
Moradores de 40 comunidades do município de Carauari, localizado na calha do Médio Juruá no interior do Amazonas, receberam cuidados de enfermagem, assistência odontológica e consultas por telessaúde entre os meses de julho e setembro de 2026.
As ações ocorreram nos Pontos de Atendimento à Saúde de Bauana e Campina, somando 607 atendimentos e 2.997 procedimentos no período. As estruturas fazem parte do projeto SUS na Floresta, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com instituições apoiadoras e a gestão pública para reforçar a Atenção Primária à Saúde na região.
Chegar até a sede de Carauari exige horas ou dias de viagem pelos rios, o que dificulta o acesso rápido aos serviços de saúde. A instalação dos polos aproximou a medicina da população ribeirinha e passou a oferecer suporte direto para as equipes que atuam no território.
O Ponto de Atendimento à Saúde Raimundo Ribeiro de Lima, conhecido popularmente como Saborá, fica na comunidade do Bauana.
O local contabilizou 219 atendimentos e 1.215 procedimentos, recebendo moradores de 15 comunidades vizinhas. Na região do Campina, o Ponto de Atendimento à Saúde Laice Santos do Nascimento registrou 388 atendimentos e 1.782 procedimentos para moradores de 33 localidades.
O alcance total somou 40 comunidades distintas, uma vez que algumas famílias buscaram suporte nas duas unidades.
Transformação no dia a dia da floresta
Para quem vive nessas áreas isoladas, a presença da unidade médica representa economia financeira e segurança nos momentos de emergência. O morador da comunidade do Bauana, Antônio Raimundo, de 54 anos, enfrenta problemas de hipertensão e relatou como a novidade mudou sua rotina.
“Eu sou hipertenso e, antes, a cada seis meses precisava ir à cidade para fazer uma avaliação e saber se podia tomar outro medicamento. Agora, o atendimento é aqui. Venho ao polo e, por meio da comunicação com os médicos, consigo avaliar se melhorei e se preciso mudar a medicação. Isso facilita muito a nossa vida”, explicou o comunitário.
O morador também ressaltou que a estrutura reduz custos com viagens longas e garante rapidez no socorro em acidentes graves.
“Uma das grandes importâncias desse polo é diminuir as despesas dos comunitários, porque, às vezes, a gente precisa ir à cidade e acaba gastando muito. Aqui, o atendimento é mais fácil e rápido. Já aconteceu de um colega sofrer um acidente à noite e ser atendido rapidamente no polo. A equipe fez a avaliação e, como era necessário, ele recebeu o encaminhamento para a cidade”, contou Antônio Raimundo.
Dados detalhados dos serviços prestados
Os números computados entre julho e setembro de 2026 englobam atendimentos realizados pelas equipes de campo e pela internet. Os dados demonstram o volume total de consultas e procedimentos aplicados, podendo o mesmo morador ser atendido mais de uma vez.
- A área de enfermagem liderou os atendimentos presenciais com 480 registros
- O serviço de odontologia realizou 112 atendimentos para a população local
- As consultas médicas e de enfermagem via telessaúde somaram 15 procedimentos
A gerente do Programa Saúde na Floresta da FAS, Mickela Souza, destacou que a iniciativa fortalece a prevenção e garante direitos básicos para quem vive distante dos centros urbanos.
“Os pontos de atendimento à saúde representam o fortalecimento da cidadania da comunidade e do acesso à política pública de saúde. É o SUS chegando à floresta, chegando ao território e oferecendo seus serviços, trabalhando na prevenção de doenças e de agravos e contribuindo para fortalecer a saúde e o bem viver das pessoas que vivem na floresta”, afirmou Mickela Souza.
Capacitação de profissionais e telessaúde
Além da assistência direta aos pacientes, o projeto investiu na atualização técnica das equipes de campo. O sistema registrou 20 teleconsultorias para apoio aos profissionais de saúde, contabilizadas separadamente dos atendimentos médicos convencionais.
A programação de formação contou com quatro webpalestras educativas.
No mês de julho, os profissionais debateram os cuidados com feridas, desde a higienização até a cicatrização, além do treinamento no sistema Conexão Saúde voltado para equipes de Carauari e Eirunepé.
Em agosto, o encontro focou nas plantas alimentícias da Amazônia e na valorização da biodiversidade da região.
Já no mês de setembro, o tema abordou a identificação de sinais de alerta e os cuidados com a saúde mental dos moradores.
Parceria pelo desenvolvimento da Amazônia
A Fundação Amazônia Sustentável é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que trabalha para conservar o bioma e melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais.
O projeto SUS na Floresta é executado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com a Umane, contando com a gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
A iniciativa recebe suporte técnico da Prefeitura de Carauari, da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (AMARU) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).
O foco central é estruturar a telessaúde na Atenção Primária para aproximar o SUS das comunidades ribeirinhas em todo o estado.
Sobre a FAS
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.
Sobre o SUS na Floresta
O projeto SUS na Floresta é realizado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Umane, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da Prefeitura de Carauari, da Associação dos Moradores Agroextrativista da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (AMARU) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Ele tem como objetivo fortalecer e apoiar a Atenção Primária à Saúde (APS) em comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas por meio da estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao SUS, ampliando a assistência nessas regiões.
ASCOM: Emanuelle Aráujo e Aninha Alverca | Up Comunicação Inteligente










