
A diplomacia argentina deu um passo largo em direção ao mercado norte-americano com a assinatura de um tratado que pode redefinir as rotas comerciais na América do Sul. O governo de Javier Milei oficializou nesta quinta-feira o “Acordo de comércio e investimento recíproco” com os Estados Unidos (EUA), um movimento estratégico que coloca a Argentina em uma posição de destaque no fornecimento de alimentos e tecnologia de ponta para a maior economia do mundo.
A aliança não é apenas um documento protocolar, mas sim um compromisso de abertura de mercados que promete benefícios imediatos para os produtores argentinos. O texto estabelece uma cooperação profunda em setores sensíveis e estratégicos, sinalizando uma mudança de rumo definitiva nas relações internacionais da Casa Rosada.
Abertura sem precedentes para a pecuária argentina
O ponto que mais chama a atenção no pacto é o acesso facilitado da carne argentina ao solo americano. De acordo com o comunicado oficial, Washington autorizou uma ampliação histórica para 100 mil toneladas no acesso preferencial da carne bovina ao seu mercado consumidor. Essa medida deve injetar aproximadamente 800 milhões de dólares na economia argentina, representando um alento para o setor agropecuário que busca novos horizontes de exportação.
“O acordo entre Estados Unidos e Argentina reduz as barreiras comerciais de longa data e proporciona um acesso significativo ao mercado para os exportadores americanos”, afirmou Jamieson Greer, que atua como Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A reciprocidade é clara, pois enquanto a carne cruza a fronteira para o norte, os americanos ganham facilidades para exportar desde veículos automotores até uma vasta gama de produtos agrícolas para o país vizinho.
Minerais críticos e o xadrez geopolítico da tecnologia
Além do agronegócio, o acordo mergulha no setor de tecnologia e energia. Os dois países estabeleceram o “Acordo-quadro para o fornecimento de minerais críticos”, que visa acelerar projetos de mineração e processamento de recursos essenciais como o lítio e as terras raras. Esses materiais são fundamentais para a fabricação de tudo, desde smartphones e computadores até satélites e baterias de carros elétricos.
A intenção do governo de Donald Trump é transformar essa parceria em um pilar da sua política econômica externa. O objetivo é reduzir a dependência de outros mercados globais e fortalecer as cadeias de suprimentos dentro do continente americano.
As principais áreas de investimento e modernização citadas no documento envolvem:
- Redução de barreiras tarifárias e burocráticas para bens e serviços.
- Modernização dos procedimentos aduaneiros para agilizar o fluxo comercial.
- Promoção de subsídios e garantias para infraestrutura e energia.
- Agilidade na obtenção de licenças para projetos de mineração estratégica.
O peso do acordo para o bolso dos argentinos e americanos
Os dados do intercâmbio comercial de 2025 já mostravam um cenário favorável para a Argentina, que encerrou o ano com um superávit comercial significativo diante dos americanos. Com a nova promessa de eliminar tarifas recíprocas para 1.675 produtos argentinos, a expectativa é que esses números cresçam ainda mais em 2026.
“A Argentina tem as capacidades necessárias para se tornar uma produtora de terras raras”, afirmou Marco Rubio, chefe da diplomacia americana.
Essa afirmação reforça a tese de que o país sul-americano deixou de ser visto apenas como um celeiro de grãos para se tornar um parceiro tecnológico essencial.
A batalha final no Congresso argentino
Apesar do entusiasmo do governo, a implementação total do acordo ainda depende de um fator interno crucial. O presidente Javier Milei encaminhará o projeto ao Congresso Nacional, onde os legisladores terão o desafio de ratificar os termos assinados em Washington. A Presidência informou que o mandatário confia na compreensão dos parlamentares sobre a responsabilidade histórica de aproveitar essa oportunidade.
O sucesso desse tratado pode significar não apenas o fortalecimento do peso argentino no comércio global, mas também uma revisão oportuna das tarifas sobre o aço e o alumínio, itens que seguem no radar das negociações futuras entre os dois países.










