
O cenário das redes sociais foi sacudido por uma decisão judicial de grande impacto no domingo (22/02). A Justiça da Paraíba condenou o influenciador Hytalo Santos e seu marido Israel Vicente, conhecido como Euro, pelo crime de exploração sexual de adolescentes. A sentença encerra um capítulo de intensa repercussão que começou com investigações sobre a conduta da dupla na produção de conteúdos para milhões de seguidores.
A condenação foca na exposição de menores em vídeos com teor inadequado e na divulgação de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. O caso ganhou força após denúncias que questionavam a linha tênue entre o entretenimento digital e a proteção dos direitos fundamentais da infância.
Penas severas e multas pesadas
As sentenças aplicadas pelo magistrado refletem a gravidade das acusações apresentadas pelo Ministério Público. Hytalo Santos recebeu a pena de 11 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado. Já Israel Vicente foi condenado a 8 anos e 10 meses de prisão.
Além da privação de liberdade, a justiça fixou uma indenização expressiva para as vítimas. Cada um dos réus terá que pagar R$ 500 mil a título de danos morais, além de 360 dias-multa. A decisão busca não apenas punir os atos cometidos, mas também gerar um efeito pedagógico sobre os limites da criação de conteúdo para a internet.
Defesa alega falhas e preconceito
Logo após a divulgação da sentença, a equipe jurídica dos influenciadores se manifestou de forma incisiva. O advogado Sean Kompier Abib afirmou que irá recorrer da decisão em instâncias superiores, alegando que o tribunal desconsiderou provas fundamentais que poderiam inocentar seus clientes.
“A sentença decidiu ignorar todas as provas dos autos, com base em opiniões pessoais. Tudo o que foi produzido, tudo o que foi desconstruído, tudo o que trouxe a verdade dos fatos foi ignorado pela sentença” afirmou Sean Kompier Abib.
A defesa também sustenta que houve um viés discriminatório no julgamento. Segundo o advogado, o texto da sentença sugere que a origem racial e a orientação sexual de Hytalo Santos foram utilizadas para traçar um perfil de personalidade desviante, o que ele classifica como um absurdo jurídico e uma forma clara de preconceito.
O rastro das investigações
Os influenciadores estão presos desde agosto de 2025. A investigação ganhou velocidade após a publicação do vídeo “Adultização”, produzido pelo influenciador Felca, que expôs comportamentos problemáticos envolvendo menores de idade nos canais de Hytalo.
A dupla ainda responde a três ações distintas que tratam de temas semelhantes. O caso serve como um marco para a justiça brasileira no combate ao uso indevido de jovens para a geração de engajamento digital, reforçando que o número de seguidores não garante imunidade perante a lei.










