
Em coletiva de imprensa, na manhã desta segunda-feira (23), o prefeito de Manaus, David Almeida, classificou a operação Erga Omnes, da Polícia Civil, como “tão autêntica quanto uma nota de 300”.
A operação prendeu a ex-chefe de gabinete de David, Anabela Cardoso Freitas, sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho. Mas, segundo o prefeito, nada aconteceu porque não teve “um quilo de droga na mesa”.
Para David, se não houve foto com tablete e dinheiro empilhado, não valeu. É quase uma regra nova do Código Penal versão municipal: “Sem selfie com entorpecente, sem crime”.
Cuidado com o restaurante
Num momento quase pedagógico da coletiva, David alertou os jornalistas:
“Quando vocês forem comer num restaurante, cuidado.”
David quis dizer que, se alguém comprar passagem numa agência e depois essa pessoa for investigada, então qualquer cliente vira cúmplice em potencial. Seria o Direito Penal do Cupom Fiscal?
Seguindo essa linha, o consumidor terá de investigar o dono do supermercado antes de passar o cartão e pedir antecedentes do garçom antes da sobremesa. A paranoia gourmet substitui a prestação de contas.
Enquanto isso, a pergunta do cidadão segue indigesta: como uma assessora tão próxima foi parar numa operação que fala em infiltração criminosa?
“Tudo foi armação política”
Em clima de pré-campanha ao Governo do Amazonas, o prefeito David adotou o tom clássico acerca da operação da PC, afirmando que tudo não passou de armação política.
Não houve droga exibida, o delegado fez live cedo demais, o secretário de Estado de Segurança não apareceu na coletiva, e, então, deve-se suspeitar de um complô pairando no ar.
Sem documentos
Conforme internautas, o curioso na coletiva de David Almeida é que, diante de tantas teorias, o que não apareceu com a mesma ênfase foram documentos, explicações técnicas ou respostas objetivas sobre a relação da assessora Anabela com investigados.
O prefeito estava indignado na coletiva, zangado porque uma operação policial atrapalhou sua agenda eleitoral.
A missão “mais difícil”
No Confort Hotel, David Almeida confirmou aquilo que já circulava nos bastidores: é oficialmente pré-candidato ao Governo do Amazonas.
Disse que é “a decisão mais difícil da minha vida”. Entre um desabafo e outro, garantiu que não vai “se acovardar”. O verbo escapou meio torto, mas a intenção foi reta: sair da prefeitura de Manaus sob turbulência e pousar direto na pista estadual.
Sobrou para Omar e Wilson
Na coletiva, o prefeito David anunciou que quer “livrar o Amazonas da tirania, da opressão, ameaça e incompetência”, uma descrição capaz de servir para mais de um endereço político.
Sobrou crítica para Omar Aziz e Wilson Lima. Mas sobrou também afago para o senador Eduardo Braga (MDB), com quem mantém aliança.
Tadeu de Souza, o ausente
O vice-governador Tadeu de Souza (PP) não apareceu na cerimônia de pré-lançamento de David Almeida à disputa estadual. A ausência pode ter falado mais alto que discurso.
No fim, ficou o recado: “Só fica comigo quem quiser.” Na política amazonense, essa frase costuma significar duas coisas: liberdade de escolha e contagem regressiva para a dança das cadeiras.
Se continuar nesse ritmo, 2026 promete ser menos eleição e mais campeonato de versões entre os concorrentes à sucessão de Wilton Lima.










