
O estado americano da Flórida, mundialmente conhecido como “Sunshine State” pelo seu clima tropical e ensolarado, enfrenta um fenômeno climático atípico neste início de fevereiro. Uma onda de frio intenso derrubou as temperaturas para níveis próximos de zero, trazendo neve para a região de Tampa Bay pela primeira vez em mais de uma década e criando um cenário perigoso e inusitado: uma verdadeira chuva de iguanas congeladas.
O impacto visual e físico é imediato. Moradores de cidades como Miami e Fort Lauderdale têm compartilhado imagens de répteis imóveis espalhados por calçadas, quintais e até para-brisas de carros. O que parece ser uma morte em massa é, na verdade, uma reação biológica de defesa desses animais, mas que traz riscos reais para a população.

Por que os répteis estão caindo das árvores
As iguanas verdes são animais de sangue frio e dependem inteiramente do calor externo para regular sua temperatura corporal e manter o metabolismo ativo. Quando os termômetros baixam dos dez graus celsius, elas entram em um estado de letargia. No entanto, o perigo aumenta quando a temperatura atinge marcas entre cinco e sete graus.
Nesse ponto crítico, o organismo dos animais entra em um estado de rigidez total, semelhante a uma paralisia temporária. Como muitas iguanas dormem no topo das árvores, ao perderem a força muscular, elas simplesmente despencam. O risco para os pedestres é considerável, já que um macho adulto dessa espécie pode chegar a dois metros de comprimento e pesar até nove quilos. Ser atingido por um animal desse porte em queda livre pode causar ferimentos graves.
Uma praga silenciosa que tomou conta dos subúrbios
Embora a cena cause pena em alguns, as iguanas verdes não são nativas da Flórida. Originárias das Américas Central e do Sul, elas foram introduzidas na região na década de 1960 e, sem predadores naturais, tornaram-se uma espécie invasora fora de controle. Estimativas apontam que a população desses répteis já ultrapassa a marca de um milhão.
Classificadas oficialmente como uma praga nociva, elas causam prejuízos milionários ao escavar tocas que comprometem barragens, canais e fundações de casas, além de destruírem jardins e provocarem curtos-circuitos na rede elétrica.
Autoridades orientam população e hábito curioso ganha destaque
A autoridade de proteção ambiental da Flórida, conhecida pela sigla FWC, emitiu alertas para que os moradores tenham cautela. A recomendação é que a remoção dos animais, caso necessária, seja feita com equipamentos de proteção, e que o abate seja realizado de forma humanitária por profissionais, evitando o sofrimento desnecessário do animal.
Curiosamente, enquanto muitos veem as iguanas congeladas como um problema sanitário, uma parcela da população enxerga uma oportunidade gastronômica. Nas regiões do Caribe, de onde muitas dessas iguanas provêm, a carne do réptil é apreciada e conhecida popularmente como “galinha das árvores”. Com a facilidade de capturar os animais imóveis pelo frio, a iguaria exótica volta a aparecer no cardápio de quem mantém as tradições culinárias das ilhas vizinhas.










