
O técnico Carlo Ancelotti enfrenta o seu primeiro grande teste de rejeição no comando da Seleção Brasileira. Após a estreia decepcionante no empate contra o Marrocos, o treinador italiano busca reconstruir a confiança com os torcedores nesta sexta-feira, dia 19, na Filadélfia. O confronto contra o Haiti passou a ter peso de decisão para reencaminhar os pentacampeões no grupo C da Copa do Mundo da América do Norte.
Recebido com entusiasmo há um ano como o primeiro estrangeiro a assumir o cargo em seis décadas, o comandante viu a lua de mel ser ameaçada pelo futebol pouco convincente. Fora de campo, o treinador de 67 anos buscou a aproximação cultural ao vivenciar o Carnaval carioca e arriscar um portunhol em campanhas publicitárias. Contudo, a cobrança imediata por desempenho no torneio mundial interrompeu a calmaria.
Críticas e cobranças
A atuação apagada diante dos semifinalistas do Catar em 2022 rendeu uma enxurrada de questionamentos da imprensa e de ex-jogadores. A principal queixa envolve a falta de consistência tática e o aproveitamento abaixo do esperado de estrelas consagradas na Europa.
- Rendimento abaixo: Vinícius Júnior, Casemiro e Raphinha não repetem na Seleção as grandes atuações de seus clubes.
- Promessas no banco: Torcedores exigem mais espaço para atacantes como Endrick e Rayan.
- Situação de Neymar: Convocado mesmo com lesão na panturrilha direita, o camisa 10 segue fora e faz tratamento em Nova Jersey.
A ausência de uma identidade coletiva foi o ponto central da análise de um dos maiores ídolos do futebol nacional.
“Percebe-se que no Brasil não há um jogo sólido, um jogo coletivo, de equipe, como estávamos acostumados a ver nas equipes do Ancelotti”, afirmou Zico à ESPN.
Mudanças e alertas
O comandante assumiu o cargo em um cenário político conturbado, marcado pelo afastamento temporário do presidente Ednaldo Rodrigues na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mesmo garantindo a vaga nas Eliminatórias, o futebol apresentado não afasta o fantasma do jejum de títulos mundiais que dura desde 2002.
Para corrigir os rumos, a comissão técnica indicou que pode realizar mudanças drásticas no time titular, cogitando barrar medalhões como Casemiro e Raphinha. A necessidade de vitória obriga a equipe a adotar uma postura agressiva que faltou na rodada de abertura.
O adversário da vez não disputa o torneio desde 1974 e estreou com derrota para a Escócia. Apesar da fragilidade teórica do Haiti, o elenco prega cautela diante dos tropeços recentes de potências europeias como Espanha e Portugal na competição.
“Temos que manter os pés no chão, ser humildes e saber que os três pontos são o mais importante neste momento”, declarou o lateral Douglas Santos ao rejeitar qualquer clima de salto alto antes do apito inicial.










