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Banco Central decreta a liquidação definitiva do Will Bank e encerra ciclo de incertezas

Foto: Divulgação

O desfecho para o banco digital do grupo Master aconteceu nesta quarta-feira (21/1) com a confirmação da sua liquidação extrajudicial. A medida foi assinada pelo presidente do Banco Central Gabriel Galípolo e coloca um ponto final em um período de agonia financeira que se arrastava desde o final do ano passado. O encerramento das atividades ocorre após a autoridade monetária concluir que não há mais caminhos para a recuperação da saúde econômica da instituição.

A decisão de retirar o Will Bank do sistema financeiro nacional reflete a insolvência da empresa e o forte vínculo de interesse com o Banco Master que já enfrentava processo semelhante. Na prática a liquidação significa a interrupção imediata de todos os serviços e a indisponibilidade dos bens de seus controladores e ex-administradores.

O colapso operacional e o rompimento com a bandeira Mastercard

Um dos fatores determinantes para que o BC acelerasse o processo de liquidação foi a interrupção dos pagamentos aos participantes da cadeia de cartões de crédito. A situação tornou-se insustentável quando a bandeira Mastercard decidiu bloquear a aceitação de transações realizadas pelos cartões do Will Bank. Essa medida drástica foi tomada para evitar que o montante da dívida continuasse crescendo após o banco deixar de honrar as operações efetuadas pelos seus clientes.

Como consequência desse calote operacional a bandeira de cartões executou garantias contratuais e passou a deter participações em empresas como a varejista Westwing e o Banco de Brasília (BRB). A falta de uma solução de mercado ou de um comprador interessado em assumir a operação deixou o regulador sem alternativas para preservar a continuidade do banco digital.

O peso da Operação “Compliance Zero” e os desdobramentos jurídicos

A queda do Will Bank não pode ser analisada de forma isolada do contexto policial que envolve o seu controlador Daniel Vorcaro. Recentemente a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação “Compliance Zero” que investiga a utilização de fundos de investimentos para inflar artificialmente o patrimônio do grupo Master. Entre os alvos dessa etapa estão nomes conhecidos do mercado financeiro como os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur.

As investigações apontam que o esquema envolvia a criação de carteiras de crédito falsas para mascarar a real situação financeira das instituições e facilitar negociações de venda. Daniel Vorcaro que chegou a ser preso na primeira fase da operação permanece sob monitoramento por tornozeleira eletrônica enquanto as autoridades apuram as responsabilidades administrativas e criminais da gestão.

O impacto financeiro e o papel do Fundo Garantidor de Créditos

O encerramento do Will Bank traz um fardo pesado para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com a liquidação o fundo terá que arcar com indenizações que podem atingir a marca histórica de R$ 40,6 bilhões somando os títulos garantidos emitidos pelo grupo. O prejuízo do banco no primeiro semestre do ano passado já indicava um cenário sombrio ao registrar perdas de R$ 244,7 milhões.

Abaixo estão os pontos centrais que explicam a gravidade da situação atual:

  • O Will Bank encerrou o período anterior com ativos na ordem de R$ 14,4 bilhões e um patrimônio líquido de apenas R$ 300 milhões.
  • O descumprimento sistemático da grade de pagamentos impossibilitou qualquer tentativa de administração temporária.
  • Cerca de 800 mil investidores de títulos como o CDB devem buscar o ressarcimento junto ao fundo garantidor respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF.
  • A liquidação extrajudicial foi retroativa ao dia 24 de novembro de 2025 para efeitos legais de apuração.

O caso do Will Bank serve como um alerta rigoroso sobre a necessidade de governança sólida no setor dos bancos digitais. A mistura entre má gestão financeira e indícios de práticas fraudulentas destruiu a confiança necessária para a manutenção de qualquer player no sistema bancário brasileiro.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/bc-decreta-liquidacao-do-will-bank-banco-digital-do-grupo-master.shtml

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