
A trigésima rodada do Campeonato Brasileiro, disputada na tarde deste domingo (11/10), apresentou dois retratos fiéis das ambições e fragilidades dos postulantes ao título e das equipes que lutam contra a queda. No Maracanã, em uma tarde de futebol recheada de estratégias voltadas ao torneio continental, o clássico entre Flamengo e Fluminense expôs o peso de gerenciar elencos em momentos decisivos.
O triunfo rubro-negro por 1 a 0 reafirmou a força da equipe sob o comando de Leonardo Jardim, enquanto o Tricolor pagou o preço por preservar peças antes do compromisso decisivo pela Copa Libertadores da América.
Estratégia e peso decisivo
Desde os primeiros minutos, o Flamengo impôs uma postura agressiva, pressionando a saída de bola adversária. Em uma das primeiras recuperações ofensivas, Pedro retomou a posse e a sobra ficou com Pulgar, que arriscou da intermediária para fora. O Fluminense tentou responder quando Lucho Acosta invadiu a grande área e caiu em contato com Samuel Lino, mas a arbitragem mandou o jogo seguir.
As brechas defensivas do Tricolor continuaram aparecendo. Ignácio perdeu a bola para Paquetá, permitindo que a posse chegasse a Saúl, que finalizou por cima do travessão. Logo em seguida, Carrascal construiu excelente jogada individual e serviu Paquetá dentro da área, exigindo grande defesa do goleiro Fábio.
O Fluminense buscou o ataque em cruzamento de Lucho Acosta, no qual Ignácio cabeceou, a defesa afastou e Martinelli arrematou para fora. Mesmo com o Fluminense registrando maior posse de bola naquele momento, o time de Leonardo Jardim se aproveitava das transições rápidas para criar perigo constante.
Aos 17 minutos da primeira etapa, Pulgar cruzou na área e Léo Ortiz finalizou para nova intervenção de Fábio.
O confronto passou a ficar mais travado no meio-campo, marcado por faltas e desarmes fortes de ambos os lados, equilibrando o controle do jogo.
Aos 25 minutos, Arana cruzou para a área e Castillo cabeceou com firmeza, parando na defesa do goleiro Rossi.
Pouco depois, em uma dividida ríspida, Pulgar acertou o joelho de Castillo e recebeu cartão amarelo, gerando forte revolta nos atletas tricolores. Na sequência da partida, em uma saída em velocidade, Paquetá acionou Pedro, que bateu perigosamente à direita da meta de Fábio.
Nos acréscimos, Samuel Lino cruzou da esquerda para a cabeçada de Paquetá, defendida em dois tempos por Fábio, e o Fluminense respondeu imediatamente com Castillo entrando na área e chutando por cima do gol.
O golpe de Carrascal
A etapa final começou em ritmo reduzido e sem grandes emoções iniciais. A primeira chegada veio com Pedro, que recebeu passe de Carrascal na entrada da área e chutou para fora. O Flamengo manteve o controle do ritmo nos minutos iniciais, até que o Fluminense assustou aos 16 minutos em um contra-ataque veloz, no qual Ganso serviu de calcanhar para Martinelli arriscar da intermediária e exigir grande defesa de Rossi.
O momento decisivo da partida ocorreu aos 19 minutos do segundo tempo. Paquetá efetuou cruzamento preciso nas costas de Arana e encontrou Carrascal, que finalizou de primeira sem dar chances ao goleiro Fábio, abrindo o placar para o Rubro-Negro. Em busca da reação, o técnico Marcão mandou a campo os atacantes Savarino e Hulk, juntando-os a Serna e Ganso, que haviam entrado no intervalo.
Apesar das alterações, a linha defensiva do Flamengo travou as investidas rivais. Os torcedores do Fluminense protestaram contra um contato de Alex Sandro em Savarino dentro da área, porém a arbitragem mandou o lance prosseguir.
No contra-ataque rubro-negro, Joaquín Freitas arrancou em velocidade e finalizou para fora. Aos 36 minutos, Hulk cobrou falta de longa distância com força, mandando à esquerda de Rossi. Nos minutos finais, o Fluminense pressionou em bola alçada na área com cabeçada de Ignácio espalmada por Rossi, e em arremate de Serna defendido pelo goleiro argentino. Hulk ainda cobrou nova falta por cima do gol antes do apito final.
Com este resultado, o Flamengo permanece na liderança do campeonato com 64 pontos, enquanto o Fluminense permanece na terceira colocação com 51 pontos. As duas equipes voltam as suas atenções para as semifinais da Copa Libertadores da América. O Fluminense enfrenta o Palmeiras nesta quarta-feira (14/10), às 21h30, no Maracanã. Já o Flamengo mede forças contra o Estudiantes na quinta-feira (15/10), às 21h30, no estádio UNO, em La Plata.
Domínio verde no Dérbi
Enquanto o clássico carioca se definia nos detalhes, o Allianz Parque, nomeado comercialmente como Nubank Parque, presenciou uma atuação avassaladora do Palmeiras sobre o Corinthians. Com direito a gritos de olé vindo das arquibancadas, a equipe comandada por Abel Ferreira applied uma goleada por 4 a 1, pressionando o rival e agravando a crise na equipe alvinegra.
A atuação palmeirense na primeira etapa refletiu diretamente a distância entre os dois clubes na tabela. O time da casa sufocou o adversário no campo de ataque e exigiu duas intervenções milagrosas de Hugo Souza em chutes de Arias e Barboza. A pressão se transformou em gol aos 15 minutos, quando Evangelista cruzou na medida para Barboza testar firme para a rede.
Do outro lado, o Corinthians demonstrou imensa dificuldade na troca de passes e cometeu erros sucessivos, dependendo apenas de jogadas isoladas de Yuri Alberto. Aos 45 minutos da primeira etapa, em uma transição ofensiva rápida, a troca de passes do Palmeiras culminou no passe de Arias para Giay, livre de marcação, bater de primeira e ampliar a vantagem.
Goleada e novo comando
O retorno do intervalo reservou momentos ainda mais dramáticos para o torcedor corintiano. Logo no primeiro minuto, Piquerez cruzou na área e o lateral Matheus Bidu, ao se enrolar com Raniele, marcou um gol contra. Pouco depois, aos cinco minutos do segundo tempo, Giay aproveitou o rebote concedido pelo goleiro Hugo Souza após jogada trabalhada e assinalou seu segundo gol na partida, o quarto do Verdão.
Com o domínio absoluto de Abel Ferreira, a torcida palmeirense passou a cantar olé a partir dos 13 minutos. O Corinthians teve a chance de diminuir a vantagem aos 34 minutos, quando Paulinho, que entrou durante a etapa final, sofreu pênalti. Ele mesmo assumiu a cobrança, mas o goleiro Hugo Souza realizou a defesa. Já nos acréscimos, Gustavo Henrique descontou de cabeça para fechar o placar em 4 a 1.
Durante o Dérbi, o Palmeiras chegou a assumir provisoriamente a liderança com 63 pontos, até o gol de Carrascal no Maracanã garantir o primeiro lugar ao Flamengo. O resultado manteve o time paulista na vice-liderança, apenas um ponto atrás do clube carioca. Já o Corinthians acompanhou apreensivo o clássico Gre-Nal, onde uma vitória de qualquer lado colocaria o clube na Zona de Rebaixamento (Z-4). O Internacional abriu o placar com Vitinho na Arena do Grêmio, mas Wallace empatou o jogo. O resultado deixa o Corinthians na 16ª colocação, com 32 pontos, prestes a ser assumido pelo novo técnico Clarence Seedorf.
Na agenda das equipes, o Palmeiras foca no duelo contra o Fluminense nesta quarta-feira, às 21h30, no Maracanã, pelo jogo de ida das semifinais da Copa Libertadores da América, antes de encarar o Athletico-PR no sábado, às 19h30, na Arena da Baixada, pelo Campeonato Brasileiro. O Corinthians terá tempo para treinos sob o comando de Seedorf antes de voltar a campo na segunda-feira (19/10), às 20h, diante do Vitória, na Neo Química Arena.
Sábado, 10 de outubro
- Vasco 0 x 0 Remo
- São Paulo 2 x 1 Vitória
Domingo, 11 de outubro
- Atlético Mineiro 2 x 1 Santos
- Palmeiras 4 x 1 Corinthians
- Flamengo 1 x 0 Fluminense
- Grêmio 1 x 1 Internacional
- Bahia 1 x 0 Mirassol










