
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), esteve neste sábado, dia 5 de setembro, na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, no Paraná, para encontrar o ex-assessor Filipe Martins. Condenado a 21 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Martins cumpre pena no presídio paranaense. A agenda movimentou a corrida eleitoral e colocou a relação com os tribunais superiores no centro da campanha.
Críticas ao Supremo
A conversa durou cerca de uma hora e meia e serviu de espaço para duras manifestações contra as decisões do relator da matéria, ministro Alexandre de Moraes. O ex-assessor cumpria prisão domiciliar até 2 de janeiro deste ano, quando acabou transferido para a unidade prisional paranaense após descumprir a medida cautelar que proibia o acesso às redes sociais. O parlamentar classificou a prisão como injusta e criticou a fundamentação usada na condenação.
“Vim dar um abraço em um amigo muito importante para nós que está preso aqui acusado de ter feito uma minuta que nunca existiu, que ninguém nunca viu, e acabou sendo usada para sua condenação”, afirmou Flávio Bolsonaro ao deixar o local.
Ataques ao gabinete
Durante o pronunciamento aos jornalistas, o candidato ampliou os questionamentos sobre a atuação do relator e mencionou polêmicas recentes envolvendo a esposa do magistrado e o investigado Daniel Vorcaro. O senador sustentou que os inquéritos voltados ao combate de notícias falsas vêm sendo utilizados para perseguir opositores e alegou que o mesmo procedimento estaria sendo adotado contra o ministro André Mendonça.
“Hoje nós temos a convicção clara para o Brasil inteiro ver o que é o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, é o gabinete da perseguição”, declarou Flávio.
O postulante ao Palácio do Planalto argumentou ainda sobre a aplicação das regras de dosimetria da pena, afirmando que o ex-assessor já deveria estar em liberdade caso a legislação estivesse sendo cumprida rigorosamente. Apesar do tom duro, o senador sustentou a importância de proteger a instituição do Poder Judiciário.
Apoio no cárcere
O encontro também serviu para alinhar os discursos da militância política. De acordo com o relato do parlamentar, o ex-assessor reforçou sua alegação de inocência e manifestou confiança no resultado das urnas para mudar o curso das disputas institucionais do país. As conversas abordaram as rotinas enfrentadas no presídio e as dificuldades provocadas pelo afastamento da família durante o período de reclusão.
Plano para segurança
Além dos questionamentos às decisões judiciais, o candidato aproveitou a agenda no Paraná para detalhar propostas do seu plano de governo voltado à área de segurança pública, nomeado como Brasil Sem Medo. A plataforma defende a valorização dos agentes penitenciários e prevê a abertura de mais de 500 mil vagas no sistema prisional em todo o território nacional.
As medidas apresentadas incluem o enquadramento de grandes organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de grupos milicianos, na classificação de entidades terroristas a partir do próximo ano. A proposta estabelece o endurecimento rigoroso das condenações, fixando pena mínima de oito anos de reclusão já no início do cumprimento da sentença para crimes como o furto de aparelhos celulares.










