Infantil Brinquedos com inteligência artificial despertam curiosidade, mas acendem alerta entre pediatras

Brinquedos com inteligência artificial despertam curiosidade, mas acendem alerta entre pediatras

Foto: Divulgação

Brinquedos que conversam, gravam vozes, decoram preferências e simulam gestos de afeto já ocupam as prateleiras e despertam o fascínio natural das novas gerações pelas tecnologias digitais.

No entanto, a presença desses itens no cotidiano infantil exige cautela redobrada dos pais e responsáveis para garantir o desenvolvimento saudável dos pequenos. O alerta parte do pediatra Rafael de Mello Leão, do plano Hapvida, após a divulgação recente de uma nota técnica emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Embora os impactos de longo prazo dessas tecnologias ainda não estejam totalmente mapeados pelos pesquisadores, a falta de respostas definitivas não anula os riscos aparentes ao desenvolvimento psicológico e à privacidade dos menores.

Para o médico, a preocupação central está voltada para a maneira como a criança interpreta e absorve essa convivência diária.

O especialista explicou o impacto psicológico do hábito de atribuir emoções humanas aos robôs.

“Quando um brinquedo utiliza inteligência artificial para simular carinho, amizade e compreensão, a criança pode interpretar essas respostas como sentimentos verdadeiros. Chamamos esse fenômeno de antropomorfização, quando atribuímos características humanas a algo que não é humano”, afirmou Rafael de Mello Leão.

O médico ressaltou que não existem dados definitivos para comprovar que esses produtos causem danos neurológicos diretos, mas manifestou preocupação de que os objetos passem a ocupar o espaço das interações interpessoais humanas.

O pediatra detalhou os riscos de a criança preferir a convivência virtual ao convívio comunitário.

“Diante de uma interação artificial excessivamente confortável, algumas crianças podem passar a preferi-la aos desafios naturais das relações reais”, ressaltou o médico.

Risco de consumismo infantil

Como as crianças ainda constroem a capacidade de julgamento, de controle de impulsos e de compreensão do mundo, elas ficam mais vulneráveis a estratégias comerciais abusivas embutidas nos softwares.

O pediatra citou um exemplo prático de como essas ferramentas podem induzir gastos não planejados.

“Imagine um brinquedo que, durante uma conversa afetuosa, sugira uma compra ou insinue que determinada aquisição tornará a experiência mais divertida. Esse mecanismo pode favorecer o consumismo, a frustração e a associação equivocada entre felicidade, afeto e aquisição de produtos”, alertou Rafael de Mello Leão.

Brinquedos tradicionais e imaginação

O médico estabelece uma diferença clara entre brinquedos que estimulam o raciocínio criativo e aqueles que entregam a atividade pronta sem exigir esforço mental.

O especialista analisou os benefícios dos itens clássicos no desenvolvimento cognitivo.

“Quando uma criança brinca com blocos de montar, bonecas, carrinhos, desenhos ou objetos simples, precisa imaginar situações, inventar histórias, buscar soluções e tomar decisões. Esse processo estimula habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais. Alguns brinquedos com inteligência artificial podem favorecer a aprendizagem e a criatividade, mas outros acabam conduzindo excessivamente a brincadeira, deixando a criança na posição de receptora de estímulos e respostas”, declarou o pediatra.

Cuidados antes da compra

Para orientar as famílias na escolha de artigos seguros, o médico aponta critérios essenciais de avaliação técnica e comportamental antes de efetuar a compra.

  • Verificar se o produto possui câmera, microfone ou conexão direta com a internet.
  • Entender quais informações são coletadas, onde ficam armazenadas e se existe opção de exclusão dos dados.
  • Checar a presença de ferramentas de supervisão parental, bloqueio de compras e opção de desativar funções conectadas.
  • Avaliar se o objeto estimula a imaginação do infantil ou se executa quase todas as ações de forma automática.

Nos casos em que o fabricante não deixa claro como protege as informações do usuário, a recomendação médica é rejeitar a aquisição.

O pediatra encerrou a orientação reforçando a importância da prevenção no ambiente familiar.

“Na dúvida sobre a segurança de um brinquedo, a melhor escolha é não expor a criança ao risco”, concluiu Rafael de Mello Leão.

ASCOM: J7 Press | AM

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