
A vitória por 3 a 0 sobre a Escócia na quarta-feira, 24 de junho, garantiu a classificação da Seleção Brasileira em primeiro lugar no Grupo C, carimbando o passaporte para a fase de 32 avos de final.
O resultado obtido no Hard Rock Stadium, em Miami, traz um alívio imediato para a comissão técnica e empolga os torcedores que lotaram as arquibancadas na Flórida. No entanto, uma análise mais profunda e distanciada do placar elástico revela que o pragmatismo e as individualidades ainda pesam mais do que uma engrenagem coletiva totalmente brilhante.
O confronto serviu para consolidar posições, mas deixa questionamentos claros sobre como o grupo se comportará contra potências de primeira linha na próxima segunda-feira, dia 29 de junho.
Evolução tática
Vindo de um empate morno contra Marrocos e de um triunfo protocolar diante do Haiti, o time comandado por Carlo Ancelotti precisava dar uma resposta de desempenho na noite de quarta-feira.
A ausência de Raphinha, lesionado na coxa, acabou forçando uma mudança que deu dinâmica ao setor direito com a entrada do jovem Rayan. O Brasil adotou uma postura de marcação alta e sufocou a saída de bola escocesa logo nos minutos iniciais do confronto.
Essa intensidade foi o ponto alto da noite e resultou no primeiro gol, nascido de um erro crasso do defensor Scott McKenna. A facilidade encontrada para dominar o meio de campo passou muito pelos pés de Bruno Guimarães, que ditou o ritmo do jogo e desarticulou completamente o esquema planejado por Steve Clarke. A Escócia, que sonhava com uma classificação histórica, sucumbiu diante da própria limitação técnica e não conseguiu oferecer a resistência esperada de um torneio desse porte.
Brilho individual
O grande nome da partida de 24 de junho foi Vinícius Júnior. O camisa 7 assumiu o protagonismo absoluto e ratificou sua excelente fase ao marcar duas vezes, alcançando a briga direta pela artilharia da competição ao lado de grandes astros internacionais. O atacante incomodou a zaga adversária durante os noventa minutos com dribles verticais e senso de posicionamento na área.
O rendimento do craque poderia ter sido ainda maior se não fosse uma interferência direta da arbitragem. O juiz mexicano César Ramos Palazuelos anunciou a anulação de um gol legítimo do brasileiro após uma roubada de bola limpa sobre Jack Hendry. A decisão gerou protestos inflamados no estádio, evidenciando uma falha de interpretação que prejudicou o espetáculo. Mesmo com o erro do árbitro, o volume de jogo do ataque brasileiro funcionou bem, culminando no gol de Matheus Cunha na segunda etapa após uma jogada plasticamente perfeita de Bruno Guimarães.
Retorno midiático
O aspecto mais discutível da noite foi a utilização de Neymar na metade final do segundo tempo. Sem atuar pela equipe principal desde o ano de 2023, o camisa 10 entrou no lugar de Matheus Cunha sob forte clamor do público presente em Miami. A substituição teve um caráter nitidamente mais comercial e de gerenciamento de grupo do que uma necessidade tática real dentro do campo.
Em termos práticos, o jogador pouco contribuiu para a armação e arriscou apenas uma finalização sem grande perigo. A escolha de Ancelotti parece visar o ganho de ritmo de jogo para as fases agudas e a blindagem psicológica do elenco. Até o momento, o goleiro Alisson se manteve seguro quando exigido em uma cabeçada firme de Scott McTominay, mostrando que o sistema defensivo estava atento.
Agora, o nível de exigência sobe degraus importantes, e o Brasil enfrentará Japão, Holanda ou Suécia na próxima segunda-feira, dia 29, adversários que certamente não darão os mesmos espaços concedidos pelos escoceses.
Resultados de ontem (24 de junho)
- Suíça 2 x 1 Canadá — Grupo B
- Bósnia e Herzegovina 3 x 1 Catar — Grupo B
- Brasil 3 x 0 Escócia — Grupo C
- Marrocos 4 x 2 Haiti — Grupo C
- México 3 x 0 República Tcheca — Grupo A
- África do Sul 1 x 0 Coreia do Sul — Grupo A
Com esses resultados, Brasil, Marrocos, Suíça e México garantiram a liderança de seus grupos, enquanto a definição de algumas vagas para os melhores terceiros colocados segue em aberto.
Jogos de hoje (25 de junho)
17h00
- Equador x Alemanha
- Curaçao x Costa do Marfim
20h00
- Tunísia x Holanda
- Japão x Suécia
23h00
- Turquia x Estados Unidos
- Paraguai x Austrália
Essas partidas encerram as disputas dos Grupos D, E e F e definirão os classificados para a fase de mata-mata.










