
A urgência climática, o avanço das desigualdades sociais e os impactos socioambientais cada vez mais visíveis na Amazônia exigem respostas rápidas que superem os velhos discursos corporativos.
O debate sobre como explorar os recursos da maior floresta tropical do planeta sem destruir as populações tradicionais ganha um ponto de partida prático com a realização do “II Fórum Socioeconômico Ambiental Amazônia Viva 2026”. Organizado pela Economia de Comunhão (EdC), o evento joga luz sobre a necessidade de um modelo financeiro que coloque a preservação e a dignidade humana no mesmo patamar de importância que o faturamento das empresas.
Com o tema “Empresas que cuidam, comunidades que florescem, espiritualidade que conecta”, o encontro acontece nos dias 03 e 04 de julho de 2026.
A programação busca colocar em evidência a jornada de transformação que acontece da reflexão interior à ação coletiva, dentro das pessoas e das empresas, oferecendo como percurso as práticas e os saberes espirituais de comunidades ribeirinhas, indígenas e periféricas.
Equilíbrio possível
A busca por desenvolvimento econômico na região historicamente esteve atrelada à destruição da cobertura vegetal e à exploração desmedida. Mudar essa mentalidade é o principal desafio das novas propostas de gestão.
A coordenação do “Projeto Amazônia Viva”, realizado há três ciclos em território amazônico pela EdC, defende que o mercado precisa resgatar o sentido original de administrar a estrutura coletiva, integrando a responsabilidade social com a geração de renda.
“O verdadeiro desenvolvimento precisa unir sustentabilidade ambiental, justiça social e prosperidade econômica”, afirma Maria Clézia Santana, coordenadora do projeto.
Essa perspectiva mostra que o crescimento de uma organização não precisa resultar no empobrecimento de seu entorno. A consolidação de negócios focados em triplo impacto demonstra que o bem-estar comunitário funciona como um ativo de estabilidade para os próprios investimentos privados.

Consciência coletiva
O fórum propõe debater a espiritualidade sem qualquer vínculo com dogmas religiosos específicos. A abordagem foca na construção de uma consciência coletiva sobre o pertencimento e a relação com a natureza, proporcionando experiências recíprocas de escuta e diálogo capazes de despertar uma regeneração de dentro para fora diante das crises ambientais e sociais que atingem a Amazônia.
A valorização das relações humanas é apontada por especialistas como a chave para romper o distanciamento entre as decisões políticas e a realidade do povo.
“Espiritualidade, meio ambiente e economia falam a mesma língua quando nos lembramos de que os três cuidam da mesma coisa: a vida que temos em comum”, ressalta o painelista Rodolfo Bonifácio.
Realidade urbana
A teoria discutida nos auditórios será confrontada com a realidade das ruas no encerramento da programação. Os participantes vão percorrer áreas periféricas de Manaus para observar os efeitos diretos da vulnerabilidade socioambiental.
- Comunidades visitadas: O roteiro técnico inclui diálogo direto com moradores e lideranças das comunidades Filadélfia, Aldeia Akural, Bairro Ouro Verde e Lago Acajatuba.
- Foco prático: A atividade funciona como um exercício de cuidado ativo, permitindo reconhecer que a crise ambiental tem rosto e nome, além de desvelar as respostas de resiliência criadas pelas próprias populações.
- Destinação solidária: Toda a arrecadação das inscrições será revertida para as comunidades e projetos sociais que serão apresentados no encerramento das atividades.

Futuro sustentável
O engajamento do setor empresarial é visto como peça fundamental para que as discussões gerem transformações reais fora do papel. A transição para práticas transparentes e limpas atende a uma demanda crescente do mercado consumidor e de fundos de investimentos globais.
“Cada vez mais empresas atuam com a lógica do triplo impacto — econômico, social e ambiental”, ressalta o empresário Pinto.
Ao reunir lideranças comunitárias, representantes religiosos, empresários, estudantes, pesquisadores e movimentos sociais, o Fórum pretende estimular conexões capazes de gerar soluções coletivas para os desafios que afetam diretamente a região.
De acordo com Débora Rocha, gestora programática da EdC, a instituição nasceu para contribuir com a erradicação da pobreza, promovendo a conexão entre oportunidades e vulnerabilidades.
“Queremos criar pontes, promover diálogo e estimular práticas de cooperação capazes de transformar realidades e gerar impacto positivo para o território amazônico”, destaca Débora Rocha.
A expectativa da organização é que as discussões ultrapassem os limites das salas de reunião e resultem em ações concretas de emprego verde e conservação permanente, provando que a floresta em pé possui muito mais valor do que a sua destruição.

Cronograma do evento
- Data: 03 e 04 de julho de 2026.
- Primeiro dia: Realizado no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), situado na Rua Bem-te-vi, sem número, bairro Petrópolis, das 08h30 às 17h. Promoverá uma experiência coletiva e imersiva no sentido do cuidado como ato espiritual de honrar a vida e fortalecer os vínculos que sustentam a comunidade, dialogando sobre uma economia que vai além da lucratividade.
- Segundo dia: Ocorre no Auditório da Inspetoria Laura Vicuña, na Avenida André Araújo, número 2230, Petrópolis, das 08h às 17h. Será focado na visita de campo e na vivência prática dos impactos da injustiça climática nas periferias da capital amazonense.
- Inscrições: O passaporte para os dois dias custa 90,00 R$ para a entrada inteira e 45,00 R$ para a meia entrada destinada a estudantes, professores e demais públicos previstos em lei. A inscrição garante lanches reforçados pela manhã, merendas à tarde e o transporte para os deslocamentos de campo.
As inscrições podem ser realizadas pelo link: https://www.e-inscricao.com/edc/forumamazoniaviva
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