
Mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil e cerca de três mil morrem todos os anos durante a espera, segundo dados do Ministério da Saúde (MS).
Quando o paciente é uma criança, a corrida contra o tempo se torna ainda mais complexa.
Em 2025, o país realizou 586 transplantes de órgãos pediátricos, mas 50 crianças perderam a vida enquanto aguardavam na fila, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT).
A recusa familiar surge como o obstáculo principal para expandir as doações, atingindo cerca de 45% dos casos não autorizados. Os doadores pediátricos também registraram queda, passando de 274 em 2023 para 211 em 2025.
Durante a campanha “Setembro Verde”, mês voltado à conscientização sobre a doação de órgãos, o Hospital Pequeno Príncipe reforça a importância de abordar o tema em casa.
“Famílias que já conversaram sobre o assunto tendem a autorizar a doação com mais tranquilidade e segurança. Quando a população é bem informada, tendo suas dúvidas e mitos esclarecidos antes de um momento tão difícil, o número de recusas cai e, consequentemente, mais transplantes podem ser realizados”, afirmou Fábio Navarro, cirurgião responsável pelo Serviço de Transplante Cardíaco do Hospital Pequeno Príncipe.
Desafio do tamanho
Um único doador tem capacidade de salvar até oito vidas segundo o MS. Na pediatria, contudo, existe a barreira da compatibilidade física entre o órgão do doador e o corpo do receptor. Essa restrição reduz a quantidade de doadores disponíveis e prolonga a espera infantil.
“Os transplantes pediátricos enfrentam um desafio adicional em relação aos adultos. Órgãos infantis costumam ser compatíveis, em geral, com receptores de tamanho semelhante, o que significa que o número de doadores possíveis é bem menor. Isso faz com que crianças, na maioria das vezes, esperem mais tempo na fila por um órgão de tamanho adequado”, explicou Fábio Navarro.
A demora na fila traz impactos profundos para os pequenos pacientes. Receber o órgão representa a oportunidade de deixar a internação, frequentar a escola, brincar e crescer com saúde, além de encerrar a angústia diária dos familiares.
Como a doação de doadores falecidos depende obrigatoriamente do aval da família, o diálogo antecipado traz segurança em momentos de luto.
“Falar sobre isso ajuda a desfazer mitos, antecipa este tema sensível às famílias, para que estas, tendo maior conhecimento, possam tomar uma decisão pela doação de órgãos, mesmo em um momento de muita dor. Quanto mais se fala em doação de órgãos, mais vidas podem ser salvas”, completou o cirurgião.
Vida nova para Isabela
A trajetória da pequena Isabela, de 11 meses, exemplifica a transformação gerada pela doação. Durante a gestação, um exame revelou uma alteração que levou os médicos a suspeitarem de um tumor. Com apenas um dia de vida, a bebê deu entrada no Hospital Pequeno Príncipe.
Após 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e diversos exames, veio o diagnóstico de um fibroma cardíaco inoperável, restando o transplante como única alternativa.
“Em um primeiro momento, foi um susto. Quando fui me aprofundar, passei a entender o que era o transplante e que teríamos que ficar na fila para encontrarmos um doador”, recordou a mãe, Caroline Antônia da Silva de Paula.
A espera durou três meses até a chegada de um coração compatível.
“Não achei que fosse chegar tão rápido. Foi uma felicidade gigante. Após o transplante, posso ver que minha filha está mais ativa. Hoje, ela vive”, comemorou Caroline.
A chegada do novo órgão renovou a rotina do lar.
“A doação de órgãos é um ato de amor, de esperança e de empatia com o próximo. Hoje, saio com a minha filha com vida. Minha Isabela terá um futuro”, declarou a mãe.
Números do hospital
O Hospital Pequeno Príncipe atua no segmento de transplantes de órgãos e tecidos pediátricos há 37 anos. Em 2025, a instituição contabilizou 308 procedimentos.
- Total de 44 transplantes de órgãos sólidos abrangendo coração, rim e fígado.
- Total de 34 procedimentos de válvula cardíaca.
- Total de 163 enxertos de tecido ósseo.
- Total de 67 transplantes de medula óssea.
No acumulado deste ano, até o mês de julho, a unidade já realizou 194 transplantes, reafirmando sua posição de liderança nesse tipo de atendimento no país.
Estrutura centenária
Sediado em Curitiba, no Paraná, o Hospital Pequeno Príncipe é a maior e mais completa unidade exclusivamente pediátrica do Brasil. Com mais de um século de história, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece atendimento médico humanizado para crianças e adolescentes de todo o território nacional.
O centro presta assistência em 47 especialidades pediátricas com equipes multiprofissionais. A estrutura soma 369 leitos, sendo 76 voltados para UTI, e destina 76% de suas atividades aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, o hospital computou 258 mil consultas ambulatoriais, 20 mil cirurgias e 308 transplantes.
Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1970, o local já formou mais de dois mil especialistas. A unidade integra o Complexo Pequeno Príncipe ao lado da Faculdades Pequeno Príncipe e do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, operando sob o modelo internacional de “Children’s Hospital”.
Em 2025, a revista americana Newsweek classificou a instituição entre os 70 melhores hospitais pediátricos do mundo, garantindo pelo quinto ano consecutivo o posto de melhor hospital exclusivamente infantil da América Latina. O centro possui certificação de Hospital de Excelência emitida pelo MS e, desde 2019, faz parte do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), colaborando com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
ASCOM: Hospital Pequeno Príncipe










