos mudar a preocupante realidade da geração nem-nem”.

Por Franciane Silva/Dia a Dia Notícia

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui